Bitcoin tem menor correlação com ações desde 2022
Bitcoin mostra o seu menor nível de correlação com o índice S&P 500 desde novembro de 2022, segundo novos dados da Santiment. O comportamento reforça uma dissociação crescente entre o mercado cripto e ativos tradicionais. Além disso, o movimento ocorre após meses de queda no preço do ativo, que voltou a ser negociado abaixo de US$ 70.000.
Afastamento entre Bitcoin e o S&P 500 ganha força
Historicamente, o Bitcoin apresenta algum alinhamento com o mercado acionário, principalmente com o S&P 500. No entanto, a Santiment apontou que essa relação se enfraqueceu de forma mais intensa nos últimos meses. Enquanto o Bitcoin acumulou desvalorização significativa no semestre, o S&P 500 avançou cerca de 7% no mesmo período, mostrando caminhos opostos entre os dois mercados.
O gráfico divulgado pela empresa ilustra a ampla divergência nas trajetórias de preço.
BTC segue trajetória diferente das ações. Fonte: Santiment no X
A última vez em que o Bitcoin se afastou tanto do mercado de ações ocorreu durante o colapso da FTX, em 2022. Naquela época, a ruptura da corretora gerou um choque direto nos preços do ativo. Contudo, o afastamento não durou muito, diferente do cenário atual, que permanece estável há semanas. Além disso, enquanto o S&P 500 segue firme, o ouro registra desempenho positivo, criando um cenário ainda mais incomum para a correlação histórica do BTC.
A Santiment afirma que esse tipo de ruptura tende a não durar indefinidamente. Portanto, a expectativa da empresa é que a correlação volte ao padrão histórico em algum momento, como ocorreu repetidas vezes no passado.
Queda de correlação também atinge a relação entre Bitcoin e ouro
O ouro, ativo visto como reserva de valor tradicional, também deixou de caminhar lado a lado com o Bitcoin. Dados de Ki Young Ju, da CryptoQuant, indicam que a correlação de 90 dias entre os dois ativos entrou em território negativo, algo raro nos últimos anos.
Correlação entre BTC e ouro enfraquece. Fonte: @ki_young_ju no X
Entre 2022 e grande parte de 2025, a correlação entre ambos permaneceu positiva. Assim, o padrão reforçava a ideia de que os dois ativos reagiam de maneira semelhante a pressões macroeconômicas. No entanto, desde o fim de 2025, a correlação caiu para níveis negativos, indicando movimentos opostos. Ki Young Ju afirmou que o Bitcoin vive um período de não ser ouro digital.
Preço do Bitcoin e impacto da dissociação de mercados
No momento da publicação, o Bitcoin era negociado perto de US$ 66.000, com leve queda semanal. Apesar disso, o gráfico aponta recuperação parcial após o recuo mais recente.
Movimento recente mostra tentativa de recuperação. Fonte: TradingView
No curto prazo, os dados de Santiment e CryptoQuant reforçam a forte divergência entre o Bitcoin e ativos tradicionais como ações e ouro. Além disso, o distanciamento ocorre em meio a quedas relevantes no mercado cripto, enquanto os mercados tradicionais se mantêm mais estáveis. Assim, o comportamento atual pesa diretamente nas métricas de correlação e levanta dúvidas sobre quando o BTC voltará ao seu padrão histórico.