BitGo lança ponte MiCA para empresas de cripto da UE

A BitGo lançou uma plataforma de cripto como serviço compatível com o Regulamento Europeu dos Mercados de Criptoativos (MiCA). A oferta atende empresas da União Europeia que ainda não concluíram sua autorização regulatória antes do prazo de 1º de julho.

A partir dessa data, companhias sem autorização não poderão continuar atendendo clientes da UE, segundo o CEO da BitGo, Mike Belshe. Assim, a nova estrutura busca evitar uma interrupção imediata de operações enquanto essas empresas avaliam, ou seguem tentando obter, sua própria licença como prestadoras de serviços de criptoativos, conhecidas pela sigla CASP.

Além disso, a proposta atende uma demanda urgente no mercado europeu de criptomoedas. Parte relevante das empresas ainda enfrenta dificuldades para concluir a adaptação regulatória dentro do prazo. Nesse sentido, a BitGo tenta se posicionar como uma ponte operacional para negócios que precisam manter a continuidade do atendimento.

Oferta usa licença da BitGo Europe pela BaFin

De acordo com Mike Belshe, uma empresa que opera carteiras, mas ainda não possui licença MiCA, pode se registrar na BitGo e conectar suas carteiras à estrutura da custodiadora. Em contrapartida, essa empresa precisa executar tarefas específicas de KYC, sigla para conheça seu cliente, alinhadas ao regulamento europeu.

Depois de 1º de julho, empresas sem autorização não poderão continuar atendendo clientes da União Europeia. Os usuários não devem ficar sem alternativas porque uma plataforma ainda espera aprovação.

Além disso, a BitGo Europe já possui licença MiCA por meio da BaFin e a BitGo a estruturou para suportar custódia regulada, transferências, staking e negociação.

Mike Belshe no X

Na mesma publicação, Belshe reforçou que a BitGo Europe já opera com licença MiCA por meio da Autoridade Federal de Supervisão Financeira da Alemanha, a BaFin. Com isso, a unidade europeia da empresa pode sustentar custódia regulada, transferências, staking e negociação dentro do novo regime.

Estrutura reduz impacto da transição regulatória

A arquitetura da oferta foi desenhada para integração com aplicações financeiras institucionais já existentes. Dessa forma, ela reduz a necessidade de mudanças estruturais profundas em um intervalo curto. Ao mesmo tempo, as empresas podem manter a operação ativa e diminuir o risco de penalidades por falta de conformidade.

O fim de junho representa o prazo final para que companhias de criptomoedas migrem para o sistema MiCA. Por conseguinte, esse ajuste regulatório tende a forçar parte do mercado a interromper atividades, sobretudo entre operadores que não conseguiram concluir a adaptação a tempo.

Para empresas com atuação institucional, a proposta oferece uma alternativa provisória com foco em continuidade. Assim, equipes jurídicas e de compliance ganham mais tempo para concluir seus processos sem decisões apressadas. Além disso, participantes que atuam com custódia podem preservar relações comerciais durante a mudança de regime.

MiCA pressiona empresas sem licença na Europa

As novas regras europeias devem alterar de forma significativa o ambiente de ativos digitais na região. De fato, o impacto tende a ser mais severo para empresas registradas antes da implementação plena do MiCA.

Cerca de 75% das empresas de criptomoedas registradas antes do MiCA correm risco de sair dos registros e deixar de operar. O problema afeta principalmente companhias regionais menores, que muitas vezes não possuem recursos para estruturar rapidamente uma licença independente.

Esse cenário amplia a possibilidade de saída de startups do mercado europeu caso elas não consigam atender aos novos padrões regulatórios. Ao mesmo tempo, autoridades locais devem intensificar a fiscalização sobre entidades não autorizadas, o que aumenta a pressão por adequação imediata.

Nesse contexto, a proposta da BitGo funciona como uma alternativa operacional para evitar falhas abruptas no atendimento e na continuidade dos negócios. Em vez de suspender totalmente seus serviços, empresas qualificadas podem recorrer à infraestrutura já licenciada da companhia enquanto definem os próximos passos de sua estratégia regulatória.

Marca branca pode aliviar custos imediatos

Enquanto aguardam a aprovação oficial de sua licença MiCA, as empresas podem usar a plataforma da BitGo como solução provisória. Dessa maneira, o modelo oferece mais tempo para que áreas jurídicas e de compliance concluam seus processos de forma organizada.

Outro efeito relevante envolve a redução da necessidade imediata de capital para participantes menores. Afinal, ao optar por uma estrutura de marca branca, essas companhias conseguem acessar níveis elevados de segurança e conformidade sem desenvolver uma operação regulatória própria do zero.

Para clientes corporativos, isso significa acesso a custódia, transferências, staking e negociação dentro de uma base regulada. Do mesmo modo, para o mercado europeu de criptomoedas, a iniciativa ajuda a preservar liquidez e confiança durante uma transição regulatória potencialmente turbulenta.

A lógica da oferta também sugere uma mudança na forma como empresas regionais lidam com exigências internacionais de conformidade. Em vez de depender apenas da aprovação imediata de uma licença própria, elas passam a contar com um intermediário já autorizado para sustentar suas atividades por mais tempo.

Como resultado, a BitGo tenta transformar sua licença MiCA via BaFin em uma solução de transição para empresas pressionadas pelo novo prazo europeu. A estimativa de que cerca de 75% das companhias registradas antes do regime correm risco de perder registro explica a relevância da oferta anunciada.