Bitcoin sobe com política dos EUA para conter petróleo

O Bitcoin avança em um cenário marcado por novos estímulos econômicos nos EUA e por ações voltadas ao controle do preço do petróleo. Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, afirma que essa combinação cria um ambiente ideal para a valorização do ativo. Segundo ele, a economia aquecida, aliada à estabilidade energética, tende a impulsionar a busca por ativos mais arriscados, o que fortalece a demanda pelo Bitcoin.

Em seu ensaio chamado “Suavemente”, Hayes explica que a motivação política por trás dessas medidas tem como foco a reeleição. Ele destaca que o eleitor médio reage de forma direta ao custo de vida, especialmente ao preço da gasolina. Assim, qualquer estratégia que mantenha a energia acessível ganha peso político e econômico, influenciando também o movimento dos mercados.

Como a política energética dos EUA impacta o Bitcoin

Hayes argumenta que a recente aproximação dos EUA com o setor petrolífero da Venezuela deve ser vista principalmente como estratégia eleitoral. Além disso, ele afirma que as eleições americanas costumam ser decididas por eleitores sensíveis ao desempenho econômico, com destaque para a inflação de alimentos e energia. Portanto, manter a gasolina em níveis controlados se torna essencial para garantir estabilidade na percepção do eleitorado.

De acordo com Hayes, o principal desafio está no preço do combustível. A população depende de carros devido à baixa oferta de transporte público em várias regiões do país. Por isso, o petróleo venezuelano surge como peça estratégica, já que ajuda a evitar pressões inflacionárias e permite que o governo continue expandindo o crédito sem provocar alta no custo da gasolina.

O analista menciona ainda a chamada “regra dos 10%”, segundo a qual uma alta de pelo menos 10% no preço médio da gasolina, dentro de três meses antes das eleições, tende a alterar o controle político em Washington. Portanto, manter o petróleo estável ou até mais barato se torna o cenário ideal. Assim, os mercados ficam mais confortáveis, e o Bitcoin tende a se beneficiar de forma direta desse ambiente mais previsível.

Liquidez em dólar e estabilidade do petróleo favorecem ativos digitais

Hayes reforça que o petróleo funciona como limitador da criação de crédito. No entanto, ele destaca que o Bitcoin representa uma forma pura de abstração monetária, já que mineradores espalhados pelo mundo enfrentam custos energéticos semelhantes. Portanto, o fator crucial para o ativo é a expansão da liquidez em dólar, e não o preço do petróleo em si.

Segundo ele, sinais de estresse aparecem primeiro no mercado de renda fixa, especialmente no rendimento dos Treasuries de 10 anos e no índice MOVE, que mede a volatilidade nos títulos. Quando o petróleo sobe e empurra esses rendimentos para perto de 5%, a volatilidade aumenta. Isso, por sua vez, obriga o governo a agir para estabilizar o mercado.

Hayes relembra um episódio em que ameaças tarifárias elevaram de forma brusca o índice MOVE, levando a uma mudança rápida de postura por parte do governo. Para ele, esse tipo de reação mostra o peso das decisões de mercado nas ações políticas.

Enquanto não houver pressão desse tipo, Hayes projeta um cenário de forte expansão de crédito, com petróleo estável ou até em queda. Portanto, ele considera esse ambiente positivo para o avanço do Bitcoin. A análise mostra uma correlação consistente entre aumento da liquidez em dólar e valorização do ativo.

Hayes também comenta sobre a estratégia da Maelstrom, sua gestora, que iniciou 2026 com forte exposição ao risco e baixa alocação em stablecoins. Ele planeja ampliar posições em projetos de privacidade e DeFi. Entre os ativos citados, ZEC aparece como uma das principais apostas.

Na época da publicação original, o Bitcoin era negociado a US$ 93.841.

Bitcoin price chart
Gráfico semanal do Bitcoin. Fonte: TradingView

Portanto, conforme Hayes, a combinação entre controle dos custos energéticos e estímulos à economia cria o contexto mais favorável para o Bitcoin no curto prazo. Enquanto os EUA mantiverem essas condições, o ativo tende a seguir em tendência positiva.