Bitcoin: Strategy reage à possível exclusão da MSCI
A Strategy afirmou que não precisa da MSCI após a provedora de índices considerar a exclusão da empresa de seus índices globais. A possível medida alcançaria companhias classificadas como não operacionais, incluindo empresas com grandes reservas de Bitcoin.
A MSCI abriu uma consulta para definir as chamadas empresas não operacionais. A instituição também propôs torná-las inelegíveis para os MSCI Global Investable Market Indexes, conhecidos como GIMI. Com isso, a retirada reduziria a presença dessas companhias em índices acompanhados por investidores institucionais.
Strategy contesta critérios avaliados pela MSCI
A MSCI avalia a mudança porque a Strategy mantém uma grande quantidade de Bitcoin e se distancia do modelo operacional tradicional. Por isso, a regra poderá alcançar outras empresas cuja estrutura financeira se enquadre nessa definição.
Em uma publicação no X, na sexta-feira, a Strategy criticou a proposta. A companhia argumentou que provedores de índices devem medir os mercados, em vez de determinar quais bens as empresas podem manter.
“Ativos digitais são ativos. Provedores de índices devem medir mercados, não decidir quais ativos as empresas podem possuir. A proposta da MSCI a deixa desalinhada com reguladores, mercados e seus próprios clientes.”
“O Bitcoin não precisa da MSCI. A Strategy também não.”
Strategy no X
A consulta também incluiu a japonesa Metaplanet, que mantém uma tesouraria de Bitcoin e negocia ações na Bolsa de Tóquio. O documento ainda citou a companhia de investimentos em urânio Yellow Cake. Contudo, registros financeiros de maio de 2026 indicam que Strategy e Metaplanet já atendem aos critérios de remoção propostos.
Saída pode provocar vendas por fundos passivos
Caso a MSCI adote o texto atual e os perfis financeiros permaneçam iguais, as duas empresas sairão do índice MSCI ACWI IMI. A remoção ocorreria durante a revisão prevista para novembro de 2026.
Nesse cenário, fundos que acompanham o índice teriam de vender as ações das companhias. Ao mesmo tempo, Strategy e Metaplanet perderiam possíveis fluxos passivos de capital vinculados à participação no indicador.
Ainda assim, a MSCI continuará recebendo comentários sobre a proposta até 30 de setembro. A instituição declarou explicitamente que a consulta pode ou não resultar em mudanças nos índices.
Assim, a provedora ainda pode modificar, adiar ou abandonar totalmente a regra. Mesmo após uma eventual aprovação, alterações nos dados financeiros antes da revisão poderão mudar o resultado para cada empresa.
Bitcoin transformou o perfil da Strategy
A Strategy, listada na Nasdaq e anteriormente chamada MicroStrategy, começou a comprar Bitcoin em agosto de 2020. Naquele momento, a empresa buscava melhorar os retornos dos acionistas durante a pandemia de COVID-19.
Desde então, a companhia gastou cerca de US$ 63,3 bilhões em Bitcoin e se tornou a maior detentora corporativa do ativo. Dessa maneira, investidores podem usar as ações da Strategy para obter exposição à principal criptomoeda sem realizar a compra e a custódia diretamente.
A estratégia empresarial inspirou outras companhias a comprar Bitcoin e diferentes criptomoedas para tentar impulsionar suas cotações. Enquanto isso, as ações MSTR caíam quase 3% na sexta-feira e eram negociadas perto de US$ 95.
No acumulado de 2026, os papéis da Strategy registravam queda de quase 40%. Portanto, o resultado da consulta poderá afetar a permanência da Strategy e da Metaplanet em índices acompanhados por fundos passivos.