Bitcoin: VanEck alerta para risco da computação quântica

O avanço da computação quântica pode representar um risco futuro para o Bitcoin. Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, afirmou que a comunidade reconhece a dimensão do desafio. Segundo ele, desenvolvedores e empresas já avaliam caminhos tecnológicos para reforçar a resistência do protocolo. Ainda assim, o modelo descentralizado de governança pode tornar esse processo mais demorado.

Sigel abordou o tema durante uma entrevista à CNBC, na sexta-feira. Para o executivo, o risco existe, embora computadores quânticos ainda não consigam romper a proteção do Bitcoin. Dessa forma, especialistas e participantes do ecossistema já discutem possíveis atualizações. A preparação para um cenário pós-quântico, portanto, começa antes do surgimento de uma ameaça prática.

Rede avalia proteções para um cenário pós-quântico

Parte da comunidade vem alertando para os possíveis efeitos de computadores quânticos mais avançados. Em tese, essas máquinas poderiam quebrar a cripto que protege transações e fundos na rede. No entanto, ainda não existe um computador com capacidade suficiente para executar esse tipo de ataque. O risco permanece hipotético, mas exige planejamento técnico de longo prazo.

Computadores quânticos já funcionam em ambientes de pesquisa, porém ainda apresentam taxas elevadas de erro. Atualmente, esses sistemas não possuem a estabilidade necessária para comprometer a proteção criptográfica do Bitcoin. Enquanto isso, a rede opera de forma descentralizada e depende do consenso entre diferentes participantes. Por isso, qualquer mudança relevante precisa passar por análise, testes e aceitação da comunidade.

 

Alguns participantes do setor, incluindo desenvolvedores do Bitcoin, já testam assinaturas resistentes à computação quântica em sidechains ativas. Esses experimentos buscam preparar a infraestrutura para um possível cenário pós-quântico. Assim, o debate deixou de envolver apenas projeções teóricas e passou a incluir testes técnicos. As experiências também ajudam os desenvolvedores a avaliar limitações antes de propor mudanças no protocolo principal.

“É um risco, mas a comunidade reconheceu a dimensão da questão. Muitos talentos se uniram com uma estrutura sobre como atualizar o sistema.”

Governança descentralizada torna atualizações mais lentas

Sigel afirmou que as atualizações não avançam rapidamente porque o Bitcoin não possui um diretor-executivo. Nenhuma liderança central pode ordenar que os desenvolvedores implementem uma mudança imediata. Em vez disso, a rede segue um processo de governança baseado na avaliação dos participantes. Na prática, esse modelo exige mais tempo e pode elevar a complexidade das decisões.

Contudo, o executivo destacou que existem caminhos tecnológicos para ampliar a resistência quântica. Na avaliação dele, o mercado deve acompanhar novos avanços nessa frente durante os próximos anos. Apesar da lentidão, a descentralização não impede a evolução técnica da rede. Com isso, a coordenação entre pesquisadores, desenvolvedores e empresas ganha importância crescente.

“Há um processo de governança: ele leva mais tempo e é um pouco mais complexo, mas existem caminhos tecnológicos para a resistência quântica. Acho que veremos mais disso nos próximos anos.”

Empresas apoiam pesquisas e novas assinaturas

Grandes empresas do setor também procuram soluções, incluindo a Coinbase e a Blockstream. A Coinbase é a maior exchange de criptomoedas dos Estados Unidos. Em julho, a empresa informou que planeja oferecer um sistema de assinaturas pós-quânticas com enclaves seguros e cripto de limiar. A proposta pretende criar uma camada de assinatura preparada para computadores quânticos.

Também em julho, um Consórcio de Segurança do Bitcoin reuniu BlackRock, Fidelity Digital Assets, Block e outras participantes. O grupo financia trabalhos de código aberto e direciona engenheiros para propostas como a BIP-360. Nesse sentido, a iniciativa pretende introduzir um novo tipo de saída de transação. A mudança busca reduzir riscos relacionados à exposição prolongada diante da computação quântica.

O debate combina uma ameaça ainda hipotética com medidas concretas de preparação. Embora nenhuma máquina consiga quebrar hoje a cripto do Bitcoin, empresas e desenvolvedores já investem em testes e propostas. Desse modo, a comunidade pode avaliar alternativas antes que computadores quânticos representem uma ameaça efetiva. A velocidade das mudanças dependerá, sobretudo, do consenso entre os participantes da rede.
 

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