Bitwise: bancos ampliam exposição a criptomoedas

Um levantamento conduzido pela gestora Bitwise revelou quais bancos tradicionais concentram maior exposição ao mercado de criptomoedas. O ranking destaca instituições históricas do sistema financeiro global, com BNY Mellon e JPMorgan Chase nas primeiras posições.

O movimento indica uma mudança estrutural. Bancos que antes adotavam postura cautelosa passaram a integrar as criptomoedas às suas estratégias centrais, ampliando atuação em negociação, pagamentos, ETFs e tokenização.

Expansão institucional no mercado de criptomoedas

BNY Mellon lidera com estratégia global

O BNY Mellon, maior banco custodiante do mundo, administra cerca de US$ 59 trilhões em ativos. Nesse contexto, lidera a adoção institucional de criptomoedas com iniciativas amplas. Em maio de 2026, anunciou planos para lançar serviços de custódia de Bitcoin em Abu Dhabi, reforçando sua presença internacional.

A estratégia não é recente. Desde 2024, o banco sinaliza que pretende armazenar, transferir e emitir ativos digitais conforme a demanda. Além disso, integrou essas operações à sua infraestrutura tradicional, consolidando a atuação como extensão de seus serviços financeiros.

Entre os destaques está o iShares Bitcoin ETP, identificado pelo ticker IB1T, que atingiu aproximadamente US$ 100 bilhões em ativos sob gestão no quarto trimestre de 2025. O produto figura entre os de crescimento mais acelerado no segmento.

JPMorgan aposta em infraestrutura e tokenização

O JPMorgan Chase seguiu uma abordagem complementar. O banco investe no desenvolvimento de infraestrutura blockchain por meio da divisão Onyx e avança na tokenização de ativos tradicionais.

Ao mesmo tempo, mantém uma das mesas institucionais mais ativas de negociação de produtos ligados ao mercado de criptomoedas em Wall Street. Assim, sua atuação vai além da custódia e abrange inovação tecnológica e provisão de liquidez.

Motivações por trás da adoção bancária

ETFs e demanda institucional impulsionam crescimento

A mudança de postura tem origem clara. Em primeiro lugar, o lançamento de ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos gerou demanda imediata por infraestrutura robusta, incluindo custódia e liquidação.

Além disso, ao longo de 2025, o mercado de ETPs de criptomoedas evoluiu com produtos mais complexos, como mecanismos de staking e índices de altcoins. Como resultado, aumentou a exigência técnica, favorecendo grandes instituições.

Com isso, bancos tradicionais passaram a capturar novas fontes de receita, ao mesmo tempo em que reforçam sua relevância em um setor em expansão.

Abu Dhabi e a vantagem regulatória

A expansão do BNY Mellon em Abu Dhabi reflete também uma tendência geográfica. Os Emirados Árabes Unidos oferecem um ambiente regulatório mais claro para criptomoedas, atraindo instituições globais.

Enquanto outras regiões avançam de forma mais gradual, Abu Dhabi se consolida como polo estratégico para inovação financeira baseada em ativos digitais.

Impactos para investidores e riscos sistêmicos

Receitas crescem com custódia e produtos financeiros

O avanço dos bancos traz efeitos diretos para investidores. No caso do BNY Mellon, o modelo de custódia gera receitas proporcionais ao volume de ativos armazenados, o que amplia o potencial de ganhos com a expansão dos ETPs.

Além disso, a presença de grandes instituições fortalece a segurança operacional e aumenta a confiança no mercado de criptomoedas.

Riscos aumentam com integração ao sistema financeiro

Por outro lado, a análise da Bitwise destaca preocupações relevantes. Muitas das instituições mais expostas são consideradas grandes demais para quebrar, o que aprofunda a conexão entre o sistema financeiro tradicional e o mercado cripto.

Em cenários de forte queda nos preços dos ativos digitais, os impactos podem se estender para serviços bancários e produtos estruturados. Dessa forma, o risco sistêmico tende a aumentar.

Em outras palavras, a integração entre bancos e criptomoedas amplia oportunidades, mas também eleva a complexidade e os desafios regulatórios do sistema financeiro global.