BlackRock vê Bitcoin ganhar apoio institucional

O Bitcoin voltou a ser negociado acima de US$ 61.900 em 3 de julho. Nesse contexto, a BlackRock Inc. avalia que o ativo ainda pode ganhar força com a entrada de capital institucional. Jay Jacobs, diretor administrativo da gestora e chefe de ETFs de renda variável nos Estados Unidos, afirma que a maior criptomoeda do mercado segue bem posicionada para capturar essa demanda.

Em meados de junho de 2026, Jacobs afirmou que o Bitcoin se tornou grande demais para ser ignorado. Além disso, associou essa tese à convergência entre as finanças tradicionais, ou TradFi, e as finanças descentralizadas, ou DeFi. Em outras palavras, a integração entre estruturas financeiras clássicas e infraestrutura em blockchain reforça, na visão do executivo, a utilidade e a relevância do BTC.

Jacobs também destacou o perfil dos investidores que compram o IBIT, o iShares Bitcoin Trust ETF. De acordo com o executivo, quase 75% dos interessados no fundo nunca haviam possuído um ETF. Assim, o produto não apenas atende à demanda existente, como também amplia o acesso ao Bitcoin por meio de um veículo regulado.

Instituições sustentam tese da BlackRock

Clarity Act pode destravar nova rodada de demanda

Esse movimento pode ganhar mais tração caso avance a regulação do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos. O principal destaque é o Clarity Act, projeto de lei que busca estabelecer regras mais claras para o setor. Nesse sentido, um ambiente regulatório mais definido pode favorecer a entrada de investidores que ainda aguardam segurança jurídica antes de ampliar posições.

Consequentemente, a BlackRock pode ver o IBIT atrair mais capital institucional se esse cenário se confirmar. Afinal, grandes agentes financeiros tendem a aumentar exposição apenas quando identificam maior previsibilidade regulatória e operacional.

A leitura de longo prazo da gestora, porém, vai além do debate regulatório. Em janeiro de 2025, Larry Fink, CEO da BlackRock, afirmou que o Bitcoin poderia alcançar uma faixa entre US$ 500 mil e US$ 700 mil por unidade. Para isso, fundos soberanos e grandes instituições precisariam alocar entre 2% e 5% de seus portfólios no ativo.

Desde então, alguns fundos soberanos ampliaram a exposição ao Bitcoin. Entre os exemplos citados estão o Fonds Souverain Intergénérationnel du Luxembourg, de Luxemburgo, e a Mubadala, de Abu Dhabi. Ainda assim, nem todos os executivos da BlackRock demonstram o mesmo entusiasmo no horizonte intermediário.

Robbie Mitchnick, responsável por ativos digitais na companhia, adotou um tom mais cauteloso diante da forte atenção dos investidores às ações ligadas à inteligência artificial. Mesmo assim, a aposta estrutural da empresa no Bitcoin permanece relevante.

Exposição da BlackRock ao BTC encolhe em 2026

IBIT recua, mas narrativa permanece intacta

Além do IBIT, a BlackRock ampliou sua exposição ao ativo por meio do iShares Bitcoin Premium Income ETF, identificado pelo ticker BITA. Ao mesmo tempo, a gestora mantém uma posição indireta em BTC via Strategy Inc., negociada na Nasdaq sob o ticker MSTR.

Apesar desse posicionamento, o portfólio de BTC da BlackRock encolheu ao longo de 2026 em meio à correção mais ampla do mercado de criptomoedas. As reservas em Bitcoin do IBIT caíram de 770.290 BTC em 1º de janeiro para 734.740 BTC no momento do levantamento.

Isso representa uma redução de cerca de 35.550 BTC, ou 4,61%, no período. Ainda assim, o recuo não elimina a narrativa institucional. Pelo contrário, ele mostra que a tese de longo prazo convive com oscilações de curto prazo, sobretudo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.

Mitchnick também vinha apontando que o Bitcoin poderia sofrer novas pressões e, ao mesmo tempo, receber suporte de fatores macroeconômicos. Entre eles, aparecem a alta da dívida dos Estados Unidos e o aumento dos déficits fiscais. Portanto, a avaliação de Jay Jacobs mantém o foco na adoção institucional como principal motor estrutural do ativo.

Nesse cenário, a trajetória recente do Bitcoin reforça como o ativo continua no radar das maiores gestoras globais. De um lado, a possível aprovação do Clarity Act pode melhorar o ambiente para novos aportes. De outro, a meta de alocação entre 2% e 5% por grandes investidores continua no centro da tese traçada por Larry Fink.