Bitcoin: venda líquida na CME supera compra na Coinbase

Em 25 de agosto, fundos alavancados mantinham posição líquida vendida equivalente a 41.252 BTC nos futuros de Bitcoin da CME. O dado reúne contratos padrão e Micro. Já a mesma categoria somava posição líquida comprada de apenas 151 BTC no contrato nano perpétuo da Coinbase.

O levantamento da CFTC evidencia uma diferença de escala, não uma divisão equilibrada entre apostas direcionais. Portanto, a disparidade pode ganhar relevância durante um movimento de desalavancagem forçada. Contudo, os números não revelam sozinhos a estratégia adotada pelos investidores.

CME concentra a maior exposição em futuros de Bitcoin

Ao todo, o relatório apontou 118.267 BTC equivalentes em contratos abertos nos dois produtos da CME. Em contrapartida, a Coinbase registrava 2.322 BTC. Com isso, a exposição da CME era cerca de 51 vezes maior por essa métrica.

Além disso, a posição líquida vendida dos fundos alavancados na CME superava em aproximadamente 272 vezes a compra líquida na Coinbase. Nesse caso, o mercado nano da corretora não oferecia um contrapeso equivalente. Logo, a maior concentração de exposição permanecia na CME.

Segundo as especificações da CME, cada contrato padrão de futuros de Bitcoin representa 5 BTC. Por sua vez, cada contrato Micro equivale a 0,1 BTC. Os fundos alavancados estavam líquidos vendidos em 8.114 contratos padrão, correspondentes a 40.570 BTC.

Na modalidade Micro, os fundos acumulavam venda líquida de 6.821 contratos, ou 682,1 BTC. Assim, os dois produtos somavam aproximadamente 41.252 BTC em posição líquida vendida. A diferença de escala também aparecia na comparação com o produto da Coinbase.

Conforme as especificações do produto, cada contrato nano perpétuo da Coinbase representa 0,01 BTC. Desse modo, a compra líquida de 15.162 contratos correspondia a cerca de 151,6 BTC. O saldo refletia 1.195 BTC em compras brutas e 1.043 BTC em vendas brutas.

No entanto, a posição líquida não informa a alavancagem bruta nem os níveis de liquidação na Coinbase. Por isso, o indicador permite comparar a escala, mas não antecipar sozinho a intensidade de eventuais liquidações.

Posição vendida aumentou durante a semana

Entre 18 e 25 de agosto, o posicionamento da CME avançou de forma material para o lado vendedor. Nos contratos padrão, o saldo líquido vendido cresceu 3.295 BTC. Ao mesmo tempo, os contratos Micro adicionaram outros 777 BTC à posição líquida vendida.

Dessa forma, a mudança combinada apresentou viés baixista equivalente a 4.072 BTC. Ainda assim, esse movimento não permite classificar as posições como uma aposta direta na queda do Bitcoin. As estratégias podem incluir proteções e operações realizadas em diferentes mercados.

As notas metodológicas da CFTC não relacionam as contas reportadas com posições de Bitcoin à vista. Elas também não conectam esses contratos a participações em ETFs ou proteções mantidas em outras plataformas. Consequentemente, o relatório não apresenta toda a estrutura das operações.

Sem dados correspondentes de 25 de agosto sobre a base da CME, o retrato não separa vendas direcionais de estratégias cash-and-carry. Da mesma forma, a taxa de financiamento da Coinbase seria necessária para avaliar a pressão no contrato perpétuo. Outros tipos de hedge também podem influenciar os números.

Desmonte depende da outra ponta das operações

Se as vendas na CME representarem posições direcionais sem cobertura, um aperto pode forçar compras de futuros em grande escala. Nesse cenário, a demanda potencial superaria amplamente a posição líquida comprada da Coinbase. Por outro lado, uma operação protegida pode produzir efeitos diferentes sobre o preço.

Uma estratégia de base costuma combinar a venda de futuros com a compra de Bitcoin à vista ou de exposição a ETFs. Quando ocorre o desmonte, o investidor compra os futuros vendidos e vende a segunda ponta da operação. Assim, a venda de Bitcoin ou de exposição a ETFs pode compensar parte da pressão compradora nos futuros.

A Coinbase ainda pode registrar liquidações específicas em sua plataforma. Contudo, seus 151 BTC líquidos não equilibram a posição muito maior observada na CME. Portanto, a exposição líquida indica onde existe maior concentração, mas não determina a direção do impacto sobre o mercado.

Fluxos de ETFs limitam a leitura temporal

Os fluxos de ETFs de Bitcoin também restringem a comparação temporal. Dados da Farside mostram que os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos receberam US$ 1,12 bilhão entre 24 e 27 de agosto. Em seguida, esses fundos registraram saídas de US$ 201 milhões em 28 de agosto.

Apesar da reversão, as cinco sessões permaneceram positivas em US$ 924 milhões. Entretanto, o levantamento da CFTC usa como corte o dia 25 de agosto. Ele não incorpora integralmente as entradas posteriores nem a saída registrada na sexta-feira.

Uma confirmação de desmonte exigirá a próxima atualização das posições da CFTC. A análise também dependerá da base da CME, do financiamento da Coinbase e dos fluxos de ETFs. Até lá, a diferença mostra onde está a maior exposição, mas não esclarece se ela representa uma aposta sem cobertura ou uma estratégia de proteção.