Câmara discute Drex e propõe regras de privacidade
A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados avançou na discussão sobre o Drex, a moeda digital em estudo pelo Banco Central do Brasil. O colegiado apresentou um parecer com diretrizes para uma eventual implementação no país. Assim, mesmo após ajustes e revisões no escopo conduzidos pela autoridade monetária, o tema segue relevante no Legislativo.
O relatório foi elaborado pelo deputado Lafayette de Andrada, com base no Projeto de Lei nº 4.212/2025, de autoria da deputada Bia Kicis. Conforme o texto, a digitalização do sistema financeiro deve avançar, desde que preserve direitos fundamentais. Em outras palavras, a inovação precisa caminhar com limites bem definidos.
Além disso, a movimentação da Câmara sinaliza maior interesse do Congresso em influenciar a regulação de moedas digitais. Ao mesmo tempo, o Banco Central revisa aspectos técnicos do Drex, o que reforça a importância do debate institucional.
Privacidade e garantias individuais no foco
Um dos principais pontos do parecer envolve a proteção de direitos individuais. O texto estabelece que o Drex não poderá substituir o dinheiro em espécie de forma obrigatória. Dessa forma, preserva-se a liberdade de escolha dos cidadãos.
Além disso, o relatório veda o uso da moeda digital como ferramenta de vigilância política, ideológica ou religiosa. Ainda assim, admite acesso a dados financeiros individualizados mediante autorização judicial, salvo exceções previstas em lei para investigação de crimes.
Outro destaque relevante é a proibição de discriminação no uso do sistema. Ou seja, transações não deverão ser bloqueadas com base em opiniões ou características pessoais. Assim sendo, a proposta reforça a neutralidade da infraestrutura monetária.
Com o intuito de ampliar a confiança no sistema, o parecer também sugere mecanismos de governança. Entre eles, auditorias independentes, transparência e prestação de contas. Por conseguinte, busca-se reduzir riscos operacionais e institucionais.
Inclusão financeira e desafios técnicos
A inclusão financeira aparece como outro eixo central. O texto indica que a adoção do Drex não deve prejudicar pessoas sem acesso à tecnologia. Portanto, a manutenção do dinheiro físico segue como elemento essencial.
Ao mesmo tempo, o relator reconhece benefícios associados às moedas digitais de bancos centrais. Entre eles, maior eficiência nos pagamentos, possibilidade de redução de custos e estímulo à inovação. Contudo, também aponta riscos relevantes.
Em especial, a rastreabilidade das transações levanta preocupações sobre privacidade. Por isso, o parecer tenta equilibrar avanços tecnológicos com garantias individuais. Esse debate também ocorre em âmbito internacional.
Tramitação e próximos passos
O voto do relator é favorável à aprovação do projeto na forma de um substitutivo. Nesse sentido, o texto flexibiliza a exigência de uma lei específica para emissão da moeda digital, embora mantenha mecanismos de controle institucional.
Na sequência, a proposta seguirá para as comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça. Somente após essas etapas poderá avançar ao plenário da Câmara e, posteriormente, ao Senado.
Enquanto isso, o debate sobre o Drex segue em paralelo às iniciativas técnicas do Banco Central. Dessa maneira, diferentes frentes institucionais contribuem para a construção do modelo.
Em conclusão, a discussão reflete um esforço de equilibrar inovação financeira com garantias de liberdade, privacidade e inclusão. O desfecho desse processo tende a influenciar diretamente o formato final da moeda digital no Brasil.