Blockchain avança do experimento para a infraestrutura financeira, aponta Cainvest Group na Febraban Tech
Em dois debates estratégicos do principal evento de tecnologia do setor financeiro, executivos do Cainvest Group discutem institucionalização dos ativos digitais e avanço da tokenização para ambientes reais de mercado
O mercado de ativos digitais começa a atravessar uma nova fronteira no Brasil. Depois de uma primeira fase marcada pela experimentação, pela entrada dos primeiros investidores institucionais e pela construção de infraestrutura, blockchain e tokenização avançam para uma etapa em que passam a se integrar de forma mais concreta ao sistema financeiro.
Essa transformação esteve no centro da participação do Cainvest Group na Febraban Tech 2026 na última semana, com presença em dois painéis que conectaram o início da adoção institucional de criptoativos no país aos desafios da próxima geração da infraestrutura financeira.
No painel “O futuro do mercado cripto brasileiro na visão de pioneiros da adoção institucional”, Charles Aboulafia, CEO do Cainvest Group, dividiu o palco com André Portilho, do BTG Pactual, e Bruno Batavia, do Valor Capital Group, sob moderação de Ricardo Bomfim, da Exame.
O encontro reuniu profissionais que começaram a construir negócios ligados à blockchain e ativos digitais quando o setor ainda enfrentava forte resistência do mercado financeiro tradicional. Aboulafia lembrou que, em 2018 e 2019, praticamente não havia espaços institucionais para discutir o tema, cenário bastante diferente daquele encontrado atualmente dentro da própria Febraban Tech.
A declaração sintetiza uma das principais transformações ocorridas nos últimos anos: ativos digitais deixaram de ocupar apenas ambientes especializados para entrar definitivamente na agenda de bancos, gestores, investidores, reguladores e grandes empresas de tecnologia e do mercado financeiro.
Eficiência econômica levou o Cainvest Group ao blockchain
Durante o painel, Charles explicou que a entrada do Cainvest Group nesse mercado não nasceu de uma aposta especulativa em criptoativos, mas da identificação de ganhos concretos de eficiência proporcionados pela tecnologia blockchain.
A experiência anterior da instituição com digitalização bancária e contas internacionais levou o grupo a estudar mais profundamente a tecnologia. Segundo o executivo, a comparação com a infraestrutura financeira existente tornou a oportunidade evidente.
“A gente estudou o que era realmente o blockchain; era muito mais barato do que os custos que a gente tinha para fazer uma transferência, era muito mais rápido e, diferente do que as pessoas pensavam na época, a parte de prevenção de lavagem de dinheiro era mil vezes melhor.” afirmou Aboulafia.
Charles resumiu a decisão da companhia em três atributos: “uma fração do custo, rapidez, segurança. A gente entrou com tudo.”
O movimento ocorreu em um período em que empresas de ativos digitais ainda enfrentavam dificuldades para acessar serviços bancários. Ao analisar o setor, porém, o Cainvest Group identificou exchanges que já apresentavam estruturas comparáveis às de instituições financeiras, com milhões de clientes e áreas dedicadas a risco, prevenção à lavagem de dinheiro, tecnologia e operações.
Foi a partir dessa leitura que a empresa passou a atuar na provisão de liquidez para o mercado.
Liquidez como infraestrutura, não como arbitragem
Um dos pontos mais relevantes da fala de Charles Aboulafia foi a diferenciação entre a atuação oportunística que existia no mercado naquele período e a construção de uma infraestrutura permanente de serviços financeiros.
Segundo ele, a ausência dos chamados banking rails criava distorções significativas de preços e oportunidades de arbitragem. A estratégia do Cainvest
Group foi usar conhecimento acumulado no mercado financeiro tradicional para ajudar a estruturar liquidez para empresas consideradas sólidas dentro do novo ecossistema.
“Usamos nosso know-how do mercado tradicional para dar toda essa estrutura para o mercado cripto nacional. Realmente, olhando para trás, não parecia óbvio, mas foi um desafio que a gente levou a sério e mudou completamente o jogo no Brasil.” destaca Charles durante o painel.
Para Aboulafia, liquidez tornou-se um componente competitivo fundamental para as plataformas.
“Quando você dá preço justo a qualquer momento do dia, você ganhou o jogo.” reforça Charles.
A discussão evidencia uma mudança importante na própria natureza do mercado. Se nos primeiros anos o desafio era identificar empresas sérias em meio a projetos especulativos, hoje blockchain passa a ser discutido cada vez mais como infraestrutura financeira global.
Próxima fase: ativos tradicionais também irão para blockchain
Ao projetar os próximos anos, Charles apresentou uma tese ainda mais relevante para a agenda do mercado financeiro: uma vez consolidada a infraestrutura de intermediação, o próximo movimento será ampliar a oferta de produtos financeiros estruturados sobre blockchain.
“A fase um já foi o que a gente consolidou. Finalmente, a intermediação está resolvida. […] Então, a segunda fase é o que está faltando: a parte regulatória, a parte de produtos.” complementa Charles.
Para o executivo, a tecnologia abre caminho para uma ampliação significativa do acesso a investimentos.
Charles foi além ao defender uma convergência entre os ativos existentes na economia tradicional e a nova infraestrutura digital.
“Tudo — digo absolutamente tudo — na economia tradicional tem que estar no blockchain também.” enfatiza Charles Aboulafia.
Como exemplo, o executivo revelou que o Cainvest Group realizou um piloto envolvendo um Bond da Pemex, petrolífera estatal mexicana. O objetivo foi testar como um ativo internacional poderia ser estruturado para chegar a um investidor brasileiro por meio de uma corretora nacional.
Segundo Charles, a experiência aponta para uma “nova era de acessibilidade”, na qual investidores poderão acessar pelo próprio aplicativo produtos internacionais que historicamente estavam distantes do varejo brasileiro.
Da prova de conceito para a produção
A segunda participação do Cainvest Group na Febraban Tech reforçou justamente essa mudança de escala.
No painel “Tokenização em produção: do piloto à infraestrutura de mercado”, Guilherme Aliperti, CBO do Cainvest Group, participou do debate ao lado de Guto Antunes, do Itaú Unibanco; Julierme de Souza, do Banco do Brasil; e Solange Gueiros, da Chainlink Labs, com moderação de Rita Wu, repórter da CNBC/Times Brasil.
O debate colocou no centro uma questão que passa a ganhar relevância para todo o sistema financeiro: o que muda quando ativos tokenizados deixam de ser provas de conceito e começam a operar em ambientes de produção?
Nesse estágio, tokenização deixa de ser apenas uma discussão tecnológica. Escala, liquidez, interoperabilidade, governança, compliance, segurança e integração com a infraestrutura existente passam a determinar a viabilidade econômica das soluções.
Um dos principais desafios para essa transição, segundo Guilherme Aliperti, está justamente na construção de liquidez. Durante o painel, o executivo destacou que a evolução da tokenização depende não apenas da tecnologia e da regulação, mas da existência de agentes capazes de conectar os novos ambientes digitais ao mercado financeiro tradicional.
“Hoje, a liquidez está no mercado tradicional. Para a gente fazer essa transição, precisamos de agentes de mercado que tenham uma regulação clara para exercer esse papel e conseguir fazer essa ponte entre o tradicional e a Web3. Você pode ter a tecnologia mais bonita do mundo, a melhor regulação do mundo, mas não adianta se, no momento em que o cliente quiser vender o ativo que comprou, não houver um comprador do outro lado e uma formação de preço eficiente”, destacou Guilherme Aliperti, CBO do Cainvest Group.
A discussão acompanha uma transformação mais ampla do setor. Tokenização, stablecoins, pagamentos transfronteiriços, infraestrutura de mercado de capitais, liquidação financeira e interoperabilidade entre sistemas tradicionais e digitais já aparecem conjuntamente como componentes da próxima geração da infraestrutura financeira.
De “cripto” para infraestrutura do mercado financeiro
A participação do Cainvest Group nos dois painéis da Febraban Tech materializa uma trajetória que seria difícil imaginar há menos de uma década.
Em 2018, como recordou Charles, os poucos representantes institucionais interessados em blockchain precisavam buscar eventos voltados predominantemente ao varejo para discutir o tema. Em 2026, executivos do Cainvest Group, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Valor Capital Group e outros representantes do sistema financeiro discutem a tecnologia dentro de um dos principais encontros da indústria bancária brasileira.
A mudança não é apenas de percepção. É também de maturidade.
O debate deixou de estar concentrado em “se” blockchain será utilizado pelo sistema financeiro e passou a discutir como essa infraestrutura será regulada, integrada, operada e utilizada para distribuir produtos financeiros em escala.
Na visão apresentada por Charles Aboulafia, a próxima fronteira estará justamente nessa integração: transformar blockchain de uma tecnologia alternativa em uma infraestrutura capaz de conectar instituições, produtos e investidores, e ampliar o acesso a mercados antes restritos.
A participação do Cainvest Group na Febraban Tech reforça que a próxima etapa dos ativos digitais será definida menos pela capacidade de tokenizar e mais pela construção das condições para que esses ativos operem em escala.
Regulação, liquidez, interoperabilidade e integração com o mercado tradicional passam a ocupar o centro dessa agenda.
Para o Cainvest Group, é justamente na conexão entre esses dois ambientes, combinando a solidez da infraestrutura financeira existente às possibilidades abertas pela blockchain, que está sendo construída a próxima geração do mercado financeiro.
Sobre a Cainvest Group
O Cainvest Banking Group é líder global no fornecimento de soluções financeiras institucionais, com seis décadas de experiência, atendendo instituições bancárias internacionais nas Ilhas Cayman e o mercado de ativos digitais nas Ilhas Virgens Britânicas.
Sua atuação baseia-se na conexão entre o mercado financeiro tradicional e a infraestrutura de ativos digitais, com foco institucional e atuação B2B. A companhia desenvolveu sua presença no segmento a partir da experiência em serviços financeiros, infraestrutura bancária e liquidez, acompanhando desde os primeiros movimentos de institucionalização do mercado cripto até o atual avanço da tokenização e dos ativos digitais para ambientes regulados e de produção.
Sobre o Blockchain Rio
O Blockchain Rio é a principal plataforma institucional da América Latina dedicadas ao debate sobre blockchain, tokenização, stablecoins, ativos digitais, regulação e infraestrutura financeira digital. O evento conecta reguladores, bancos centrais, instituições financeiras, empresas de tecnologia, infraestrutura, exchanges, asset managers, formuladores de políticas públicas, investidores e lideranças do mercado para discutir a transformação dos mercados, dos sistemas de pagamento e da economia digital.
A edição de 2026 será realizada de 11 a 13 de agosto, no Rio de Janeiro, e contará com uma agenda estratégica formada pelo Financial Infrastructure Forum – LATAM, Blockchain Leaders e Blockchain Rio Main Event. A programação foi desenhada para ampliar o diálogo entre setor público, iniciativa privada e ecossistema de inovação, fortalecendo o papel do Brasil e da América Latina na construção da próxima fase da infraestrutura financeira global.
*Comunicado de imprensa