Bitcoin supera US$ 81 mil após liquidação de vendidos

Alta do Bitcoin pressiona posições vendidas

O Bitcoin superou US$ 81 mil em 24 de agosto, em um dos movimentos mais fortes de 2026. A cotação alcançou US$ 81.255 às 22h45, no horário do Leste dos Estados Unidos. Depois, o preço permaneceu acima de US$ 80.500.

Com isso, a capitalização de mercado do Bitcoin se aproximou de US$ 1,62 trilhão. Em 24 horas, a criptomoeda acumulou valorização superior a 4%, conforme os dados de preço do CoinGecko. Os ganhos também ultrapassaram 25% nos períodos de uma e duas semanas.

Ao mesmo tempo, as perdas acumuladas pelo Bitcoin em 2026 recuaram para 8%. Menos de 12 horas antes, o indicador apontava queda de 9,5% no ano.

Liquidações ampliam pressão sobre vendedores

Os traders que apostavam na queda sofreram perdas expressivas durante o avanço. Dados da Coinglass indicaram US$ 282 milhões em liquidações de posições vendidas no período de 24 horas. Esse volume correspondeu a 62% de todas as liquidações registradas no mercado de criptomoedas naquele dia.

Em apenas quatro horas, o mercado liquidou US$ 177 milhões em posições vendidas. No mesmo intervalo, as liquidações de posições compradas somaram US$ 4,5 milhões. Assim, o encerramento forçado das operações vendidas ajudou a acelerar a valorização do Bitcoin.

No entanto, a volatilidade não começou com esse movimento. Em 22 de agosto, o mercado de criptomoedas registrou US$ 550 milhões em liquidações durante uma única hora. O episódio mostrou que os traders já enfrentavam condições instáveis antes da alta.

Recompras do Tesouro reduzem rendimentos

Relatos indicaram que o Tesouro dos Estados Unidos poderia usar os US$ 950 bilhões de sua Conta Geral para financiar recompras de títulos. A perspectiva contribuiu para reduzir os rendimentos desses papéis. A queda dos juros também favoreceu a procura por investimentos com maior risco.

O rendimento dos títulos do Tesouro com prazo de dez anos recuou para 4,704%. Enquanto isso, o retorno dos papéis de 30 anos caiu para 5,234%. A taxa se afastou, portanto, da máxima de várias décadas alcançada na semana anterior.

Em 19 de agosto, o Tesouro informou que dobraria o valor de suas recompras de títulos. Dessa forma, cada operação passaria de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões. A medida ampliou as expectativas de liquidez no mercado financeiro.

Analistas divergem sobre estratégia do Tesouro

Kip Herriage, fundador da Vertical Research Advisory, comentou a estratégia em uma publicação no X. Segundo ele, a pressão sobre fundos vendidos em títulos poderia elevar os preços dos papéis e reduzir os juros. Herriage argumentou que o Tesouro buscava forçar o encerramento dessas posições.

Por outro lado, o investidor Stanley Druckenmiller criticou a abordagem. Ele classificou a iniciativa como uma forma de gestão de preços, em vez de gestão de liquidez. Na avaliação do investidor, intervenções oficiais deveriam ocorrer apenas durante graves rupturas de mercado.

Druckenmiller citou os episódios de março de 2020 e setembro de 2022 como exemplos dessas situações. Ainda assim, outros fatores também contribuíram para a valorização do Bitcoin. Na semana anterior, o presidente Donald Trump realizou um evento sobre criptomoedas na Casa Branca.

Durante o evento, Trump afirmou que os Estados Unidos planejavam comprar grandes volumes de Bitcoin e outros ativos digitais. Também houve aumento da demanda institucional por meio de fundos negociados em bolsa. Desde 17 de agosto, o IBIT, ETF de Bitcoin da BlackRock, registrou mais de US$ 1 bilhão em entradas, conforme dados da Farside Investors.

A inflação dos Estados Unidos continua acima da meta de 2% do Federal Reserve. Contudo, o indicador desacelerou nos últimos meses. Esse cenário mantém as expectativas sobre juros e liquidez entre os principais fatores observados pelo mercado.