Bitcoin testa fundo com análises da VanEck e 10x Research
O Bitcoin opera muito abaixo do recorde registrado em outubro de 2025. Após alcançar US$ 126.198, a cotação ficou perto de US$ 63.600 em meados de agosto.
Ao mesmo tempo, a capitalização total do mercado cripto caiu de US$ 4,27 trilhões no pico para cerca de US$ 2,19 trilhões. Esse patamar predominou nas últimas semanas, embora possa variar conforme a fonte e o momento da medição.
Apesar da queda e da baixa volatilidade, a teoria dos ciclos aponta uma fase potencialmente relevante. Esse modelo divide a trajetória do Bitcoin em períodos de aproximadamente quatro anos e adota o halving como referência. A cotação acumula 69 dias de consolidação lateral, movimento que pode interessar a investidores de longo prazo.
Mercado avalia possível fundo do ciclo
Alguns analistas avaliam que o Bitcoin pode estar perto de formar um fundo no ciclo atual. Nos ciclos anteriores, o preço alcançou a mínima cerca de 12 meses após o pico do mercado de alta. Contudo, o desempenho passado não garante a repetição desse padrão.
Outros especialistas acreditam que o Bitcoin já pode ter estabelecido seu piso. Nesse contexto, o analista BitBull destacou que o gráfico arco-íris voltou a chamar atenção por posicionar o Bitcoin nas faixas inferiores de avaliação.
“O gráfico arco-íris do Bitcoin está ficando interessante novamente. O BTC está próximo das faixas inferiores de avaliação, e não das zonas superaquecidas que costumamos ver perto dos topos de ciclo.”
A VanEck considera que a queda da máxima próxima de US$ 126.000 até a região de US$ 57.000 não indica, necessariamente, um colapso estrutural. Para a gestora, o recuo se encaixa nas fases de baixa que historicamente sucederam os halvings no ciclo de quatro anos.
Markus Thielen, fundador da 10x Research, também afirmou que o Bitcoin pode estar perto de confirmar um fundo baixista. Conforme o analista, o sinal ganharia relevância se o BTC fechasse agosto acima de US$ 63.000.
Liquidez e juros podem ampliar a correção
Além dos padrões históricos, o cenário macroeconômico deve determinar a extensão da correção. Algumas análises apontam US$ 55.000 ou menos como possível zona de valor profundo, dependendo da liquidez nas próximas semanas.
Já as projeções mais pessimistas consideram um fundo entre US$ 40.000 e US$ 50.000. Atualmente, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em 30 anos pressionam os mercados de risco.
Esses rendimentos superaram 5,2% e alcançaram níveis não vistos desde 2001. Paralelamente, persistem expectativas de novas altas de juros pelo Federal Reserve. Esse fator pode influenciar a direção do mercado nos próximos meses.
Altcoins enfrentam pressão mais intensa
As altcoins sofreram a maior pressão durante a correção atual, segundo diferentes indicadores. Os ciclos anteriores mostram que mais de oito em cada dez altcoins não recuperam suas máximas históricas.
A inflação da oferta, a mudança constante de narrativas e a falta de utilidade ajudam a explicar esse comportamento. Em contrapartida, as principais exceções costumam reunir desenvolvimento contínuo, receitas reais, redes ativas e tokenômica sustentável.
O comportamento do Ethereum também tem relevância para essa análise. O ETH atingiu uma mínima de vários anos em abril de 2025, e sua trajetória pode ganhar importância caso o ambiente macroeconômico mude.
Se a contração monetária der lugar a uma fase de expansão, as altcoins poderão apresentar retornos melhores. Esse cenário pode surgir caso a inflação dos Estados Unidos continue caindo e os juros comecem a recuar.
Embora o Bitcoin tenha registrado máximas históricas no ano passado, o mercado geral de altcoins não viveu uma alta comparável aos ciclos anteriores. Anos de condições monetárias restritivas e aperto quantitativo ajudam a explicar esse quadro.
Uma fase global de maior liquidez poderia mudar o cenário. Porém, se o Bitcoin buscar os suportes mais baixos, Ethereum e outras altcoins poderão sofrer novas correções antes de formar um piso definitivo.
Capitalização do mercado permanece em consolidação
Nos gráficos mensais, a capitalização total do mercado cripto ocupa uma das zonas técnicas mais baixas do ciclo. O indicador permanece abaixo da média móvel exponencial de 50 períodos, a EMA 50. Ainda assim, essa condição não confirma um fundo definitivo.
Os gráficos semanal e diário mostram uma área clara de consolidação. Como a volatilidade permanece baixa, o mercado pode se aproximar de um movimento mais amplo em qualquer direção.
No gráfico semanal, o Índice de Força Relativa, conhecido como RSI, apresenta uma divergência altista relevante. Entretanto, um padrão semelhante a uma bandeira de baixa mantém aberto o risco de queda para níveis inferiores. No diário, o mercado já invalidou as divergências anteriores.

Análise dos gráficos da capitalização total do mercado de criptomoedas. Fonte: TradingView.
Resistências e suportes da capitalização total
Entre as resistências, a faixa de US$ 2,25 trilhões a US$ 2,29 trilhões exige superação e fechamento semanal acima dela. Esse movimento poderia sinalizar um rompimento de alta.
Uma reversão mais sólida dependeria da recuperação da EMA 200, atualmente perto de US$ 2,41 trilhões. Nesse caso, o mercado precisaria sustentar fechamentos acima desse nível.
Do lado dos suportes, a zona entre US$ 2,02 trilhões e US$ 2,19 trilhões concentra rebotes importantes e funciona como o principal piso atual. Caso o mercado rompa essa faixa, US$ 1,69 trilhão representa o suporte seguinte. O nível fica próximo das mínimas de agosto de 2024.
O RSI perto de 50 pontos indica uma condição neutra. O gráfico diário não apresenta divergências relevantes, enquanto o semanal ainda preserva sinais de divergência altista.