BlackRock compra US$ 612 mi em Bitcoin via ETF
A BlackRock ampliou sua exposição ao Bitcoin ao adquirir cerca de US$ 612,1 milhões em cinco dias. Dados da Arkham Intelligence indicam que as compras ocorreram por meio do ETF iShares Bitcoin Trust (IBIT), que liderou as entradas líquidas entre os fundos à vista nos Estados Unidos no período.
O movimento ocorreu em meio a um ambiente geopolítico mais tenso. Ainda assim, mesmo diante de negociações internacionais sem avanços concretos envolvendo Estados Unidos e Irã, a gestora manteve sua estratégia. Nesse sentido, o fluxo sugere continuidade na tese de acumulação de longo prazo.
Exposição a ativos digitais segue elevada
Dados on-chain apontam que, em 13 de abril de 2026, a exposição da BlackRock a ativos digitais alcançou cerca de US$ 62,75 bilhões. O Bitcoin domina amplamente essa carteira, com aproximadamente 788.927 BTC, equivalentes a cerca de US$ 56 bilhões, conforme estimativas baseadas em preços recentes.
Além disso, o Ethereum aparece na segunda posição. A gestora detém mais de 3 milhões de ETH, avaliados em aproximadamente US$ 6,7 bilhões. Outros ativos digitais, como stablecoins e tokens menores, têm participação marginal.
As operações permanecem concentradas na Coinbase Prime, responsável pela custódia e execução. Dessa forma, a plataforma centraliza a maior parte dos fluxos de entrada e saída relacionados às posições em criptomoedas da empresa.
Estratégia institucional permanece ativa
Mesmo em um cenário global instável, a BlackRock não reduziu sua exposição. Pelo contrário, manteve compras consistentes. Assim, o comportamento reforça uma visão de longo prazo, especialmente em meio a oscilações macroeconômicas.
Além disso, a preferência por ETFs à vista indica foco em instrumentos regulados. Esses veículos, por sua vez, facilitam o acesso institucional e ampliam a transparência operacional.
Correção de mercado impacta valuation
Apesar das aquisições recentes, o valor total da carteira digital recuou em relação ao pico observado no fim de 2025, quando superou US$ 110 bilhões. Essa queda, contudo, está associada principalmente à desvalorização dos ativos, e não a vendas relevantes.
No momento da publicação, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 71.000. O valor permanece abaixo do preço médio estimado de entrada de investidores do IBIT, em torno de US$ 89.000.
Como resultado, há uma perda não realizada estimada em cerca de US$ 12 bilhões. Ainda assim, esse cenário não alterou de forma significativa o fluxo estrutural de capital.
Quedas atraem novas entradas
Mesmo com perdas no papel, os dados indicam continuidade no interesse institucional. Há, de fato, alternância entre entradas e saídas diárias. No entanto, a tendência acumulada segue positiva.
Isso ocorre porque investidores tendem a aproveitar períodos de queda para ampliar posições. Em outras palavras, o movimento atual reforça uma estratégia de acumulação em momentos de preços mais baixos.
ETFs de Bitcoin mantêm captação positiva
Dados da plataforma SoSoValue mostram que os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram entradas líquidas de US$ 240,42 milhões em 10 de abril. No acumulado, esses fundos somam cerca de US$ 56,76 bilhões em aportes.
Atualmente, os ativos líquidos totais desses ETFs atingem aproximadamente US$ 94,98 bilhões. Nesse contexto, o IBIT lidera com cerca de US$ 63,73 bilhões em entradas e aproximadamente US$ 57,81 bilhões sob gestão.
Em contrapartida, concorrentes como Fidelity e Grayscale seguem atrás em volume de captação, embora permaneçam relevantes no mercado institucional.
Demanda institucional segue resiliente
A continuidade das entradas, mesmo com preços abaixo do custo médio, evidencia a resiliência da demanda. Portanto, o interesse institucional pelo Bitcoin permanece sólido, especialmente por meio de veículos regulados.
Em suma, a recente compra superior a US$ 600 milhões pela BlackRock, aliada ao fluxo positivo nos ETFs, indica que o mercado ainda atravessa uma fase de acumulação estratégica, apesar das oscilações de curto prazo.