Butão reduz reservas de Bitcoin após vendas em 2026
O governo do Butão segue reduzindo suas reservas de Bitcoin. Dados on-chain da Arkham Intelligence mostram que carteiras ligadas ao braço soberano Druk Holdings transferiram recentemente mais 100 BTC, equivalentes a cerca de US$ 8,1 milhões.
O movimento reforça uma tendência observada ao longo de 2026. Até agora, o país já liquidou mais de US$ 230 milhões em Bitcoin neste ano. Ainda assim, mantém aproximadamente US$ 252 milhões em reservas. No momento da apuração, o BTC era negociado próximo de US$ 80.748.
Saídas recentes indicam continuidade nas vendas
Dados da Arkham Intelligence apontam múltiplas saídas de BTC em carteiras associadas ao Druk Holdings. Assim, o padrão indica uma estratégia consistente de redução de exposição ao ativo.
Principais movimentações identificadas
Entre as transações mais recentes, três operações se destacam. Em primeiro lugar, 90,8 BTC foram transferidos, avaliados em cerca de US$ 7,38 milhões. Além disso, houve o envio de 5 BTC, equivalente a aproximadamente US$ 411 mil. Por fim, outras 4,5 BTC foram movimentadas, com valor estimado em US$ 370 mil.
Todas as operações ocorreram em um curto intervalo de tempo. Além disso, os ativos foram direcionados a endereços externos, o que geralmente sinaliza intenção de venda. Esse comportamento, portanto, acompanha meses consecutivos de saídas das carteiras governamentais.

Fonte: Arkham
Segundo a Arkham, o Butão vende cerca de US$ 50 milhões em BTC por mês desde o início de 2026. Em paralelo, dados históricos indicam que o país acumulou mais de 13.000 BTC entre 2024 e 2025. Desde então, porém, os saldos vêm diminuindo de forma consistente.
Mineração estatal impulsionou reservas
Diferentemente de outros governos, o Butão não adquiriu Bitcoin diretamente no mercado. Em vez disso, acumulou seus ativos por meio de mineração financiada pelo Estado, utilizando energia hidrelétrica abundante no país.
Eficiência energética como vantagem
Essa estratégia trouxe ganhos relevantes. Em primeiro lugar, permitiu o uso de energia renovável de baixo custo. Além disso, viabilizou o acúmulo de BTC em períodos de preços mais baixos. Como resultado, reduziu a dependência de compras em momentos de alta no mercado.
Com isso, o país construiu uma das maiores reservas soberanas de Bitcoin do mundo. No entanto, ao longo de 2026, a estratégia mudou. Agora, o foco está na monetização dos ativos. Caso o Butão liquide todo o volume restante aos preços atuais, o lucro on-chain pode chegar a aproximadamente US$ 767 milhões.
Impactos no mercado cripto
A movimentação do Butão reflete uma mudança mais ampla na postura de governos em relação ao mercado de criptomoedas. Em vez de manter o Bitcoin apenas como reserva estratégica, o país passou a gerir ativamente sua posição.
Oferta adicional e efeitos nos preços
Esse comportamento tem implicações diretas para investidores. Afinal, liquidações governamentais aumentam a oferta no mercado, especialmente em períodos de menor liquidez. Dessa forma, podem gerar pressão de curto prazo sobre os preços.
Por outro lado, a estratégia contrasta com a de países como El Salvador, que segue acumulando Bitcoin. O Butão, portanto, adota uma abordagem mais tática, priorizando gestão de tesouraria e realização de lucros.
Ritmo atual pode levar a reservas próximas de zero
No ritmo atual de vendas, estimado em cerca de US$ 50 milhões por mês, os mais de 3.100 BTC restantes podem ser liquidados em poucos meses. Assim, o país pode reduzir suas reservas a níveis mínimos ainda em 2026.
Em suma, os dados indicam uma transição clara: o Butão saiu da fase de acumulação via mineração para uma estratégia ativa de realização de ganhos. Esse movimento reforça um modelo alternativo de gestão soberana de Bitcoin, baseado em produção, valorização e posterior liquidação conforme as condições de mercado.