Bitcoin: US$ 50 mil segue no radar antes do fundo

O Bitcoin ainda pode não ter encerrado sua fase de capitulação, apesar dos sinais de convicção entre investidores de longo prazo. Ainda assim, esse comportamento costuma reforçar a leitura de força estrutural em ambientes de aversão a risco. A combinação entre perdas acumuladas, grande parcela da oferta em prejuízo e cenário macroeconômico mais rígido mantém aberta a possibilidade de queda adicional até US$ 50 mil.

Do ponto de vista técnico, o ativo registrou três trimestres consecutivos de perdas, com recuo médio de cerca de 20% em cada período. Trata-se da primeira sequência de três trimestres negativos desde o mercado de baixa de 2022. Como resultado, mais de 50% da oferta circulante está abaixo do preço de compra. Esse quadro coloca os detentores de longo prazo no centro da análise para o segundo semestre de 2026.

Detentores de longo prazo sustentam a estrutura

Segundo os dados citados, os detentores de longo prazo controlam 78% da oferta circulante do Bitcoin. Em termos práticos, uma parcela relevante das moedas em prejuízo está nas mãos de investidores que mantêm BTC há mais de cinco meses. Além disso, esse grupo atravessou tanto a alta até o recorde histórico de US$ 126 mil quanto a correção posterior para a faixa de US$ 60 mil.

Esse ponto importa porque esses investidores não vêm vendendo em meio à fraqueza do mercado. Pelo contrário, eles continuam absorvendo a pressão de venda. Apesar da correção recente, a oferta em posse de detentores de longo prazo atingiu máxima histórica em junho. Portanto, a leitura predominante segue mais próxima de acumulação do que de saída.

Oferta de Bitcoin em posse de detentores de longo prazo
Fonte: CryptoQuant

Historicamente, o Bitcoin costuma formar fundo quando os detentores de longo prazo finalmente capitulam. Neste ciclo, contudo, a dinâmica ainda parece diferente. Em outras palavras, a ausência dessa capitulação final sustenta a hipótese de que o mercado talvez ainda não tenha passado pelo último estágio de limpeza.

Ao mesmo tempo, esse grupo tende a reagir ao ambiente macroeconômico, já que costuma ajustar posições com base na perspectiva econômica mais ampla. Por isso, a resistência demonstrada até aqui pode enfrentar novo teste nos próximos meses, sobretudo se as condições financeiras ficarem mais apertadas.

Capitulação ainda pode continuar

Se a pressão macro continuar aumentando, a convicção dos detentores de longo prazo pode enfraquecer. Nesse sentido, a permanência desse grupo como principal suporte da oferta ajuda a explicar por que muitos analistas ainda monitoram uma baixa adicional. Assim, a região de US$ 50 mil segue no radar como possível zona de estresse antes de uma estabilização mais firme.

Pressão macro pode definir o próximo movimento

O pano de fundo macro ganhou relevância com a mudança nas expectativas para as próximas reuniões do Federal Open Market Committee. Para julho, o mercado passou a projetar 77% de probabilidade de manutenção dos juros e 23% de chance de alta de 25 pontos-base. Já para setembro, o quadro ficou mais dividido.

As precificações indicam 41% de probabilidade de manutenção, 47% de chance de alta de 25 pontos-base e 10,5% de possibilidade de elevação de 50 pontos-base. Ou seja, os agentes de mercado passaram a se preparar para condições monetárias mais rígidas no outono do hemisfério norte, em vez dos cortes de juros esperados anteriormente por muitos investidores.

Gráfico de preço do Bitcoin
Fonte: TradingView

Essa mudança torna os mercados de baixa anteriores uma referência útil. De acordo com o gráfico mencionado na análise, tanto o ciclo de 2018 quanto o de 2022 só encontraram fundo depois de nove velas mensais consecutivas no vermelho. No ciclo atual, já são sete meses negativos. Se esse padrão histórico se repetir, a capitulação do Bitcoin ainda pode ter espaço para continuar antes de um fundo mais consistente.

US$ 50 mil segue como cenário possível no trimestre

Nesse contexto, a expansão do número de detentores de longo prazo em prejuízo se cruza com um ambiente macro mais incerto. Caso o mercado siga roteiro semelhante ao dos ciclos anteriores, a capitulação desse grupo poderia marcar a etapa final de limpeza. Esse movimento poderia empurrar o BTC para a região de US$ 50 mil até o fim do terceiro trimestre, antes de uma estabilização mais firme.

Os dados destacados mostram que os detentores de longo prazo já controlam 78% da oferta circulante, enquanto mais de 50% das moedas estão em prejuízo. Além disso, o ciclo atual soma sete meses consecutivos de queda, contra nove nos fundos de 2018 e 2022. Em paralelo, as apostas para as reuniões de julho e setembro do Federal Open Market Committee indicam maior chance de aperto monetário. Por consequência, a região de US$ 50 mil permanece como ponto sensível para o Bitcoin.