BNB estreia ETF spot e Grayscale vê fluxo institucional
O ecossistema da BNB Chain teve uma semana decisiva para a entrada de capital institucional no mercado de criptomoedas. Ao mesmo tempo, a rede passou a figurar entre os blockchains mais bem posicionados para capturar fluxos adicionais caso o CLARITY Act avance nos Estados Unidos.
VanEck lança produto regulado na Nasdaq
Na última quinta-feira, a gestora VanEck lançou na Nasdaq o VanEck BNB ETF, negociado sob o ticker VBNB. Assim, o mercado dos Estados Unidos passou a contar com o primeiro ETF spot de BNB. Desconsiderando as stablecoins, o ativo ocupava a terceira posição em valor de mercado entre as criptomoedas.
O formulário S-1 alterado, apresentado em meados de maio à SEC, mostra taxa de patrocinador de 0,39%. Além disso, o Anchorage Digital Bank responde pela custódia e mantém todos os ativos do fundo em armazenamento a frio.
“Até hoje, o BNB se destacava entre os principais ativos digitais como um dos poucos que ainda não estavam disponíveis em um ETP spot dos EUA”, afirmou Kyle DaCruz, diretor de produtos de ativos digitais da VanEck, em comunicado. “Estamos entusiasmados em mudar isso com o lançamento do VBNB, dando aos investidores dos EUA acesso em bolsa a uma das redes economicamente mais relevantes do setor de ativos digitais.”
Ao justificar a listagem, a VanEck destacou o desempenho do ativo e os fundamentos da rede. Entre os dados citados, estão mais de 14 milhões de transações por dia e mais de 2,5 milhões de usuários ativos diariamente.
Segundo Patrick Bush, analista sênior de investimentos da VanEck, o BNB foi uma das grandes criptomoedas mais resilientes do ciclo recente. Isso ocorreu, em parte, porque a BNB Chain permanece entre os blockchains mais utilizados do mundo.
Além disso, o VBNB amplia a linha de produtos spot da gestora, que já inclui o ETF spot de Bitcoin HODL. Para a BNB Chain, o lançamento cria pela primeira vez uma via regulada e direta de acesso institucional à rede.
Corrida por ETFs de BNB avança
A VanEck foi a primeira gestora a protocolar um pedido de ETF de BNB, em maio de 2025. Posteriormente, a Grayscale entrou na disputa em janeiro de 2026, buscando aprovação para lançar um produto semelhante no mercado dos Estados Unidos.
Esse movimento reforça a institucionalização do setor. Afinal, veículos regulados costumam reduzir barreiras operacionais para investidores profissionais. Como resultado, também ampliam o alcance do ativo entre participantes tradicionais.
Grayscale aponta BNB Chain no pós-CLARITY Act
Em outro desenvolvimento relevante, Zach Pandl, chefe de pesquisa da Grayscale, citou recentemente a BNB Chain como uma das principais redes com potencial para captar fluxos institucionais caso o CLARITY Act seja aprovado. A avaliação apareceu em relatório da Grayscale.
No documento, Pandl afirmou que as mudanças regulatórias esperadas nos EUA representam uma “maré crescente” para casos de uso em blockchain. A lista inclui ativos tokenizados e finanças descentralizadas, o DeFi. Dessa forma, a indústria de ativos digitais pode ganhar fôlego adicional ao longo do tempo.
Ainda assim, o relatório argumenta que o capital institucional tende a priorizar blockchains já consolidados nesses segmentos. Nesse sentido, Ethereum, Solana e BNB Chain aparecem entre as redes mais favorecidas, já que combinam escala, uso real e maior visibilidade regulatória.
RWAs, stablecoins e DeFi reforçam a tese
No segmento de ativos tokenizados, o Ethereum segue na liderança. No entanto, o crescimento da BNB Chain levou a rede ao segundo lugar, com US$ 3,67 bilhões em valor de ativos distribuídos. A Solana, por sua vez, aparece atrás, com US$ 2,6 bilhões.
Embora esse indicador tenha recuado 4,24% no último mês, o volume de transferências de RWAs na rede avançou 121,62% no mesmo período. Com isso, o montante atingiu US$ 2,53 bilhões em 30 dias, segundo dados da RWA.xyz.
O número de detentores de RWAs na BNB Chain também cresceu de forma expressiva. Houve alta mensal de 68,47%, chegando a 77.155 holders em 1 de junho. Além disso, relatórios publicados no mês passado já haviam mostrado que a rede liderava o crescimento de detentores de RWAs entre os principais ecossistemas em 2026, com salto de 567% desde janeiro.
Pandl também incluiu a BNB Chain entre as líderes no setor de stablecoins, que ele descreveu como o centro das finanças on-chain. No começo deste ano, a rede ultrapassou Ethereum, Tron e Solana em participação nas transações.
Os dados mostram que, em março, a BNB Chain liderou o setor em número de transações com stablecoins. Assim, respondeu por cerca de 40% das operações globais com transferências de baixo valor, apesar de concentrar apenas 5% da oferta total dessas moedas digitais.
Atualmente, a rede soma US$ 231,9 bilhões em volume de transferências com stablecoins e 68,53 milhões de holders. Isso representa altas de 9,74% e 8% nos últimos 30 dias, respectivamente. Portanto, os números sinalizam maior adoção e utilidade da infraestrutura para pagamentos e transferências no mundo real.
O relatório da Grayscale também colocou a BNB Chain entre os principais ecossistemas de DeFi, com base no valor total bloqueado, o TVL, e no nível de atividade dos aplicativos. Em paralelo, a rede vem se consolidando como ponto de convergência entre finanças tradicionais e infraestrutura descentralizada.
Segundo a análise, instituições já utilizam a BNB Chain em produtos financeiros permissionados. Enquanto isso, investidores acessam ofertas on-chain relevantes, como Circle US Yield Coin, BlackRock BUIDL, Franklin Templeton Benji Technology Platform e Matrixdock XAUm.

Desempenho do BNB no gráfico semanal. Fonte: BNBUSDT no TradingView.
Em suma, a estreia do VBNB na Nasdaq, com taxa de 0,39% e custódia em cold storage pelo Anchorage Digital Bank, fortalece a presença institucional do BNB nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a avaliação da Grayscale reforça que a BNB Chain já ocupa posição relevante nas narrativas de RWAs, stablecoins e DeFi no mercado cripto.