Bitcoin sobe apesar de inflação acima do esperado nos EUA

O Bitcoin avançou nesta sexta-feira, apesar da aceleração da inflação nos Estados Unidos. Os investidores negociavam a criptomoeda perto de US$ 78.749, com alta de 2% em 24 horas. Durante a manhã em Nova York, a cotação alcançou US$ 79.607. Assim, o mercado sustentou a valorização mesmo diante da perspectiva de juros mais altos.

Os preços ao consumidor dos Estados Unidos aceleraram em agosto. Além disso, o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% na comparação mensal. O resultado superou as expectativas e ampliou a atenção sobre a próxima decisão do Federal Reserve. Ainda assim, a divulgação não impediu o avanço do Bitcoin.

Inflação pressiona expectativas sobre os juros

A guerra com o Irã dificultou o controle da inflação nos Estados Unidos. O conflito elevou os preços do petróleo e aumentou os custos de alimentos, gasolina e outros produtos. Nesse contexto, a pressão sobre os preços ganhou relevância para a economia norte-americana. O cenário também passou a influenciar as decisões dos investidores.

Em geral, uma inflação mais elevada leva o Federal Reserve a aumentar as taxas de juros. Esse movimento pode limitar novos avanços do Bitcoin, pois reduz a liquidez disponível para investimentos. Consequentemente, o custo maior dos empréstimos tende a diminuir o apetite por aplicações de risco. A reação positiva desta sexta-feira, porém, contrariou essa pressão imediata.

Conforme a ferramenta FedWatch da CME, os traders indicavam 85% de chance de juros mais altos na semana seguinte. O Federal Reserve se reunirá no período para anunciar sua decisão sobre os custos dos empréstimos. Portanto, o encontro deverá definir o próximo passo da política monetária norte-americana. O resultado também poderá influenciar a liquidez dos mercados financeiros.

Juros e liquidez permanecem no radar

O Bitcoin costuma apresentar um desempenho favorável em ambientes de juros baixos. Isso ocorre porque a maior liquidez amplia os recursos disponíveis para investimentos. Por outro lado, a perspectiva de aperto monetário cria um obstáculo para novas valorizações. Os investidores acompanham esse equilíbrio ao avaliar o comportamento da criptomoeda.

Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve em janeiro. No mês anterior, durante seu primeiro discurso à frente do banco central, ele afirmou que ainda havia trabalho no combate à inflação. Dessa forma, Warsh reforçou a prioridade do controle dos preços. Suas declarações também aumentaram a atenção sobre os próximos passos da instituição.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos enfrentam uma crise de custo de vida. A alta do petróleo ganhou destaque antes das eleições de meio de mandato. Enquanto isso, o presidente Donald Trump afirmou aos eleitores que os preços permanecerão sob controle. Trump também pressionou repetidamente o banco central a reduzir as taxas de juros.

Medidas do Tesouro apoiaram o Bitcoin em agosto

Em agosto, o Bitcoin registrou sua maior sequência de altas em anos. Notícias regulatórias favoráveis e um anúncio do Tesouro dos Estados Unidos apoiaram o movimento. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, informou que o departamento dobraria o volume de recompras de títulos de longo prazo. Na prática, a medida favoreceu instrumentos sem rendimento, como Bitcoin e ouro.

A criptomoeda também ganhou impulso quando Trump pediu a aprovação de uma legislação considerada essencial para o setor. O presidente defendeu que os legisladores avançassem com a Clarity Act. Com isso, decisões regulatórias e monetárias passaram a dividir a atenção dos participantes do mercado. Agora, a reação do Bitcoin à próxima decisão do Federal Reserve seguirá como um ponto central para os investidores.