Bitcoin tem pior 1º tri desde 2018, CoinGlass
O Bitcoin iniciou 2026 sob forte pressão e acumulou queda de 23,21% no primeiro trimestre. O desempenho figura entre os mais fracos desde 2018, o que reforça a cautela no curto prazo. Ainda assim, o histórico do ativo sugere possível recuperação ao longo do segundo trimestre, mantendo investidores atentos.
Queda no primeiro trimestre chama atenção
Dados da CoinGlass indicam que o Bitcoin perdeu cerca de US$ 20.500 em valor ao longo do trimestre. Em outras palavras, trata-se de um dos piores inícios de ano desde que há registros mais consistentes do mercado.

Fonte: CoinGlass
No começo de 2026, o ativo era negociado entre US$ 87.500 e US$ 88.700 e chegou a testar níveis próximos de US$ 97.000. No entanto, perdeu força gradualmente e passou a oscilar entre US$ 66.700 e US$ 68.400 no fim de março.
Além disso, o resultado ficou bem abaixo da média histórica do primeiro trimestre, frequentemente positiva. Mesmo quando comparado à mediana levemente negativa observada em alguns anos, o desempenho atual indica deterioração relevante.
Esse movimento ocorre após o Bitcoin atingir máxima histórica acima de US$ 126.000 em outubro de 2025. Desde então, a desvalorização acumulada se aproxima de 47%, o que sugere um ciclo corretivo mais amplo.
Desvio do padrão histórico
Historicamente, o primeiro trimestre tende a ser favorável ao Bitcoin. Contudo, em 2026, o comportamento destoou desse padrão. Por conseguinte, analistas passaram a revisar expectativas de curto prazo diante da combinação de fatores técnicos e macroeconômicos.
Ao mesmo tempo, o cenário reflete não apenas dinâmicas internas do mercado cripto, mas também pressões externas. Dessa forma, o ambiente atual exige maior cautela na leitura de tendência.
ETFs e cenário macro pressionam o Bitcoin
Entre os principais vetores de queda, destacam-se os fluxos negativos nos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos. Nas primeiras oito semanas de 2026, esses produtos registraram saídas líquidas próximas de US$ 4,5 bilhões, configurando uma sequência relevante desde o lançamento em janeiro de 2024.
A maior parte das retiradas ocorreu após o fim de janeiro. Nesse contexto, os fundos IBIT, da BlackRock, e FBTC, da Fidelity, lideraram os resgates. Por outro lado, entradas iniciais próximas de US$ 1,8 bilhão foram rapidamente revertidas.
Além disso, fatores macroeconômicos ampliaram a pressão. Tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã elevaram os preços do petróleo e aumentaram a aversão global ao risco. Ao mesmo tempo, a inflação persistente manteve o Federal Reserve cauteloso, o que sustenta uma política monetária restritiva.
Como resultado, ativos de maior risco, como o Bitcoin, reagiram negativamente. Esse comportamento reforça a crescente correlação com mercados tradicionais em momentos de estresse.
Correlação com mercados tradicionais
Durante o trimestre, o Bitcoin acompanhou movimentos de ativos tradicionais diante das incertezas globais. Portanto, embora mantenha características próprias, o ativo tende a seguir o fluxo de liquidez em cenários adversos.
Histórico aponta possível reação no segundo trimestre
Apesar do desempenho recente, dados históricos indicam que o segundo trimestre pode ser mais positivo. Desde 2013, períodos de queda no primeiro trimestre foram, em vários casos, seguidos por recuperação.
Em média, o segundo trimestre registra valorização próxima de 28%. Ainda assim, a mediana, mais conservadora, gira em torno de 7%, especialmente quando se excluem anos atípicos.
Além disso, sinais recentes sugerem melhora gradual no fluxo institucional. Em março de 2026, os ETFs spot voltaram a registrar entradas líquidas, totalizando cerca de US$ 1,32 bilhão, no melhor resultado desde outubro de 2025.
Esse movimento pode indicar mudança de sentimento. No entanto, fatores macroeconômicos seguem no radar. Decisões do Federal Reserve e tensões geopolíticas continuam com potencial de influenciar diretamente o mercado.
O que observar nos próximos meses
Em suma, o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por forte correção, impulsionada por saídas de capital e incertezas macroeconômicas. Por outro lado, o histórico do segundo trimestre e a retomada parcial dos fluxos institucionais oferecem um contraponto relevante.
Assim, o comportamento do Bitcoin nos próximos meses dependerá tanto da evolução do cenário global quanto da consistência na entrada de capital no setor.