Bitcoin supera ouro na razão BTC/XAU em julho

Julho abriu com nova pressão sobre ativos de risco e reacendeu a comparação entre Bitcoin e ouro. No cenário macroeconômico, a volatilidade ganhou força logo no início do mês. Em 8 de julho, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ruiu. Como resultado, o Bitcoin recuou para a região de US$ 62 mil, enquanto o mercado liquidou US$ 300 milhões em posições compradas pouco depois da notícia.

Ao mesmo tempo, o petróleo avançou mais de 4% e retomou o patamar de US$ 75 por barril pela primeira vez desde meados de junho. Mais tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã estaria aberto a uma nova rodada de negociações. Ainda assim, o impacto sobre o apetite por risco já havia atingido os mercados.

Na Polymarket, a probabilidade de o petróleo ser negociado acima de US$ 80 por barril neste mês saltou de 13% para 65%. Dessa forma, os mercados de previsões passaram a refletir uma expectativa mais alta de nova escalada geopolítica e de maior pressão sobre o setor de energia.

Probabilidade de preço do petróleo acima de US$ 80 em julho na Polymarket
Fonte: Polymarket

Choque geopolítico pressiona ativos de risco

Essa mudança de humor também aparece nos indicadores macroeconômicos. Segundo o FedWatch, a probabilidade de alta de juros na próxima reunião do Federal Open Market Committee, o FOMC, subiu para 29,4%. Além disso, esse é o maior nível precificado em mais de um mês. O movimento sugere que os mercados começam a considerar uma postura mais dura do Federal Reserve, já que a alta do petróleo reacende temores inflacionários.

Para o Bitcoin, isso adiciona outra camada de pressão. Leituras on-chain indicam que 50% da oferta de BTC está agora em prejuízo. Em outras palavras, trata-se da deterioração mais acentuada em meses. Com o sentimento já fragilizado, qualquer novo choque macroeconômico pode acelerar a volatilidade para baixo e ampliar um movimento de capitulação mais disseminado.

Nesse ambiente, a relação entre Bitcoin e ouro voltou ao centro do debate. Historicamente, os dois ativos costumam apresentar bom desempenho em julho. Contudo, o pano de fundo agora é mais complexo. A volta das tensões geopolíticas recolocou em primeiro plano a discussão sobre juros mais altos. Assim, investidores passaram a ponderar com mais cuidado entre segurança e risco, em vez de apenas buscar exposição simultânea aos dois ativos.

Sazonalidade mantém BTC/XAU no radar

O histórico sazonal favorece uma leitura mais atenta desse comportamento. Mesmo em ciclos de mercado mais fracos, o Bitcoin entregou retornos relevantes em julho. Em 2018, o BTC avançou 20%. Em 2022, a alta foi de 17%. Agora, o ativo entra no mês após reagir a partir da mínima cíclica de US$ 57 mil. Por isso, o fator sazonal continua no radar dos compradores.

Indicador do Bitcoin em julho segundo dados da CryptoQuant
Fonte: CryptoQuant

O ouro também carrega uma sazonalidade positiva. A Kobeissi Letter apontou no X que o metal precioso registrou ganho médio de 1,5% em julho ao longo dos últimos 20 anos. Com isso, julho aparece como o segundo melhor mês do ano para o ouro. Nesse sentido, com os dois ativos entrando em um mês historicamente favorável, a razão BTC/XAU ganha importância como termômetro do fluxo de capital.

Até aqui, a vantagem segue com o Bitcoin. Do ponto de vista técnico, a relação BTC/XAU já acumula alta superior a 4,5% neste mês. Assim, o indicador mostra que o BTC continua superando o ouro mesmo com o retorno da instabilidade macroeconômica. Em outras palavras, apesar do aumento das incertezas, o mercado ainda não abandonou o Bitcoin em favor do metal.

Razão BTC/XAU pode sinalizar rotação de capital

A questão central agora é saber se esse movimento pode continuar. Se as tensões geopolíticas seguirem elevando o preço do petróleo e as expectativas de alta de juros continuarem avançando, o equilíbrio pode mudar rapidamente a favor do ouro. Nesse cenário, a razão BTC/XAU tende a se tornar um dos sinais mais claros sobre a rotação de capital ao longo de julho.

Até o momento, os dados mostram um quadro misto. O Bitcoin recuou para a faixa de US$ 62 mil após o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Além disso, o mercado registrou liquidação de US$ 300 milhões em posições compradas. Ao mesmo tempo, o petróleo voltou para US$ 75 por barril, a chance de alta de juros no FOMC chegou a 29,4% e a razão BTC/XAU avançou mais de 4,5% no mês.

Por outro lado, o ouro preserva seu histórico sazonal positivo, com ganho médio de 1,5% em julho. Portanto, julho começou com sinais contraditórios para os investidores. Enquanto o Bitcoin ainda mantém vantagem relativa sobre o ouro, o cenário macroeconômico exige atenção redobrada. Afinal, qualquer deterioração adicional no ambiente geopolítico ou monetário pode acelerar uma migração parcial de capital para ativos defensivos.