Cardano testa Leios sob queda do ADA e ataque à SecondFi
O Cardano entrou em uma nova etapa de testes de escalabilidade enquanto avançava com o hard fork Van Rossem. Ainda assim, o progresso técnico ocorreu sob forte pressão no mercado. O ADA era negociado perto de US$ 0,14, no menor nível desde 2020.
O token acumulava queda superior a 55% em 2026. Além disso, corria o risco de deixar o grupo das 20 maiores criptomoedas por valor de mercado, caso o desempenho negativo persistisse.
Ao mesmo tempo, dados da CoinGlass mostravam uma leitura mais mista entre traders. Na Binance, havia cerca de 2,1 contas compradas em ADA para cada conta vendida. Entre os principais traders da corretora, essa relação girava em torno de 2,49. Na OKX, o índice indicava cerca de 1,46 contas compradas para cada conta vendida.
Contudo, o tamanho das posições mostrava outro sinal. Entre os principais traders da Binance, a razão agregada de posições ficou em 0,9754. Dessa forma, esse grupo permaneceu levemente inclinado para o lado vendedor, apesar do maior número de contas apostando em alta.
Falha na SecondFi agrava pressão sobre o ADA
Esse cenário já pressionava a economia da rede. Projetos como TapTools e JPG Store reduziram operações ou encerraram atividades ao longo do ano. Além disso, a situação piorou quando a SecondFi, sucessora da carteira Yoroi, revelou uma falha ligada ao software usado para gerar carteiras do Cardano.
Em comunicado, a empresa informou que usuários perderam aproximadamente 16 milhões de ADA distribuídos por 374 endereços. Pelo preço recente do token, o valor roubado equivalia a cerca de US$ 2,4 milhões.
Segundo a SecondFi, engenheiros iniciaram medidas emergenciais durante o ataque. Assim, conseguiram proteger cerca de 129 milhões de ADA antes que os invasores drenassem esses fundos. Em seguida, a empresa transferiu os ativos recuperados para um custodiante independente de terceiros, que passou a mantê-los em nome dos usuários afetados.
Exposição de chaves privadas elevou o dano
Mitchell Amador, CEO e fundador da empresa de segurança blockchain Immunefi, afirmou que a falha expôs as chaves privadas geradas pelo software da carteira.
“O software de carteira da SecondFi expôs as chaves privadas que gerava, e nossa pesquisa acompanha exatamente esse movimento há dois anos. Comprometimentos de chaves dentro de protocolos DeFi caíram para 8,1% das perdas até 2025 porque as equipes fortaleceram sua gestão de chaves.
Os atacantes não desistiram. Eles migraram para onde as chaves são mantidas em massa: corretoras como a Bybit, custodiantes e, agora, o próprio código de geração de carteiras.”
Até a publicação da notícia original, a provedora dizia ter identificado a origem da vulnerabilidade e corrigido as contas não afetadas. Além disso, alertou os clientes para não restaurarem frases de recuperação comprometidas em outras carteiras do Cardano. Segundo a empresa, essa medida não eliminaria o risco subjacente.
A SecondFi também contratou uma firma externa de contabilidade para realizar uma auditoria especial sobre os fundos recuperados. Paralelamente, abriu um processo para receber solicitações de ressarcimento.
Leios entra em testes públicos no Cardano
Em paralelo à turbulência, a Input Output lançou a testnet pública Musashi Dojo para avaliar o Ouroboros Leios em condições realistas e adversas. O objetivo central é responder a uma crítica antiga sobre o Cardano: a limitação da camada base para processar transações em escala.
O Leios introduz um segundo tipo de bloco ao lado do bloco Praos já existente. Assim, cada tipo de bloco assume funções diferentes. Isso permite elevar a taxa de processamento sem substituir o sistema de consenso que protege a rede desde a era Shelley.
Charles Hoskinson, fundador do Cardano, descreveu a testnet do Leios como resultado de cerca de uma década de pesquisa. O foco foi avaliar se sistemas probabilísticos de proof-of-stake podem entregar garantias matemáticas de segurança comparáveis às associadas ao Bitcoin.
Capacidade pode crescer até 20 vezes
A Input Output estima que essa arquitetura pode ampliar a capacidade de processamento entre cinco e 20 vezes na camada de consenso. No entanto, a testnet pública não utiliza ADA real. Seu foco está em testar, parametrizar e validar o desenho técnico, e não em produzir números chamativos de desempenho.
Operadores independentes de stake pools, desenvolvedores e outros participantes da comunidade serão incentivados a estressar a rede. Dessa maneira, poderão encontrar fragilidades e tentar quebrar o sistema sob condições exigentes. Os resultados devem refinar o software antes de qualquer decisão sobre implementação na rede principal.
O cronograma de testes será dividido em cinco fases: Earth, Water, Fire, Wind e Void. A referência vem de “O Livro dos Cinco Anéis”, de Miyamoto Musashi. A meta dos desenvolvedores é concluir rodadas repetidas até o fim do ano. Ainda assim, a Input Output não divulgou uma data definitiva para levar o Leios à mainnet.
Hard fork Van Rossem prepara a era Dijkstra
Além da testnet, o Cardano avançou com o hard fork Van Rossem, formalmente identificado como Protocol Version 11. A proposta de ativação foi submetida ao sistema de governança da rede principal em 16 de junho, durante a Epoch 637. Antes disso, as redes Preview e Preprod passaram por semanas de testes e preparação de infraestrutura.
O Van Rossem funciona como um hard fork intra-era. Em outras palavras, essa estrutura permite adicionar novos recursos sem exigir uma transição imediata para uma nova era de desenvolvimento. Com isso, a rede busca reduzir interrupções para corretoras, carteiras, aplicativos descentralizados e operadores de stake pools.
Essa atualização também prepara a arquitetura do Cardano para a era Dijkstra. Nesse estágio, o Leios deve começar a se aproximar de uma integração à rede principal. Embora façam parte do mesmo roteiro, Van Rossem e Leios cumprem papéis distintos.
Rede principal ainda aguarda ativação
A Intersect informou que 86% da produção de blocos já rodava na versão 11 do node conforme a Epoch 638 se aproximava do fim. Por outro lado, a prontidão das corretoras, medida por liquidez, estava em 50,24%.
Esses números mostram que a adoção pelos produtores de blocos avançou mais rapidamente do que a preparação das plataformas de negociação. Portanto, o hard fork ainda depende do processo de governança do Cardano e não foi ativado na rede principal.
Nos próximos meses, investidores devem observar três frentes. Em primeiro lugar, o mercado acompanhará se o Leios resistirá aos testes públicos. Em segundo lugar, será importante verificar se corretoras e operadores de stake pools concluirão a transição do Van Rossem. Por fim, a recuperação da confiança também dependerá do ressarcimento aos usuários afetados pela SecondFi.
Nesse meio tempo, os dados mais recentes apontavam ADA perto de US$ 0,14, perda anual superior a 55%, cerca de 16 milhões de ADA roubados em 374 endereços e 129 milhões de ADA protegidos na resposta emergencial. Ao mesmo tempo, 86% da produção de blocos já operava com a versão 11 do node, enquanto a prontidão das corretoras marcava 50,24%.