Cardano vai passar núcleo técnico a equipes externas
A Input Output, empresa de desenvolvimento por trás da Cardano, anunciou na sexta-feira que vai transferir o controle da infraestrutura central da blockchain para equipes externas. Segundo a companhia, a medida busca reduzir a dependência da rede em relação à organização que a criou. Assim, o plano marca uma nova etapa da descentralização do ecossistema.
Input Output amplia distribuição técnica da rede
A mudança atinge componentes centrais da Cardano, incluindo o nó em Haskell, a plataforma de contratos inteligentes Plutus, a carteira Daedalus, a tecnologia de escalabilidade Hydra e a relação com desenvolvedores. A rede já havia levado à comunidade as decisões ligadas ao protocolo e à governança. Agora, além disso, pretende distribuir a responsabilidade pelo desenvolvimento e pela manutenção do software.
“A etapa final da era Voltaire é a descentralização total do desenvolvimento do nó e dos designs de referência”, afirmou Charles Hoskinson, fundador da Cardano e diretor executivo da Input Output, em comunicado divulgado pela empresa.
Entre os grupos citados estão a Se7en Labs, agência de desenvolvimento focada em infraestrutura da blockchain Solana, e a Teragone, equipe de software e pesquisa em cripto que lidera o Mithril. O protocolo usa assinaturas baseadas em participação e foi criado para a Cardano. As duas companhias passarão a responder por parte desses componentes técnicos.
O processo de transição começará em agosto e deve seguir até 2027. Conforme o plano apresentado, equipes independentes deverão manter ao menos três implementações de Cardano, escritas em Haskell, Rust e Go. Organizações do ecossistema, como Intersect e Pragma, ficarão responsáveis por supervisionar as especificações formais. Enquanto isso, o desenvolvimento seguirá submetido à revisão e à votação da comunidade.
Com isso, a Input Output deve concentrar mais esforços em pesquisa e em novos projetos por meio da IO Labs e da IO Ventures. Nesse sentido, a empresa tenta liberar recursos para inovação sem abandonar a estrutura principal da rede.
Empresas externas assumirão partes críticas do software
A decisão representa uma mudança estrutural para a Cardano. Afinal, a rede passa a depender menos de um único núcleo de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o modelo exigirá coordenação técnica entre diferentes grupos. Isso pode acelerar entregas, mas também aumentar a complexidade operacional.
Charles Hoskinson afirmou ainda estar “extremamente orgulhoso” por ver Cardano chegar a essa fase final. Segundo ele, os parceiros envolvidos já estão preparados e o ecossistema agora conta com opções mais diversas. Dessa forma, o plano combina início em agosto, continuidade até 2027 e manutenção de três implementações independentes.
Anúncio ocorre em meio a atividade fraca na rede
O movimento acontece em um momento de desempenho mais fraco para a Cardano. Atualmente, o valor total bloqueado, ou TVL, da rede gira em torno de US$ 70 milhões. Em contrapartida, concorrentes como Tron e Solana superam US$ 4 bilhões cada. O token nativo ADA também acumula forte desvalorização. Na sexta-feira, era negociado perto de US$ 0,16, cerca de 95% abaixo do recorde de US$ 3,10 registrado em setembro de 2021.
Charles Hoskinson reconheceu recentemente os problemas enfrentados pela rede e alertou que novos tropeços ainda devem ocorrer como parte do amadurecimento do projeto. No começo do ano, ele já havia dito que a deterioração das condições de mercado levaria ao encerramento de muitos projetos.
“Até mesmo Cardano precisa passar por dores de crescimento extremamente desconfortáveis”, disse Hoskinson em um vídeo. “É necessário romper barreiras. Crescimentos abruptos precisam acontecer. Altos e baixos. Os fracassos são essenciais para fortalecer a confiança no sistema.”
Na avaliação do fundador, a rede precisa de mais equipes especializadas para definir metas e direcionar recursos. Além disso, ele entende que o projeto perdeu ritmo de expansão. Por isso, a transferência do desenvolvimento para várias empresas pode diminuir a dependência em relação à Input Output. No entanto, a mudança também testará a capacidade desses grupos independentes de manter o software sem desacelerar a evolução da rede nem criar falhas de coordenação.
Plano até 2027 deve testar o ecossistema
Em suma, a Cardano tenta concluir a descentralização não apenas da governança, mas também da base técnica que sustenta a blockchain. Se o plano funcionar, a rede poderá ganhar mais resiliência e diversidade de desenvolvimento. Ainda assim, o cenário de baixa atividade e o fraco desempenho do ADA aumentam a pressão por resultados concretos nos próximos meses.