Bitcoin sobe após PPI dos EUA vir acima do esperado

O Bitcoin permanece próximo de US$95 mil após a divulgação dos dados do Índice de Preços ao Produtor dos Estados Unidos referente a novembro, que avançou além das projeções e elevou a preocupação do mercado com o ritmo de cortes de juros do Federal Reserve em 2026. Além disso, a reação do ativo reforça a sensibilidade dos investidores aos dados recentes de inflação.

O Bureau of Labor Statistics informou que o PPI anual subiu para 3,0 por cento, acima da projeção de 2,7 por cento e no maior patamar desde julho de 2025. No entanto, o dado mensal ficou em 0,2 por cento, dentro das expectativas. Assim, o avanço anual indica que as pressões de custos ao produtor continuam elevadas.

Esse comportamento preocupa porque preços mais altos no atacado costumam antecipar repasses ao consumidor. Portanto, quando produtores enfrentam custos crescentes, varejistas tendem a incorporar esses aumentos gradualmente, influenciando a inflação geral e dificultando o processo de desinflação.

A divulgação recente do CPI de dezembro reforçou esse cenário. O indicador ficou em 2,7 por cento no dado cheio e 2,6 por cento no núcleo, ambos acima da meta de 2 por cento do Fed. Assim, a combinação de CPI e PPI mais fortes aumenta a percepção de que a desaceleração da inflação perdeu fôlego.

Efeitos dos dados de inflação sobre o mercado

Com indicadores pressionados, cresce a tese de que o Fed pode manter a política monetária rígida por mais tempo. Declarações anteriores de Jerome Powell indicam que a instituição considera adequado manter a taxa de juros entre 3,50 por cento e 3,75 por cento pelo menos até o primeiro trimestre de 2026. Portanto, as chances de cortes agressivos diminuem, contrariando expectativas observadas em parte do mercado de cripto.

No mercado, o Bitcoin mantém configuração técnica sensível. Há suporte relevante entre US$88 mil e US$90 mil e resistência imediata na faixa de US$92 mil. A estabilidade acima de US$95 mil sugere que parte dos investidores já absorveu o tom mais cauteloso do Fed. No entanto, movimentos bruscos podem surgir caso o suporte inferior seja rompido.

Fonte: TradingView

Se o preço voltar a perder a região dos US$90 mil, analistas afirmam que o ativo pode retestar níveis próximos de US$88,5 mil, registrados em novembro. Por outro lado, caso o Bitcoin mantenha sustentação firme acima de US$95 mil, o movimento pode indicar que o impacto dos dados de inflação já foi precificado.

Como o salto no PPI interfere no comportamento do Bitcoin

A alta inesperada do PPI reacendeu debates sobre o ritmo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos. Como ativos sensíveis aos juros costumam reagir a essas sinalizações, o Bitcoin sente os efeitos diretos da leitura mais forte dos preços ao produtor. Além disso, a persistência da inflação reforça a necessidade de cautela por parte da autoridade monetária, o que tende a reduzir o apetite por risco no curto prazo.

Com os dados de inflação ainda acima da meta e sem sinais claros de desaceleração consistente. O mercado acompanha atentamente as zonas de suporte e resistência do Bitcoin. Portanto, no curto prazo, o desempenho do ativo deve refletir as expectativas sobre a trajetória dos juros. E a interpretação dos investidores quanto à manutenção da política monetária restritiva.