Bitmine perde US$ 3,82 bi com Ethereum
A Bitmine Immersion Technologies reportou um prejuízo líquido de US$ 3,82 bilhões no trimestre encerrado em 28 de fevereiro de 2026. O resultado reflete, sobretudo, perdas não realizadas associadas às suas posições em Ethereum, ativo central na estratégia da companhia.
Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a deterioração é expressiva. Na ocasião, a empresa havia registrado perdas de US$ 1,15 milhão. Além disso, no acumulado de seis meses, o prejuízo supera US$ 9 bilhões, influenciado principalmente por ajustes contábeis ligados à desvalorização do Ethereum em relação a picos anteriores.
Como resultado, a maior parte dessas perdas não decorre de vendas efetivas. Em vez disso, trata-se de reavaliações com base no preço de mercado, o que amplia a volatilidade dos resultados financeiros reportados.
Exposição ao Ethereum amplia risco no balanço
A Bitmine vem adotando uma estratégia agressiva de acumulação de Ethereum. Com isso, a empresa construiu uma das maiores reservas institucionais conhecidas do ativo.
Até 12 de abril de 2026, a companhia detinha cerca de 4,87 milhões de ETH, avaliados em aproximadamente US$ 10,7 bilhões. Esse volume corresponde a mais de 4% da oferta em circulação, enquanto a meta declarada é alcançar 5% do supply total.
O preço médio de aquisição gira em torno de US$ 2.206 por unidade. Já a cotação recente, próxima de US$ 2.322, indica uma posição teoricamente positiva. Ainda assim, a volatilidade do ativo continua impactando diretamente o balanço contábil.
Além disso, a Bitmine intensificou compras nas últimas semanas. Em um único período semanal, adquiriu 71.524 ETH, no ritmo mais acelerado desde dezembro de 2025. Dessa forma, reforça a transição estratégica iniciada recentemente.
Anteriormente focada em mineração, a empresa passou a priorizar um modelo baseado em tesouraria de Ethereum. Assim, concentra esforços em acumulação, staking e participação no ecossistema da rede.
Captação bilionária sustenta estratégia
Para viabilizar essa expansão, a Bitmine levantou mais de US$ 10 bilhões por meio da emissão de ações. Com isso, ampliou sua capacidade de aquisição de ativos digitais, embora também tenha aumentado sua exposição ao risco de mercado.
Além do Ethereum, a companhia mantém posições menores e diversificadas. Entre elas, estão 198 BTC, um investimento de US$ 200 milhões na Beast Industries e exposição à Eightco Holdings. Ademais, o caixa era de cerca de US$ 719 milhões no período analisado.
Essa estrutura sugere diversificação limitada, já que o desempenho do Ethereum segue como principal fator de risco e potencial retorno.
Receita cresce com staking apesar das perdas
Apesar do impacto negativo das perdas contábeis, a receita apresentou crescimento relevante. No trimestre, a empresa gerou US$ 11,04 milhões, ante US$ 1,5 milhão no mesmo período do ano anterior.
O staking de Ethereum foi a principal fonte de receita, respondendo por quase US$ 10 milhões. Atualmente, cerca de 3,33 milhões de ETH estão alocados nessa atividade, o equivalente a aproximadamente 68% das reservas totais.
Com rendimento médio de 2,89%, as operações geram uma receita anualizada estimada em US$ 212 milhões. Além disso, a empresa projeta que esse valor pode chegar a US$ 310 milhões com a implementação completa da plataforma MAVAN.
Outras fontes de receita incluem leasing, consultoria e mineração própria. No entanto, essas atividades têm menor participação, o que reforça a dependência do staking como principal motor financeiro.
Leitura de mercado e perspectivas
Segundo o chairman Tom Lee, o Ethereum permanece subvalorizado em relação ao seu potencial de longo prazo. Ele destaca o avanço da tokenização e o crescimento de aplicações ligadas à inteligência artificial dentro da rede.
Além disso, a empresa avalia que o mercado atravessa uma fase tardia de um “mini inverno cripto”. Nesse sentido, mantém a estratégia de compras contínuas, mesmo diante de preços pressionados.
Em suma, os resultados evidenciam uma empresa altamente exposta ao Ethereum. Ao mesmo tempo, combinam perdas contábeis bilionárias com crescimento operacional relevante, o que torna o desempenho futuro fortemente dependente da trajetória do ativo.