BlackRock fará grupamento do ETHA e pode reduzir spread
A BlackRock prepara um grupamento de cotas do iShares Ethereum Trust ETF (ETHA), na proporção de três para uma. A operação elevará o preço nominal de cada cota e poderá reduzir o spread efetivo de negociação. Entretanto, o valor total das posições dos investidores não mudará.
O patrocinador do ETHA aprovou a operação em 31 de julho, conforme um documento regulatório enviado à SEC. A cada três cotas registradas em 5 de outubro, o investidor receberá uma cota. A negociação ajustada começará na Nasdaq em 6 de outubro.
Grupamento busca ajustar o preço nominal do fundo
Grupamentos costumam transmitir um sinal negativo no mercado acionário. Empresas em dificuldades, por exemplo, adotam esse mecanismo para elevar preços deprimidos e evitar a retirada de suas ações da bolsa.
Um levantamento publicado pela Reuters em 2025 apontou que cerca de 80% dessas empresas valiam menos de US$ 250 milhões.
A BlackRock não explicou a razão específica para o grupamento do ETHA. Contudo, o prospecto permite que o patrocinador intervenha quando o preço no mercado secundário sair de uma faixa considerada adequada.
Assim, a gestora pode buscar um valor nominal mais alto para as cotas. Em 2026, o preço do ETHA caiu mais de 37%, para cerca de US$ 14,15. Um aporte de US$ 10 mil no fim de 2025 valeria aproximadamente US$ 6.300 naquele momento.
O desempenho acompanha as dificuldades do Ethereum. O ETH recuou de mais de US$ 3.200 no início do ano para cerca de US$ 1.870 na data da publicação.
Como resultado, o ETHA chegou à faixa inferior de preços nominais entre os ETFs spot de Ethereum. Ainda assim, o fundo liderava a categoria. Em 4 de agosto, mantinha cerca de US$ 5,4 bilhões em ativos líquidos e mais de US$ 11 bilhões em entradas líquidas acumuladas.
Na comparação, as cotas do fundo da Grayscale custavam cerca de US$ 18. O recém-lançado MSSE, da Morgan Stanley, rondava US$ 20. Por sua vez, o ETHV, da VanEck, operava perto de US$ 27.
Valor total da posição permanecerá inalterado
Com o grupamento, o preço do ETHA subiria de US$ 14,15 para aproximadamente US$ 42,45. Ao mesmo tempo, o número de cotas em circulação cairia de cerca de 384 milhões para 128 milhões.
Dessa maneira, o maior ETF spot de Ethereum passaria a superar seus principais concorrentes em preço nominal. Porém, essa mudança não aumentaria o patrimônio do fundo nem reverteria as perdas do ano.
Um investidor com 300 cotas, avaliadas em US$ 4.245 antes da operação, receberia 100 cotas com o mesmo valor total. Esse cálculo pressupõe que o preço do ETH permaneça estável.
ETHA pode reduzir custos de negociação
O grupamento também poderá ampliar a diferença de custos entre o fundo da BlackRock e algumas plataformas usadas por investidores de varejo.
Eric Balchunas, analista de ETFs da Bloomberg Intelligence, afirmou no X que o spread do ETHA poderia cair de sete para dois pontos-base. A projeção considera uma cotação próxima de US$ 42.
Atualmente, um spread de US$ 0,01 representa cerca de 0,071% do preço da cota. Depois do grupamento, o mesmo centavo equivaleria a aproximadamente 0,024%. Para isso, os formadores de mercado precisariam manter o spread nominal.
Na avaliação de Balchunas, a possível redução mostra como emissores de ETFs tratam até pequenos custos de execução como um problema. O analista comparou os dois pontos-base projetados com os encargos da compra direta de criptomoedas.
Durante sua pesquisa, provedores disponíveis pela fabricante de carteiras físicas Ledger cobraram pelo menos 150 pontos-base para converter dólares em Bitcoin. Já o serviço simplificado da Coinbase cobrava pouco menos, cerca de 140 pontos-base.
Nesse exemplo, o custo percentual na Coinbase seria aproximadamente 70 vezes maior que o spread projetado do ETHA. Mesmo uma operação direta de 40 pontos-base custaria 20 vezes mais.
Comparação depende do perfil e do tipo de operação
Apesar da diferença, as taxas variam conforme a plataforma, o meio de pagamento, o tamanho da transação e o perfil do cliente. Operadores ativos podem conseguir condições melhores por meio de livros de ordens e volumes maiores.
Em contrapartida, investidores iniciantes podem enfrentar spreads mais amplos e cobranças embutidas. Portanto, a comparação apresentada por Balchunas não representa todas as operações disponíveis no mercado.
O ETHA e a compra direta também atendem a finalidades diferentes. O ETF oferece exposição ao ETH por uma conta de corretora e cobra uma taxa anual própria.
Já os compradores diretos podem sacar o ETH, mantê-lo sob autocustódia ou utilizá-lo na blockchain. Ainda assim, o grupamento poderá manter o custo inicial do ETHA abaixo daquele encontrado em algumas plataformas de varejo.