Cartas Pokémon superam S&P 500 e Bitcoin em três meses
O índice de Cartas Pokémon registrou retorno de 22,8% nos últimos três meses. Com isso, superou o mercado acionário dos Estados Unidos e o Bitcoin.
No mesmo período, o S&P 500 avançou 4,7%, enquanto o Bitcoin recuou 20,7%. O índice acionário reúne 500 grandes empresas listadas nos Estados Unidos e serve como referência para o mercado local.

Fonte: Rand Group, em publicação no X.
Colecionáveis ampliam vantagem em 2026
Os dados trimestrais reforçam uma tendência observada durante grande parte de 2026. No acumulado do ano, o índice de Cartas Pokémon subiu cerca de 28%, ante aproximadamente 13% do S&P 500.
Em contrapartida, o Bitcoin acumulou queda de 29% e era negociado na faixa inferior de US$ 60 mil. Dessa forma, os colecionáveis ampliaram sua vantagem sobre os dois mercados no período analisado.
Os números do varejo também sustentam a demanda por esses produtos. A Target informou que as vendas de cartas colecionáveis cresceram quase 70% no ano anterior.
Nesse ritmo, a categoria caminhava para superar US$ 1 bilhão em vendas. Os produtos Pokémon representaram o principal fator de crescimento para a varejista.
O marketplace do Walmart apresentou expansão semelhante, com um salto expressivo nas vendas de produtos da franquia. A procura também apareceu nas lojas físicas.
Em abril, consumidores formaram longas filas diante de uma unidade da Costco na Colúmbia Britânica. O público buscava caixas de boosters da coleção Prismatic Evolutions.
Essas caixas chegam ao varejo por cerca de US$ 100. Contudo, algumas unidades alcançaram valores várias vezes maiores no mercado secundário.
Retornos de longo prazo e fatores da valorização
Os dados de longo prazo mostram uma diferença ainda maior. A Card Ladder calculou retorno acumulado superior a 3.800% para as Cartas Pokémon entre 2004 e meados de 2025.
Já as caixas lacradas de boosters renderam cerca de 238% entre 2021 e 2026, conforme dados da TCGinvest. No mesmo intervalo, o S&P 500 apresentou retorno aproximado de 81%.
Por outro lado, cartas avulsas, sem classificação e em estado bruto, renderam perto de 38%. A diferença destaca a vantagem obtida por itens lacrados ou exemplares de qualidade superior.
Analistas do segmento apontam dois fatores principais para a valorização. O primeiro envolve a nostalgia entre millennials e integrantes da geração Z que cresceram com a franquia.
Ao mesmo tempo, cartas vintage bem conservadas enfrentam uma escassez real. Empresas do setor de criptomoedas também começaram a desenvolver infraestrutura para negociar cartas tokenizadas, armazenadas em cofres, por meio de blockchain.
Esse movimento adiciona uma nova fonte de demanda e liquidez ao segmento. Estimativas citadas no levantamento avaliam esse mercado entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões.
Mercado de cartas apresenta riscos relevantes
Apesar dos retornos, grandes lotes de cartas podem demorar mais para encontrar compradores. Portanto, a baixa liquidez dificulta vendas rápidas, principalmente em operações de maior escala.
Além disso, os índices costumam acompanhar produtos lacrados ou exemplares em excelente estado. Esses itens apresentaram justamente as maiores valorizações.
Em contraste, cartas comuns, usadas ou sem classificação ficaram muito atrás dos retornos mais divulgados. Assim, os índices podem não refletir a experiência de todos os colecionadores.
Falsificações e critérios subjetivos de classificação acrescentam outros riscos. Essas questões não aparecem da mesma maneira nos mercados regulamentados de valores mobiliários.
Também é importante considerar que três meses representam uma janela curta de comparação. O Bitcoin superou os colecionáveis em determinados períodos mais longos.
Ganhos rápidos motivados pelo entusiasmo ainda podem recuar caso o interesse dos compradores diminua. Embora as Cartas Pokémon atravessem um período de forte desempenho, seus retornos envolvem riscos e incertezas relevantes.