BNB testa cripto pós-quântica e TPS cai 40%

A BNB Chain testou uma atualização pós-quântica na BNB Smart Chain (BSC) com ML-DSA-44 e identificou aumento relevante no volume de dados, além de queda de desempenho.

A BNB Chain divulgou resultados de um experimento técnico voltado à adoção de cripto resistente a computadores quânticos. Nesse sentido, o teste confirmou a viabilidade estrutural da rede. No entanto, também revelou desafios relevantes ligados ao aumento de dados e à eficiência operacional.

Durante o experimento, a rede utilizou duas tecnologias principais. Em primeiro lugar, substituiu o modelo tradicional ECDSA pelo esquema ML-DSA-44, padronizado pelo NIST. Além disso, implementou o pqSTARK para agregação de votos no consenso, em substituição ao modelo BLS. Assim, a BNB avança na preparação para ameaças futuras.

Apesar dessas mudanças, elementos essenciais permaneceram compatíveis. Endereços, carteiras, RPCs e SDKs continuaram operando normalmente. Ainda assim, o aumento no tamanho das assinaturas impactou diretamente a eficiência da rede.

Estratégia de adoção da cripto pós-quântica

Testes focam em segurança de longo prazo

O relatório de migração foi publicado em 14 de maio de 2026. De acordo com o documento, os testes concentraram-se em duas camadas críticas da BSC: assinaturas de transações e agregação de votos no consenso.

No caso das assinaturas, a substituição do ECDSA representa uma mudança estratégica. Isso ocorre porque sistemas baseados em curvas elípticas podem se tornar vulneráveis com o avanço da computação quântica. Por outro lado, o uso de pqSTARK permitiu consolidar múltiplos votos de validadores em uma única prova criptográfica.

A BNB Chain destacou que a iniciativa não responde a uma ameaça imediata. Pelo contrário, busca antecipar riscos futuros. Afinal, tecnologias quânticas podem comprometer algoritmos amplamente utilizados no mercado de criptomoedas, como ECDSA e BLS12-381.

Assim sendo, o teste reforça uma tendência crescente no setor. Cada vez mais, projetos exploram soluções pós-quânticas com o objetivo de garantir segurança a longo prazo.

Aumento expressivo no volume de dados

Assinaturas maiores elevam tamanho de transações

O principal impacto observado foi o crescimento significativo no volume de dados. Uma assinatura padrão na BSC saltou de 65 bytes para 2.420 bytes com o ML-DSA-44. Da mesma forma, as chaves públicas aumentaram de 64 bytes para 1.312 bytes.

Como resultado, o tamanho médio de uma transação simples subiu de cerca de 110 bytes para quase 2,5 KB. Além disso, em um cenário com 2.000 transações por segundo, o tamanho de um bloco passou de aproximadamente 130 KB para cerca de 2 MB.

Fonte: WuBlockchain no X

Mesmo com esse aumento, os endereços da rede permaneceram com 20 bytes. Eles continuam derivados das novas chaves públicas. Além disso, ferramentas como carteiras e APIs não exigiram alterações, o que preserva a experiência do usuário.

Na camada de consenso, o impacto foi menor. Seis assinaturas de validadores somariam cerca de 14,5 KB antes da agregação. Contudo, com o pqSTARK, esse volume caiu para aproximadamente 340 bytes. Isso representa uma taxa de compressão próxima de 43 para 1.

Queda de desempenho e impacto no TPS

Redução de throughput levanta desafios

Apesar dos avanços técnicos, os testes apontaram uma queda relevante no desempenho. O número de transações por segundo caiu de 4.973 para 2.997. Em outras palavras, houve redução de cerca de 40%.

Esse impacto foi mais evidente em transferências nativas. Isso ocorre porque essas operações utilizam menos gas por byte. Assim, assinaturas maiores fazem com que os limites de dados por bloco sejam atingidos mais rapidamente.

A finalização das transações manteve estabilidade no nível mediano. O indicador P50 permaneceu em dois slots. No entanto, o P99 para transferências nativas subiu de dois para 11 slots. Esse aumento reflete atrasos na propagação de blocos entre regiões.

Segundo a BNB Chain, esse comportamento está diretamente ligado ao aumento no tamanho dos blocos. Ou seja, não há falhas no mecanismo de consenso.

Em suma, o relatório conclui que a cripto pós-quântica é tecnicamente viável na BSC. Ainda assim, o custo em eficiência representa um obstáculo relevante. Dessa forma, escalabilidade e gestão de dados seguem como desafios centrais antes de uma adoção em larga escala.

O autor:

Contabilidade de Criptomoedas