Bitfarms vende operação no Paraguai e acelera foco em IA

A Bitfarms, empresa global de infraestrutura digital, destacou sua mudança estratégica após anunciou a venda de sua instalação de mineração de Bitcoin em Paso Pe, no Paraguai. O ativo, que conta com 70 MW, poderá render até US$30 milhões mediante acordo com o Sympatheia Power Fund, administrado pela Hawksburn Capital, de Singapura.

Com a venda, a companhia reforça seu novo foco operacional concentrado na América do Norte. Além disso, o movimento ocorre em meio à ampliação de sua atuação em High-Performance Computing e infraestrutura para Inteligência Artificial, um segmento que a empresa considera mais estável e lucrativo.

Empresa reforça estratégia voltada à expansão nos EUA e Canadá

O contrato estabelece pagamento inicial de US$9 milhões no fechamento da transação, previsto para o primeiro trimestre de 2026. Outros US$21 milhões poderão ser liberados ao longo de dez meses, caso metas operacionais sejam atingidas. Assim, a Bitfarms antecipa receitas que, segundo estimativas, só chegariam entre dois e três anos de operação contínua no Paraguai.

A receita antecipada ajudará a financiar a expansão de data centers dedicados a IA e HPC nos EUA e Canadá. Além disso, o CEO Ben Gagnon afirmou que a realocação de capital tende a fortalecer o posicionamento da empresa em um mercado que cresce rapidamente e exige capacidade computacional robusta.

No pré-mercado, as ações da Bitfarms (BITF) subiram mais de 4%, chegando a US$2,44 após a divulgação da decisão. O avanço reflete a confiança dos investidores na estratégia de transição, que prioriza negócios menos expostos à volatilidade típica da mineração de Bitcoin.

Redução de operações tradicionais e foco em receitas estáveis

A mudança segue um período financeiro desafiador. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de US$46 milhões. No entanto, a empresa já havia sinalizado ao mercado que reduziria suas operações tradicionais de mineração até 2027, buscando modelos de negócio mais resilientes.

Com a venda do site de Paso Pe, a Bitfarms passa a operar 341 MW de capacidade energizada. Além disso, mantém um pipeline de desenvolvimento que alcança 2,1 GW, com cerca de 90% situado na América do Norte. Esse reposicionamento geográfico é considerado essencial para atender a demanda crescente por energia estável e eficiência em centros de dados.

A transação atual ocorre após a venda, em janeiro de 2025, de sua instalação de 200 MW em Yguazu, também no Paraguai, adquirida pela Hive Digital por US$85 milhões. Portanto, a empresa conclui sua saída definitiva da América Latina.

Mudança estrutural acompanha tendência global do setor

A desmobilização no Paraguai representa mais do que uma simples reorganização operacional. Mineradoras de Bitcoin vêm ampliando sua atuação para serviços de infraestrutura digital, aproveitando seus contratos de energia e centros de dados para atender a demanda crescente de IA.

Após o halving do Bitcoin em 2024, que reduziu a rentabilidade do setor, empresas passaram a buscar fontes de receita mais previsíveis. Assim, a Bitfarms reforça essa tendência ao migrar para atividades com maior estabilidade e potencial de retorno.

Com a conclusão da venda, a companhia pretende acelerar a construção de novos sites dedicados a IA e HPC nos EUA e Canadá. Além disso, a empresa afirma que a estratégia permitirá aproveitar oportunidades de curto prazo e avançar de forma consistente na transformação anunciada em seus comunicados recentes.