Bitcoin supera US$ 80 mil apesar da alta dos juros

O Bitcoin superou US$ 80 mil e impulsionou ações ligadas ao mercado de criptomoedas. Enquanto isso, a Nvidia sinalizou forte expansão na demanda por chips de inteligência artificial. Contudo, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos voltaram a 5% e pressionaram o mercado acionário.

No período citado, o Bitcoin avançava cerca de 5,5% em 24 horas, cotado próximo de US$ 80.940. A alta ocorreu apesar do aumento de 25 pontos-base nos juros promovido pelo Federal Reserve. Ainda assim, a decisão elevou a faixa das taxas para 3,75% a 4,00%.

Mercado de criptomoedas acompanha avanço

Como o aumento dos juros já era amplamente esperado, a reação negativa dos mercados permaneceu limitada. Por isso, os ganhos do Bitcoin favoreceram outras criptomoedas durante a sessão. Com isso, investidores voltaram a direcionar recursos para o segmento de ativos digitais.

A Strategy avançou cerca de 12% e liderou os ganhos entre as empresas relacionadas ao setor. Já a Coinbase subiu aproximadamente 10% no mesmo período. Por sua vez, a Robinhood registrou valorização próxima de 8%.

A Strategy mantém uma grande quantidade de Bitcoin em seu balanço, o que amplia sua exposição às oscilações do preço. Assim, suas ações costumam reagir com intensidade aos movimentos da maior criptomoeda. Antes da recuperação, as três empresas haviam recuado devido aos temores sobre os juros e ao revés legislativo.

Senado não avança com o Clarity Act

Nesta semana, o Senado não conseguiu avançar com o Clarity Act. O projeto buscava estabelecer uma estrutura regulatória mais clara para os ativos digitais. Além disso, a proposta pretendia definir as atribuições da SEC e da CFTC.

Ainda assim, o impasse não encerra o processo regulatório nos Estados Unidos. Segundo participantes do setor, as duas agências devem continuar elaborando regras mesmo sem uma nova lei aprovada pelo Congresso. Desse modo, a indústria de criptomoedas permanece sem um marco legal abrangente.

Por enquanto, os reguladores devem utilizar as competências que já possuem para preencher essa lacuna. Nesse cenário, a SEC e a CFTC continuam no centro da definição das regras para o setor. Porém, o texto não detalha quais medidas específicas cada órgão poderá adotar.

Nvidia projeta expansão dos chips de IA

Em paralelo, o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, apresentou uma projeção otimista para a produção de chips. Segundo o executivo, a companhia poderá vender aproximadamente o dobro de unidades em 2027, na comparação com 2026. Com isso, a declaração reforçou as expectativas de crescimento da demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

Estimativas citadas pela Barron’s indicam que a Nvidia poderá vender cerca de 5,09 milhões de GPUs de IA em 2026. A companhia também poderá comercializar dezenas de milhares de racks completos para servidores de inteligência artificial. Nesse sentido, a arquitetura Vera Rubin, CPUs, produtos de rede e outras estruturas devem sustentar a expansão.

No início deste ano, a Nvidia afirmou que a oportunidade de receita com chips de IA poderia alcançar ao menos US$ 1 trilhão até 2027. Esse montante reflete o volume de capital direcionado à computação voltada à inteligência artificial. Portanto, as projeções da empresa dependem da continuidade desses investimentos.

Rendimentos dos Treasuries pressionam ações

Na sexta-feira, o rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos retornou a cerca de 5%. Como resultado, os títulos passaram a competir mais diretamente com as ações pela preferência dos investidores. Consequentemente, as avaliações das empresas negociadas em bolsa sofreram pressão.

Durante a sessão, nove dos 11 setores do S&P 500 registraram queda. Ao mesmo tempo, os mercados enfrentaram o triple witching trimestral, com o vencimento simultâneo de opções de ações, opções de índices e contratos futuros. Esse evento costuma ampliar a volatilidade e o volume de negociações.

Sobretudo, os rendimentos mais elevados afetam com maior intensidade as ações de crescimento. Isso ocorre porque eles aumentam a taxa aplicada ao desconto dos lucros futuros. Em termos práticos, os resultados esperados pelas empresas passam a valer menos no presente.

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