Brasil é 5º mercado de criptomoedas, diz TRM Labs
O Brasil consolidou sua posição entre os maiores mercados de criptomoedas ao ocupar o quinto lugar global em volume de varejo no primeiro trimestre de 2026. Conforme levantamento da TRM Labs, o país movimentou cerca de US$ 40,4 bilhões no período, atrás apenas de Estados Unidos, Coreia do Sul, Rússia e Índia.
Além disso, o desempenho mantém o Brasil à frente de economias tradicionais como Reino Unido e Alemanha, o que reforça sua relevância na adoção de ativos digitais.
Brasil segue entre líderes mesmo com queda global
Apesar da retração no mercado de criptomoedas, o Brasil preservou sua posição no ranking. No primeiro trimestre de 2026, o volume global de varejo somou US$ 979 bilhões, queda de 11% na comparação anual.
Esse recuo ocorre, sobretudo, em função de juros elevados e do fortalecimento do dólar. Ainda assim, o mercado brasileiro mostrou resiliência. O volume local caiu 12% frente aos US$ 45,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O ranking global é liderado pelos Estados Unidos, com US$ 213,3 bilhões. Em seguida aparecem Coreia do Sul, com US$ 66,6 bilhões, Rússia com US$ 47,5 bilhões, Índia com US$ 46,2 bilhões e Brasil com US$ 40,4 bilhões.
Na sequência, completam o top 10 Turquia, Reino Unido, Vietnã, Ucrânia e Alemanha. Nesse sentido, observa-se uma crescente regionalização da atividade no mercado cripto.
Mercados emergentes sustentam adoção
O relatório aponta diferenças claras entre economias desenvolvidas e emergentes. Enquanto países ricos registraram queda no apetite por risco, mercados emergentes mantiveram uso mais estável.
Isso ocorre porque, nesses países, as criptomoedas atendem demandas práticas. Entre elas estão proteção de valor e acesso a moedas fortes. Dessa forma, o uso vai além da especulação.
No Brasil, esse comportamento aparece no avanço do uso de stablecoins, especialmente em cenários de instabilidade econômica e busca por alternativas ao sistema financeiro tradicional.
Stablecoins ganham protagonismo global
As stablecoins desempenham papel central na expansão do mercado de criptomoedas. Em países com inflação elevada ou restrições financeiras, esses ativos funcionam como alternativa ao sistema bancário.
Um exemplo é a Venezuela, que ocupa a 17ª posição no ranking global, com US$ 17,9 bilhões movimentados no trimestre. Nesse caso, mais de 90% das ofertas em plataformas P2P estavam denominadas em USDT.
Assim, esses ativos deixam de ser apenas instrumentos especulativos e passam a atuar como meio de pagamento e reserva de valor. Além disso, oferecem acesso indireto ao dólar.
Crescimento das stablecoins em euro
Outro destaque é a expansão das stablecoins em euro. O volume mensal saltou de US$ 69 milhões em janeiro de 2025 para US$ 777 milhões em março de 2026. Ainda assim, representam menos de 0,3% do volume total.
Esse avanço reflete maior clareza regulatória na União Europeia, bem como a busca por alternativas ao sistema dolarizado. Além disso, houve maior integração dessas moedas em plataformas financeiras.
No Brasil, embora não haja detalhamento por ativo no relatório, dados recentes indicam forte presença de stablecoins, especialmente o USDT, nas transações declaradas.
Geopolítica também molda o mercado cripto
Fatores geopolíticos seguem influenciando o uso de criptomoedas. O Irã exemplifica esse cenário. O volume associado ao país caiu 59% em relação ao primeiro trimestre de 2024.
Segundo a TRM Labs, a queda está ligada a sanções mais severas, interrupções de internet e ações direcionadas a plataformas digitais.
Pressão regulatória afeta infraestrutura
Em janeiro de 2026, autoridades dos Estados Unidos sancionaram duas exchanges acusadas de facilitar transações ligadas a entidades iranianas. Como resultado, a abordagem passou a atingir também a infraestrutura dessas operações.
Ainda assim, o uso de criptomoedas no varejo iraniano persiste, principalmente via stablecoins e transações de menor valor.
Em suma, o cenário global mostra um mercado menos homogêneo. Enquanto economias avançadas recuam, países como Brasil, Índia, Turquia e Venezuela mantêm relevância. Nesse contexto, o volume de US$ 40,4 bilhões reforça o papel do Brasil como um dos principais polos de atividade cripto no mundo.