Bitcoin sobe: dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões

Bitcoin e ouro avançam com dólar enfraquecido

O Bitcoin e o ouro registraram fortes ganhos enquanto investidores reduziram a exposição a investimentos tradicionais dos Estados Unidos. Na segunda-feira, o Índice do Dólar Americano operava perto de 98,88. Esse patamar não era observado desde meados de maio.

Na semana anterior, o indicador recuou quase 1%. Ao mesmo tempo, a dívida federal dos Estados Unidos superou US$ 40 trilhões. O déficit anual, por sua vez, aproxima-se de US$ 1,8 trilhão.

A fraqueza do dólar reflete a preocupação dos investidores com a situação fiscal do governo americano. Nesse contexto, o Departamento do Tesouro anunciou a ampliação do programa de recompra de títulos de longo prazo. A decisão ocorreu na semana anterior.

Recompras de títulos preocupam operadores

Cada operação passará a movimentar US$ 4 bilhões. O Tesouro apresentou a medida como uma forma de melhorar o funcionamento do mercado. A iniciativa também busca reduzir a pressão sobre os juros de prazos mais longos.

Embora os rendimentos dos títulos tenham caído inicialmente, a atuação direta inquietou operadores. Participantes do mercado avaliam que as ações do Tesouro podem gerar consequências não intencionais. Com isso, aumentou a procura por alternativas ao dólar.

“Quanto mais Bessent tenta resistir, mais os mercados vão reagir contra ele”, afirmou Marc Ostwald, economista-chefe da ADM Investor Services International. Ele acrescentou que o cenário direciona investidores ao ouro e ao Bitcoin diante do temor de desvalorização monetária.

De acordo com Ostwald, gestores de portfólio procuram diversificação além dos títulos soberanos de países do G7. A estratégia decorre dos receios de que os desequilíbrios fiscais continuem sem controle.

Ativos alternativos ganham espaço

Na comparação com o Bitcoin, o dólar registrou sua maior queda semanal em quase três anos e meio. O ouro também avançou à medida que investidores buscaram alternativas aos investimentos denominados na moeda americana.

O euro era negociado a US$ 1,1665, perto do pico de três meses alcançado na semana anterior. Enquanto isso, a libra esterlina permanecia próxima da máxima de seis meses, a US$ 1,3628. O yuan chinês operava perto do nível mais forte contra o dólar em três anos e meio.

Tarifas e sanções ampliam tensão global

O dólar canadense enfrentou pressão vendedora depois que Washington impôs tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses. A medida ocorreu após o fracasso das negociações bilaterais. Em resposta, Ottawa confirmou tarifas retaliatórias equivalentes, com vigência prevista para 8 de setembro.

Além disso, participantes aguardavam anúncios do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sobre sanções ao Irã. As medidas estavam programadas para segunda-feira. Bessent havia prometido aplicar “as sanções mais duras da história” contra o país, enquanto as especulações apontavam para uma possível exposição chinesa.

Antes do anúncio, os preços do petróleo caíram mais de US$ 1 por barril. Operadores aproveitaram o momento para realizar lucros. Contudo, os riscos geopolíticos relacionados ao Estreito de Ormuz permaneceram no radar.

Discursos e balanço da Nvidia entram no radar

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, deve discursar em Jackson Hole na sexta-feira. O mercado buscará sinais sobre a política monetária e o programa de recompra do Tesouro. Suas declarações podem influenciar as expectativas para os juros americanos.

Na quinta-feira, o vice-presidente do Banco do Japão, Ryozo Himino, também falará aos mercados. Analistas buscarão indicações sobre a trajetória dos juros japoneses. Paralelamente, o balanço trimestral da Nvidia poderá ampliar a volatilidade nos mercados globais.