Bitcoin sobe com tensão EUA-Irã e petróleo alto
O Bitcoin registrou forte valorização nesta segunda-feira, à medida que as tensões entre Estados Unidos e Irã se intensificaram no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a alta do petróleo reforçou a aversão ao risco nos mercados tradicionais e, por consequência, favoreceu ativos alternativos, como as criptomoedas.
O barril de petróleo chegou próximo de US$ 112, em meio a preocupações com possíveis interrupções no Estreito de Ormuz e riscos à oferta global. Diante disso, analistas avaliam que, caso os preços permaneçam elevados por semanas, a inflação nos Estados Unidos pode voltar a subir de forma relevante.
Escalada geopolítica pressiona mercados
A tensão aumentou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitir um novo alerta ao Irã. Em publicação na rede Truth Social, ele afirmou que o país enfrentaria consequências severas caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto rapidamente. Além disso, mencionou a possibilidade de ações contra infraestruturas críticas.
Ao mesmo tempo, Trump declarou em entrevista à Fox News que negociações estão em andamento. Segundo ele, há uma “boa chance” de um acordo ser alcançado em até 24 horas. Ainda assim, o cenário permanece incerto, uma vez que ameaças militares coexistem com esforços diplomáticos.
Relatos publicados pelo Axios indicam que Estados Unidos, Irã e mediadores regionais discutem um possível cessar-fogo de 45 dias. Nesse sentido, a combinação de risco geopolítico e negociações elevou a volatilidade global, afetando tanto commodities quanto ativos digitais.

Bitcoin avança e liquidações aceleram movimento
O mercado de criptomoedas reagiu rapidamente às manchetes. O valor total do setor subiu cerca de US$ 70 bilhões, alcançando US$ 2,38 trilhões, o maior nível em 11 dias. Nesse contexto, o Bitcoin chegou próximo de US$ 69.870 na Coinbase, conforme dados da TradingView.
Além disso, o movimento pressionou investidores posicionados na queda. Dados da CoinGlass mostram que aproximadamente US$ 255 milhões em posições foram liquidadas em 24 horas, sendo 73% em operações vendidas. Como resultado, ocorreu um short squeeze que intensificou a alta do ativo.

Imagem: Kpler/Marine Traffic
Enquanto isso, o conflito no Oriente Médio já dura mais de um mês, ampliando seus efeitos econômicos. Estimativas indicam que consumidores americanos passaram a gastar cerca de US$ 240 milhões adicionais por dia em combustível desde 28 de fevereiro. Portanto, a pressão energética segue como um dos principais vetores de instabilidade global.
Petróleo, inflação e próximos movimentos
O avanço do petróleo permanece no centro das atenções. Segundo análise da Kobeissi Letter, se os preços atuais se mantiverem por cerca de sete semanas, a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos pode atingir aproximadamente 3,7%. Assim, o cenário pode influenciar diretamente as decisões de política monetária do Federal Reserve.
Além disso, o mercado de criptomoedas continua altamente sensível a eventos macroeconômicos. Nesse sentido, a combinação de tensões militares, negociações diplomáticas e oscilações nos preços de energia cria um ambiente de rápida reação. Como resultado, movimentos bruscos podem ocorrer em poucas horas.
Em conclusão, o Bitcoin reflete esse cenário complexo. Por um lado, o ativo tende a ganhar tração em momentos de incerteza. Por outro, responde rapidamente a mudanças no sentimento global. Dessa forma, enquanto persistirem os riscos geopolíticos e as dúvidas sobre inflação, a volatilidade deve permanecer elevada no curto prazo.