Bots impulsionam arbitragem na Polymarket
Automação domina mercados de previsão em 2026
A Polymarket voltou ao centro das discussões após relatos de altas taxas de acerto em operações rápidas. O cenário ganhou força quando usuários divulgaram desempenhos considerados excepcionais, o que atraiu iniciantes e ampliou a busca por estratégias automatizadas. Muitos acreditaram que resultados tão altos seriam replicáveis, mas análises mostram que bots se tornaram determinantes.
A plataforma opera com mercados binários, onde cada contrato vencedor paga US$1 no encerramento. Antes disso, os valores oscilam conforme a percepção de probabilidade. Essa dinâmica cria momentos breves de arbitragem quando ambos os lados ficam subvalorizados. Foi justamente nesse tipo de distorção que surgiram as operações que despertaram atenção.
Bots exploram mercados rápidos de Bitcoin
A conta Account88888 se destacou ao atuar exclusivamente nos mercados de Bitcoin com intervalos de 15 minutos. Ela aproveitou momentos em que a soma dos preços de alta e queda ficava abaixo de US$1. Assim, comprava simultaneamente ambas as posições e garantiu lucros sempre que as distorções apareciam. Em um ciclo observado, foram apostados US$35.928,78, resultando em US$62.860,52.
A taxa de acerto próxima de 100% gerou estranhamento. Traders experientes apontaram que seria inviável replicar esse padrão manualmente. Assim, ganharam força avaliações de analistas como Marlow, que monitora contas com esse comportamento há meses. Para ele, os padrões revelam atuação automática e não humana.
Segundo Marlow, os bots não tentam prever oscilações. Eles apenas identificam situações em que a soma dos preços cai abaixo de US$1. Quando isso ocorre, compram os dois lados e aguardam o fim do ciclo. Como o lado vencedor sempre paga US$1, o lucro vem da diferença. Ele afirma que a velocidade de execução desses agentes inviabiliza qualquer comparação com operações manuais.
Moltbot ganha espaço entre traders
Com o aumento do interesse por automação, ferramentas como Clawdbot, agora chamada Moltbot, começaram a ganhar destaque. Criado por Peter Steinberger, o agente funciona localmente no computador do usuário e integra um modelo de linguagem com ações reais no sistema. Ele consegue instalar programas, executar comandos e interagir com navegadores. Além disso, o controle ocorre por aplicativos de mensagem como WhatsApp, Telegram e iMessage.
A presença do Moltbot na Polymarket cresceu após o trader Xmaeth detalhar como configurou o agente para operar mercados de Bitcoin em ciclos de 15 minutos. Ele disponibilizou US$100 e acesso via API ao bot, pedindo uma estratégia conservadora. Em poucas horas, segundo o relato, o valor subiu para US$347, reforçando o papel estratégico da automação em 2026.

Fonte: X
Riscos aumentam com mais bots
Mesmo com resultados chamativos, especialistas destacam que a automação não transforma mercados de previsão em ferramentas de lucro garantido. O uso de bots exige configuração técnica, confiança no software e exposição direta ao capital. Além disso, muitos casos viralizados mostram ganhos em janelas curtas, o que não assegura sustentabilidade no longo prazo.
A entrada de bots também reduz a eficácia das oportunidades de arbitragem. Com mais agentes disputando as mesmas brechas, os preços se ajustam mais rápido, diminuindo margens de lucro. No entanto, cresce a preocupação sobre como reguladores podem agir diante da automação em uma plataforma já pressionada por questões regulatórias.
No curto prazo, operações como as da Account88888 e o uso do Moltbot mostram como a Polymarket evoluiu para um ambiente onde velocidade e precisão geram vantagem competitiva. Porém, essa mesma dinâmica eleva riscos e aumenta a competição, tornando o domínio técnico tão importante quanto a própria automação.