Bitcoin: US$ 59.800 vira suporte com ETFs e Strategy
O Bitcoin voltou a negociar perto de US$ 63 mil, mesmo após forte absorção de oferta por ETFs à vista e pela Strategy, antiga MicroStrategy. Agora, analistas avaliam se o movimento aponta para uma distribuição mais profunda ou apenas para uma correção de curto prazo.
O recuo do Bitcoin reacendeu o debate sobre a força da pressão vendedora. Ainda assim, o ativo retornou a uma faixa de preço vista em março de 2024, apesar das compras expressivas por ETFs à vista e pela Strategy. Dessa forma, o mercado passou a questionar se a demanda institucional ainda consegue sustentar níveis mais altos.
Preço retorna a uma zona decisiva do ciclo
Leituras recentes indicam que o Bitcoin voltou a circular em uma região já observada em março de 2024. Além disso, o movimento ganhou relevância porque ocorreu em meio a fluxos institucionais relevantes.
Em publicação no X, Ki Young Ju afirmou que a fase atual “parece uma mudança massiva de mãos”. A expressão se refere à transferência de moedas de investidores antigos para novos compradores durante um período de atividade intensa. Segundo ele, o custo médio de aquisição dos investidores de Bitcoin está em torno de US$ 53 mil. Ademais, o analista lembrou que, historicamente, mercados de baixa terminaram apenas depois de o preço cair abaixo do preço realizado.
“Essa fase de distribuição parece uma mudança massiva de mãos.
O custo médio dos investidores de Bitcoin está em torno de US$ 53 mil.
Historicamente, os mercados de baixa só terminaram depois que o preço caiu abaixo do preço realizado. Eu pensava que seria difícil revisitar esse nível, dado o fluxo institucional…”
@ki_young_ju no X
Esse patamar de US$ 53 mil passou a receber mais atenção à medida que a ação do preço perdeu força. Nesse sentido, traders avaliam se a demanda institucional continuará suficiente para manter o Bitcoin acima de níveis importantes do ciclo anterior.
Absorção de oferta não conteve a pressão vendedora
Os dados citados por analistas indicam que a Strategy comprou 711.206 BTC desde janeiro de 2023 e vendeu apenas 32 BTC no período. Com isso, a leitura apresentada aponta uma retirada líquida de 711.174 BTC da circulação ativa. Portanto, esse número ganhou peso no debate sobre a oferta disponível de Bitcoin no mercado.
Além disso, os ETFs à vista teriam absorvido 509.102 BTC desde março de 2024. No mesmo intervalo, a própria Strategy teria adquirido 650.706 BTC. Em outra contagem agregada citada no debate, ETFs e Strategy teriam absorvido 1.240.808 BTC.
No entanto, o preço do Bitcoin retornou para a região de US$ 63 mil. Para efeito de comparação, a análise citou reservas em corretoras próximas de 2,7 milhões de BTC, bem como a estimativa de cerca de 1 milhão de BTC atribuídos a Satoshi Nakamoto. Assim, a leitura dominante é que a absorção de um volume superior ao saldo estimado do criador do Bitcoin não bastou para impulsionar novos avanços de preço.
Esse contraste entre retirada de oferta e fraqueza na cotação reforça a atenção sobre a pressão vendedora atual. Afinal, se compras institucionais dessa magnitude não sustentaram a valorização, o mercado pode enfrentar uma distribuição mais ampla entre participantes.
Analistas monitoram risco de nova perna de baixa
Em outra análise técnica publicada no X, Crypto Patel afirmou que o Bitcoin caiu 26%, de US$ 82.800 para US$ 61.350. Segundo ele, a faixa entre US$ 80 mil e US$ 82 mil já havia sido indicada em 9 de maio como uma zona de forte resistência. Posteriormente, o mercado perdeu força a partir desse nível.
“Atualização do lucro no BTC: acertei de novo. Queda limpa de 26%, exatamente como avisei.
Em 9 de maio, eu disse que US$ 80 mil a US$ 82 mil eram uma resistência forte e que iríamos mais para baixo. A maioria ouviu os otimistas exagerados. Agora, o BTC tocou US$ 61.350, queda de 26% a partir de US$ 82.800.”
@CryptoPatel no X
Apesar da correção, o analista afirmou que segue otimista com o Bitcoin no longo prazo. Contudo, no curto prazo, ele destacou que uma recuperação mais forte pode não começar antes do fim da atual fase de baixa.
O ponto central observado por ele é o nível de quebra de estrutura em US$ 59.800, chamado de “linha na areia”. Caso o Bitcoin rompa esse suporte de forma clara, o cenário técnico poderá abrir espaço para alvos mais baixos. Entre eles, Crypto Patel citou preços abaixo de US$ 50 mil e até a região de US$ 40 mil.
Faixa entre US$ 40 mil e US$ 60 mil entra no radar
Crypto Patel acrescentou que consideraria a faixa entre US$ 40 mil e US$ 60 mil uma zona de acumulação lenta. Ainda assim, ele ressaltou que se trata apenas de análise técnica, não de recomendação financeira.
No momento, o mercado testa o equilíbrio entre absorção robusta de oferta e oferta vendedora persistente. De um lado, os números envolvendo ETFs à vista e Strategy mostram retirada relevante de BTC do mercado. Por outro lado, o retorno do preço para a área de US$ 63 mil e a vigilância sobre o suporte em US$ 59.800 mostram que os vendedores seguem ativos.
Desse modo, três referências continuam no centro das atenções: o custo médio próximo de US$ 53 mil citado por Ki Young Ju, a queda de 26% desde US$ 82.800 apontada por Crypto Patel e a absorção de 1.240.808 BTC atribuída a ETFs e à Strategy. Enquanto esses níveis permanecerem em disputa, o suporte em US$ 59.800 tende a orientar a leitura técnica do Bitcoin.