Bitcoin volta a US$ 86 mil com demanda de ETFs

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O Bitcoin recuperou o patamar de US$ 86 mil na manhã de 2 de outubro. A retomada coincidiu com a volta dos fluxos positivos aos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Além disso, a cobertura de posições vendidas pode ter acelerado a alta antes do relatório de empregos americano.

Às 8h40 UTC, o Bitcoin era negociado a US$ 86.325,44, com avanço de 3,67% em 24 horas. O movimento superou a recuperação de 30 de setembro, quando a cotação rompeu os US$ 85 mil. Naquela sessão, porém, o preço caiu para menos de US$ 84 mil após a divulgação dos dados de inflação dos EUA.

Nesse contexto, a reversão dos fluxos dos ETFs ofereceu suporte adicional ao fechamento de apostas baixistas alavancadas. Embora o gatilho inicial permaneça incerto, os fluxos e as liquidações indicaram uma retomada do interesse comprador. Ether, XRP e Solana também avançaram, inserindo o movimento do Bitcoin em uma alta mais ampla entre as principais criptomoedas.

Demanda institucional oferece suporte ao Bitcoin

Os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram entradas líquidas de US$ 102,7 milhões em 1º de outubro. O valor consta nos dados da Farside Investors e sucedeu uma sessão de saídas líquidas. Assim, o saldo enfraqueceu a hipótese de que os resgates anteriores iniciariam uma retirada sustentada.

O resultado positivo, contudo, escondeu um cenário misto entre os produtos financeiros. O IBIT, da BlackRock, atraiu recursos, enquanto o FBTC, da Fidelity, e vários outros ETFs registraram resgates. Ainda assim, as entradas superaram as retiradas no resultado consolidado do dia.

Novas entradas poderiam tornar esse suporte mais duradouro nas próximas sessões. Em contrapartida, os resgates em outros fundos mostram que um único saldo positivo não confirma o comprometimento dos investidores. Por isso, a continuidade dos fluxos permanecerá relevante para sustentar a recuperação.

Liquidações de vendidos ampliam movimento

Os dados da CoinGlass mostraram cerca de US$ 70,58 bilhões em volume de futuros de Bitcoin durante 24 horas. A leitura, realizada às 8h42 UTC, também indicou aproximadamente US$ 6,35 bilhões em volume à vista. Ao mesmo tempo, a plataforma registrou cerca de US$ 135,47 milhões em posições futuras de Bitcoin liquidadas.

Esse volume mede a atividade de negociação e inclui transações repetidas no período. Logo, os números indicam participação expressiva dos derivativos, mas não medem a entrada de capital novo no Bitcoin. A CoinNess estimou que 91,13% das liquidações de futuros em 24 horas envolveram posições vendidas.

Esse desequilíbrio combina com saídas forçadas de apostas baixistas em um mercado que já avançava. Quando o preço sobe, as perdas podem consumir as garantias das posições vendidas com alavancagem. Como resultado, o fechamento dessas operações adiciona pressão compradora e pode acelerar a valorização.

Inflação mantém pressão sobre os mercados

A inflação ainda representa um obstáculo, mesmo com mais tempo para o Federal Reserve avaliar seus próximos passos. O relatório PCE de agosto, divulgado em 30 de setembro, mostrou avanço mensal de 0,2% no núcleo da inflação. Em 12 meses, o indicador alcançou 3%, enquanto a inflação cheia ficou em 0,3% no mês e 3,4% no ano.

Em 1º de outubro, o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, afirmou que a avaliação de futuros ajustes poderia levar mais tempo. No entanto, ele destacou os riscos de alta para a inflação e relembrou o aumento de 0,25 ponto percentual realizado em setembro. Com a decisão, a taxa passou para a faixa entre 3,75% e 4%.

Relatório de empregos representa novo teste

Enquanto isso, o relatório industrial do ISM elevou seu índice de preços de 71,1 para 77,9 em setembro. O PMI industrial permaneceu em expansão, aos 54,5 pontos, e indicou uma ampliação das pressões de custos. O relatório de empregos dos EUA estava previsto para as 12h30 UTC de 2 de outubro.

O horário consta no calendário do Bureau of Labor Statistics. Dessa forma, os números do mercado de trabalho representam o próximo teste macroeconômico para a recuperação. Dados acima das expectativas podem influenciar as projeções de juros e afetar os mercados de risco.

Manter a cotação acima de US$ 86 mil, junto de novas entradas nos ETFs, reforçaria a tese de demanda persistente. Por outro lado, uma reversão rápida repetiria a fragilidade observada no rompimento anterior. Portanto, a reação aos dados de emprego mostrará se o suporte renovado consegue resistir ao próximo teste macroeconômico.

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