BNB Plus perde gestor de BNB após suspensão na Nasdaq
A BNB Plus, antiga Applied DNA Sciences, encerrou sua relação com a Cypress e ficou sem um responsável identificado para a gestão diária de sua tesouraria em BNB. Além disso, a mudança ocorreu poucos dias depois de a Nasdaq suspender as ações da companhia. A empresa combina uma estratégia de tesouraria em BNB com o negócio de biotecnologia LineaRx.
Em 23 de julho, a BNB Plus formalizou o encerramento de contratos de gestão de ativos digitais, consultoria estratégica e assessoria com a Cypress LLC, a Cypress Management LLC e Patrick Horsman. Em documento apresentado em 29 de julho à SEC, a companhia aceitou pagar US$ 1 milhão em dinheiro.
Desse total, a empresa pagará US$ 500 mil no encerramento dos acordos. Os outros US$ 500 mil serão quitados em 12 parcelas mensais iguais. Ademais, a BNB Plus emitirá 200 mil ações preferenciais Série B-1 para as partes da Cypress, também em 12 parcelas. O acordo ainda prevê multa de US$ 1,25 milhão em caso de inadimplemento qualificado, com abatimento dos pagamentos mensais em dinheiro já realizados.
Saída da Cypress amplia dúvidas sobre a tesouraria
O ponto mais sensível envolve a antiga autoridade da Cypress sobre contas e carteiras de criptomoedas designadas pela empresa. A gestora tinha poder discricionário para operar esses ativos. Assim, com o fim desse mandato, os documentos posteriores não indicaram quem assumiu as decisões operacionais de investimento em BNB.
Patrick Horsman deixou o cargo de chief investment officer em 23 de julho. Em seguida, a empresa informou que Joshua Kruger, presidente do conselho e diretor, também deixaria o posto com efeito em 31 de julho.
A BNB Plus afirmou que a saída de Joshua Kruger não decorreu de desacordo com a companhia. Ainda assim, os registros não apontaram um sucessor para o cargo de chief investment officer. Também não indicaram um novo gestor de ativos para a tesouraria.
Dessa forma, a empresa desfez a estrutura anterior de administração discricionária dos ativos digitais. Contudo, ela não detalhou publicamente qual arranjo substituirá essa função.
O componente em ações do acordo também chama atenção. Isso porque os papéis não equivalem automaticamente a um novo pagamento em dinheiro. Pelos termos da Série B-1, o certificado da classe prevê preferência inicial de liquidação e preço de conversão de US$ 1,05 por ação.
Além disso, a estrutura inclui dividendo anual de 8% e uma fórmula de liquidação ligada à preferência acumulada e a dividendos não pagos. Em outras palavras, o contrato não define um valor de mercado realizável para as ações entregues.
A Cypress também aceitou um compromisso de standstill até 29 de setembro de 2030. O entendimento inclui ainda o cancelamento de 695.322 warrants consultivos da Série E-1 e a modificação de outros 1.291.312 warrants. Assim, quase 2 milhões de instrumentos foram afetados.

Suspensão na Nasdaq elevou a incerteza
O movimento ocorreu depois de a Nasdaq Stock Market suspender a negociação do ticker BNBX na abertura de 14 de julho. A decisão veio após um painel de audiências concluir pelo fechamento de capital na bolsa. O motivo foi o descumprimento da exigência de preço mínimo de oferta de US$ 1 por ação.
A BNB Plus havia dito que pretendia buscar revisão pelo Listing Council. No entanto, esse recurso não suspenderia a paralisação das negociações. A companhia também informou que o Form 25 só seria apresentado após o fim dos prazos de recurso.
Em 30 de julho, a página de relações com investidores da empresa exibia negociação em OTCQB sob o mesmo ticker BNBX. Porém, os registros citados não informaram o resultado de eventual análise do Listing Council. Também não confirmaram o protocolo do Form 25.
Mesmo sem um gestor operacional nomeado, alguns direitos sobre a tesouraria seguem descritos na documentação das ações preferenciais. O certificado da Série B-1 concede aos detentores da maioria dessas ações poderes de consentimento sobre determinadas transferências materiais de tesouraria.
Esses poderes abrangem garantias relacionadas à custódia e atos de subsidiárias da tesouraria. Há exceção para gravames de custódia ou staking definidos como de curso ordinário. Ainda assim, esses mecanismos funcionam como proteção contratual, não como designação de um gestor de investimentos em operação.
Custódia e volumes seguem sem atualização completa
No relatório trimestral encerrado em 31 de março, a BNB Plus informou deter 2.186 BNB por meio de subsidiárias. Além disso, a companhia reportou um valor a receber equivalente a 6.077 BNB após transferir esses tokens para a Hex Trust. Esses arranjos permitiam rehypothecation.
A empresa também declarou 435.638 unidades de trust OBNB. Porém, o documento de 29 de julho não atualizou esses volumes. Também não apresentou um mapa completo e atual da custódia.
Esse ponto amplia a incerteza sobre a estrutura de tesouraria da empresa. Afinal, o acordo com a Cypress encerrou a gestão discricionária anterior. Mesmo assim, os arquivos divulgados até agora não esclarecem quem passou a responder pelas alocações diárias em BNB.
Também seguem sem definição pública a supervisão das carteiras e a coordenação entre custódia, staking e demais operações ligadas aos ativos digitais da companhia.
Em suma, os documentos mostram que a BNB Plus rompeu com a Cypress em 23 de julho, aceitou pagar US$ 1 milhão em dinheiro e emitir 200 mil ações preferenciais Série B-1. Ao mesmo tempo, Patrick Horsman deixou o cargo de chief investment officer, Joshua Kruger teve saída informada para 31 de julho e a empresa não indicou um substituto para a gestão da tesouraria em BNB. Nesse meio tempo, suas ações continuavam sob os efeitos da suspensão imposta pela Nasdaq.