Canaan expande operações de energia e mineração no Texas

A Canaan Inc. (CAN), fabricante de hardware para mineração de bitcoin e operadora de infraestrutura de mineração de criptomoedas, ampliou sua presença no setor energético. A empresa informou a compra da participação de 49% que pertencia à Cipher Mining Technologies Inc. em três projetos de mineração no oeste do Texas. A operação reforça a estratégia da empresa, que busca integrar energia de baixo custo a estruturas de computação avançada e mineração de Bitcoin.

A transação, avaliada em aproximadamente US$39,75 milhões, ocorreu por meio da emissão de ações da Canaan, precificadas a US$0,7394 por American Depositary Share. Como resultado, a Cipher assumiu uma participação acionária relevante na Canaan, fortalecendo o vínculo estratégico entre as duas empresas.

Ampliação da capacidade energética no Texas

Os ativos adquiridos englobam as empresas Alborz LLC, Bear LLC e Chief Mountain LLC. Juntas, elas oferecem 120 MW de capacidade energética e entregam 4,4 EH/s de hashrate em operações de mineração de Bitcoin. Além disso, fazem parte do acordo 6.840 máquinas Avalon A15Pro-AVG-221T, compradas pela Cipher em meados de 2025. Essas unidades estão instaladas no local conhecido como Black Pearl, que passa por conversão para um data center voltado para inteligência artificial e computação de alta performance.

Um dos principais diferenciais dos projetos é o custo extremamente competitivo da energia. As instalações utilizam tarifas abaixo de 3 centavos de dólar por kWh dentro da rede ERCOT, entre as menores registradas nos Estados Unidos. Além disso, o local Alborz utiliza energia eólica off-grid, garantindo uma oferta energética diversificada e estável.

As ações da Canaan, hoje,  avançaram 10%, aproximando-se de US$0,47 por ação.

Integração entre energia e computação

Com o controle direto dos ativos energéticos, a empresa reforça sua estratégia focada em ampliar sua infraestrutura e garantir acesso preferencial a energia de baixo custo. Assim, cria uma base sólida para expandir serviços de colocation e operações de alta intensidade computacional, como IA e HPC. Essa abordagem também marca a evolução da companhia em direção a um modelo de maior exposição energética upstream.

A parceria com a WindHQ LLC, que mantém 51% dos projetos, garante sinergia operacional. A WindHQ contribui com expertise em energia eólica, infraestrutura elétrica e gestão de data centers, além de conhecimento local para operações no mercado ERCOT.

Os projetos ABC ainda possuem capacidade de integrar programas de resposta à demanda. Portanto, a Canaan pode contribuir com a estabilidade da rede elétrica ao mesmo tempo em que mantém cargas computacionais intensivas e flexíveis.

Como parte do acordo, a Canaan também adquiriu 6.840 plataformas de mineração Avalon A15Pro que estavam anteriormente implantadas nas instalações Black Pearl da Cipher, que estão sendo convertidas em um centro de dados de IA e computação de alto desempenho.

Controle sobre ativos de energia

Segundo o CEO da Canaan, Nangeng Zhang, a aquisição representa um passo estratégico importante para ampliar a atuação da companhia no mercado norte-americano. Já o CEO da Cipher, Tyler Page, destacou que a decisão de receber ações reflete a visão de longo prazo e confiança no potencial de crescimento da empresa chinesa.

A mudança recente da Canaan para um modelo voltado ao desenvolvimento energético demonstra a transição de uma operação mais leve para outra focada em planejamento estratégico e expansão sustentável. Além disso, a combinação entre mineração de Bitcoin e operações de IA e HPC deve aumentar a eficiência do capital investido e fortalecer a criação de um portfólio escalável, potencialmente próximo ao nível de gigawatts.

Em 2026, a Canaan pretende seguir um plano disciplinado, com financiamentos estruturados em nível de projeto e novas parcerias para viabilizar crescimento escalável e eficiente.

Com a conclusão da aquisição no Texas, a empresa consolida sua presença no setor de energia e computação avançada. Assim, posiciona-se de forma estratégica para atender à crescente demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial.