Bitcoin tenta romper cruz da morte e retoma força
O Bitcoin iniciou o ano em meio a forte volatilidade global após a operação que removeu Nicolás Maduro de seu complexo em Caracas. O episódio elevou a tensão nos mercados e impulsionou movimentos bruscos em diversos ativos. Além disso, ouro e S&P 500 registraram avanços, enquanto a principal criptomoeda do mercado voltou a se aproximar de uma zona técnica decisiva.
O ativo opera perto de US$ 93.900 e esse avanço colocou o preço acima da média móvel exponencial de 200 dias pela primeira vez desde outubro. Esse comportamento mostrou força compradora moderada, porém suficiente para reacender o debate sobre a possível saída da formação conhecida como cruz da morte.
Mercado busca direção em meio à instabilidade global
O movimento ocorre após um período complicado para o Bitcoin. Embora 2024 tenha encerrado com alta superior a 100% e novos recordes acima de US$ 100 mil, 2025 começou com queda acumulada de 6%. Parte desse recuo veio da realização de lucros após a confirmação da posse de Donald Trump, cujas políticas pró-cripto já estavam precificadas. No entanto, tensões internacionais aumentaram a cautela dos investidores.
Ouro e prata tiveram seus melhores resultados desde 1979, enquanto o Bitcoin encontrou dificuldade para sustentar níveis acima de US$ 90 mil. Assim, o cenário de incerteza após a prisão de Maduro trouxe pressão sobre o petróleo e incentivou uma busca maior por ativos defensivos. Ainda assim, parte da comunidade cripto vê na instabilidade um lembrete do propósito da moeda digital, considerada resistente a controle estatal.
Rompimento da compressão fortalece a recuperação técnica
Nas últimas semanas, o Bitcoin permaneceu preso entre US$ 85.000 e US$ 90.000, formando uma compressão relevante. Contudo, o rompimento dessa zona ocorreu com um candle diário forte, sem pavios longos, indicando domínio comprador. A reconquista da média móvel exponencial de 200 dias é um marco importante, pois ela costuma separar contextos altistas de baixistas.
No entanto, apesar da melhora, a média móvel exponencial de 50 dias segue abaixo da de 200 dias. Esse cruzamento forma a cruz da morte, apontando que o mercado ainda exige cautela. Além disso, alguns indicadores técnicos começam a refletir um possível alívio para o preço.
O Índice Direcional Médio (ADX), em 21,3, indica fraqueza na tendência de baixa. Valores abaixo de 25 sugerem um mercado lateral, mais suscetível a falsos rompimentos. Portanto, o cenário ainda pede atenção. Já o Índice de Força Relativa (RSI), em 65,6, aponta aumento do momentum comprador sem entrar em sobrecompra, o que reduz o risco de correções imediatas.
Caso o ativo consiga se manter acima de US$ 95.000 e o ADX apresente fortalecimento, o Bitcoin pode se afastar da cruz da morte. Assim, abre espaço para a formação de um possível golden cross, quando a EMA de 50 dias cruza acima da EMA de 200 dias.
O avanço atual reflete como tensões geopolíticas e sinais técnicos influenciam rapidamente o comportamento do mercado. Portanto, a recuperação acima da média de longo prazo sugere melhora, enquanto os padrões das médias móveis lembram que o equilíbrio entre retomada e cautela permanece sensível.