Bitmine chega a 4,59% da oferta de Ethereum
Tesouraria da Bitmine avança com nova compra
A Bitmine, empresa de cripto ligada a Tom Lee, adquiriu US$ 41 milhões em Ethereum na quarta-feira e adicionou 25.000 ETH em uma única transação. A Lookonchain apontou que o movimento ocorreu por volta das 11h22, no horário da costa leste dos Estados Unidos. Assim, a companhia manteve o ritmo acelerado de expansão de sua tesouraria corporativa.
Além disso, a compra reforça a meta declarada da empresa de se consolidar como a maior tesouraria corporativa de Ethereum do mundo. Nos últimos três dias, a Bitmine acumulou 125.000 ETH, montante avaliado em US$ 205 milhões pelos preços atuais de mercado. Anteriormente, na segunda-feira, a empresa havia informado a compra de 126.971 ETH na semana anterior, por cerca de US$ 207 milhões.
Com essas aquisições, as reservas da companhia chegaram a 5.543.872 ETH. Em outras palavras, a Bitmine já concentra 4,59% da oferta circulante de Ethereum, estimada atualmente em 120,7 milhões de tokens. Dessa forma, a empresa alcançou cerca de 92% de sua meta estratégica de acumular 5% de todo o ether em circulação.
Esse nível de concentração é incomum em padrões de tesouraria corporativa. Afinal, poucas empresas listadas em bolsa mantêm uma parcela tão elevada de um único ativo digital no balanço. Ainda assim, a escala da posição também aumenta a exposição da companhia à volatilidade do mercado cripto.
A DropsTab estima que a Bitmine carrega aproximadamente US$ 9,9 bilhões em perdas não realizadas sobre sua posição total em ether. Ao mesmo tempo, as ações da empresa, negociadas sob o ticker BMNR, caíram 3,46% na quarta-feira e encerraram o dia em US$ 15,64. Com isso, o mercado sinalizou cautela diante da diferença entre os custos de aquisição e os preços atuais do ativo.
Meta de 5% exige cerca de 491 mil ETH
O programa de compras da Bitmine chama atenção pela velocidade e pela concentração. Nas últimas duas semanas, a empresa adquiriu mais de 250.000 ETH, com desembolso aproximado de US$ 412 milhões no período. Conforme os preços atuais, a posição total de 5.543.872 ETH figura entre as maiores já mantidas por uma única entidade em uma grande criptomoeda, excluindo emissores de fundos negociados em bolsa e reservas de fundações de protocolo.
A meta de alcançar 5% da oferta circulante ajuda a dimensionar o tamanho da aposta. Considerando a base de 120,7 milhões de ETH em circulação, esse objetivo representa cerca de 6,035 milhões de tokens. Portanto, a Bitmine está a aproximadamente 491.000 ETH desse patamar. Se mantiver o ritmo atual, a empresa poderá reduzir essa diferença com novas compras semelhantes às registradas nesta semana.
Por outro lado, a forte exposição a um único ativo amplia os riscos de balanço. De fato, as perdas não realizadas de US$ 9,9 bilhões indicadas pela DropsTab sugerem que o preço médio de aquisição da posição total está bem acima do valor atual de mercado. Isso indica que parte relevante das compras ocorreu em momentos nos quais o ether negociava em níveis mais altos.
Para uma companhia listada em bolsa, sustentar perdas não realizadas dessa magnitude levanta questionamentos sobre marcação a mercado, transparência para acionistas e sustentabilidade da estratégia. No entanto, a continuidade das compras também mostra convicção na tese de longo prazo para o Ethereum. Tom Lee, nome conhecido de Wall Street e defensor da exposição institucional a ativos digitais, segue alocando capital em ether mesmo diante de perdas bilionárias no papel.
Concentração pode afetar liquidez e percepção de risco
O fato de a Bitmine já controlar 4,59% da oferta circulante de Ethereum pode produzir efeitos além do balanço da empresa. Em primeiro lugar, manter cerca de 5,5 milhões de ETH em tesouraria pode reduzir o volume efetivamente disponível para negociação. Embora o Ethereum mantenha volumes diários elevados nas principais corretoras, uma posição desse tamanho representa parcela relevante dos tokens que poderiam circular entre participantes do mercado.
Em segundo lugar, a concentração das reservas cria dúvidas sobre o impacto de preço em caso de mudança de estratégia. Se houver uma venda, ainda que parcial, a execução exigirá cuidado para evitar deslizamento relevante. Por outro lado, se a Bitmine continuar comprando no ritmo atual, poderá exercer pressão adicional de alta sobre o ether, especialmente em momentos de menor liquidez.
Além disso, a postura da empresa pode servir de referência para outras companhias interessadas em montar tesourarias com ativos digitais. Nesse sentido, a ambição de se tornar a maior tesouraria corporativa de Ethereum do mundo estabelece um precedente importante para o mercado cripto e para empresas de capital aberto.
O ambiente regulatório também merece atenção. Embora manter criptomoedas em tesouraria seja, em geral, permitido, o tratamento contábil, as exigências de transparência e os impactos tributários variam bastante entre jurisdições. Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission, conhecida como SEC, ainda não ofereceu uma orientação abrangente sobre como companhias abertas devem reportar grandes posições em criptomoedas em seus balanços.
Em suma, a compra mais recente de US$ 41 milhões reforça uma estratégia agressiva e concentrada. A Bitmine soma 5.543.872 ETH em carteira, detém 4,59% da oferta circulante e está a cerca de 491.000 ETH da meta de 5%. Ao mesmo tempo, as perdas não realizadas estimadas em US$ 9,9 bilhões e a queda de 3,46% das ações BMNR, para US$ 15,64, mostram que a aposta segue cercada por riscos relevantes.