Bolsa de valores cai após relatório de empregos dos EUA
A bolsa de valores dos Estados Unidos caiu nesta sexta-feira, após o relatório de empregos de agosto superar as expectativas. Com isso, investidores ampliaram as apostas em uma alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro. O movimento pressionou os três principais índices de Wall Street.
O Dow Jones Industrial Average recuou cerca de 0,7%, ou aproximadamente 380 pontos. Enquanto isso, o S&P 500 caiu 0,5%, e o Nasdaq Composite perdeu cerca de 0,4%. Mesmo assim, os três índices permaneceram próximos de suas máximas históricas.
Mercado reage à força dos dados de emprego
O relatório apontou a criação de 162 mil vagas em agosto. Economistas projetavam somente 55 mil novos empregos para o período. Portanto, o resultado indicou que o mercado de trabalho permanece resiliente. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, em linha com a projeção.

Fonte: E-Mini S&P 500 Sep 26
Diante do resultado, investidores passaram a avaliar se o Fed usaria o relatório como justificativa para elevar os juros. Segundo dados do CME Group, operadores atribuíram cerca de 60% de probabilidade a uma alta em setembro. Assim, o cenário mudou de forma clara em relação ao início da semana.
“A economia dos Estados Unidos criou 162 mil empregos em agosto, bem acima da expectativa de 55 mil. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, em linha com a projeção. O número de empregos de julho também teve revisão positiva de 43 mil vagas.”
Fonte: The Kobeissi Letter no X
Fed avalia relatório antes dos próximos dados de inflação
O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que não atribui peso excessivo a um único relatório. Também avaliou que os dados salariais têm menos relação com a inflação do que parte do mercado acredita. Desse modo, o número de empregos pode ter impacto limitado sobre a decisão do banco central.
Ainda assim, alguns analistas avaliam que o relatório isolado pode não assegurar uma alta dos juros. Agora, o próximo indicador relevante será o Índice de Preços ao Consumidor de agosto, previsto para 11 de setembro. Depois, o mercado acompanhará novos sinais sobre a trajetória da inflação.
Contudo, o índice de Despesas de Consumo Pessoal, medida de inflação preferida do Fed, deve sair apenas em 30 de setembro. Como a publicação ocorrerá após a reunião do banco central, os dirigentes não terão acesso ao dado durante a decisão. Consequentemente, as autoridades podem agir antes de conhecer esse indicador.
Na sexta-feira, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram com o ajuste das projeções para os juros. Apesar das perdas nos índices, a queda moderada pode indicar confiança na capacidade da economia de suportar taxas maiores. Nesse cenário, parte dos investidores também pode aguardar revisões dos dados antes de realizar movimentos maiores.
Lululemon pressiona o sentimento dos investidores
Fora do cenário macroeconômico, a Lululemon representou o principal destaque negativo entre as ações. Os papéis caíram cerca de 16% após a companhia reduzir suas projeções de receita e lucro. A empresa também informou queda na receita do segundo trimestre. Com isso, o desempenho aumentou a pressão sobre o sentimento do mercado.
A agenda não incluía outros grandes balanços corporativos para a sexta-feira. Por isso, o resultado da Lululemon ganhou relevância durante a sessão. Ao mesmo tempo, investidores dividiram a atenção entre os dados de emprego e as novas projeções da companhia.
Ao fim do pregão, o S&P 500 fechou perto de 7.708 pontos. O Dow encerrou próximo de 53.301 pontos, enquanto o Nasdaq ficou em torno de 26.463 pontos. Nesse contexto, a bolsa de valores refletiu o aumento das expectativas por uma política monetária mais restritiva.