Bitcoin sustenta US$92 mil após alta de 0,3% do CPI
O relatório mais recente do Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos trouxe novos sinais para o mercado financeiro. Em dezembro, o CPI-U avançou 0,3% no mês e 2,7% em 12 meses, conforme números divulgados pelo Bureau of Labor Statistics. O setor de moradia voltou a liderar as pressões inflacionárias com alta mensal de 0,4%.

Fonte: bls.gov
No mesmo período, o Bitcoin era negociado próximo de US$92.176,63, registrando avanço de 1,62% em 24 horas. O movimento sinaliza força diante dos dados de inflação, que mantiveram o cenário macroeconômico sob controle.
Efeitos do CPI no comportamento do mercado
O núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, subiu 0,2% em dezembro e alcançou 2,6% no acumulado anual. Isso reforça a expectativa predominante de que o Federal Reserve manterá os juros estáveis na reunião marcada para 29 de janeiro de 2026. Além disso, o relatório oficial destacou que o índice de moradia foi novamente o componente com maior peso no resultado mensal.
“O índice de moradia subiu 0,4% em dezembro e foi o principal fator para o aumento mensal dos preços”, informou o BLS.
As projeções do mercado seguem inclinadas para a manutenção das taxas. No final de dezembro, probabilidades exibidas com base nos dados do CME FedWatch indicavam cerca de 70% de chance de estabilidade na taxa de juros, segundo estimativas mencionadas pela KuCoin. Assim, a leitura do CPI reforçou o cenário de poucas surpresas para investidores atentos à política monetária.
No mercado de derivativos, a percepção se manteve alinhada. Produtos que refletem volatilidade implícita, como o DVOL da Deribit, continuaram indicando ambiente macroeconômico estável. O indicador segue calculado por média ponderada de preços em uma janela de 60 minutos, conforme documentação pública.
Impacto dos dados no setor de cripto
A alta do CPI puxada pela moradia contribui para manter o prêmio de risco elevado. No entanto, o núcleo da inflação dentro das expectativas reduz preocupações sobre uma política monetária mais rígida ao longo de 2026. Portanto, esse equilíbrio tem favorecido o Bitcoin, que tradicionalmente sofre pressão em cenários de juros elevados por longos períodos.
Com a inflação sem grandes surpresas, investidores passaram a focar nos juros reais e nas posições de grandes fundos. Estratégias sistemáticas, dependentes de eventos macroeconômicos inesperados, não receberam novos gatilhos. Além disso, mesas discricionárias seguem tratando o Bitcoin como indicador de apetite por risco em um ambiente de volatilidade moderada, especialmente com o suporte de instrumentos baseados no DVOL.
A manutenção do Bitcoin próximo de US$92 mil após a divulgação do CPI mostra como a combinação entre inflação moderada, expectativa de juros estáveis e volatilidade contida molda o curto prazo do mercado. Portanto, a reunião do Federal Reserve em 29 de janeiro e a próxima divulgação do CPI, marcada para 11 de fevereiro de 2026, permanecem entre os eventos mais aguardados pelos investidores. Esses dados podem influenciar de maneira significativa o comportamento do Bitcoin e o direcionamento dos principais ativos de risco.