Casa Branca: stablecoin não ameaça bancos

Um estudo conduzido por economistas da Casa Branca trouxe um sinal positivo para o mercado de stablecoin. A análise indica que o rendimento oferecido por esses ativos digitais não representa uma ameaça relevante ao sistema bancário, especialmente para instituições de menor porte. Além disso, a eventual proibição desse tipo de retorno teria impacto limitado sobre a oferta de crédito.

O relatório foi divulgado pelo Conselho de Assessores Econômicos (CEA). O documento examina, sobretudo, como o rendimento de stablecoins pode influenciar a migração de depósitos bancários e a concessão de crédito. Esse debate ganhou força à medida que aumenta a integração entre finanças tradicionais e ativos digitais.

Efeito sobre crédito e depósitos bancários

O tema também se conecta ao avanço do chamado GENIUS Act, proposta legislativa nos Estados Unidos. O projeto exige que emissores de stablecoins mantenham reservas equivalentes aos tokens emitidos, lastreadas em ativos como dólares, notas do Federal Reserve e títulos do Tesouro de curto prazo.

Além disso, a proposta prevê restrições relevantes, como a proibição do pagamento de juros aos detentores. Ao mesmo tempo, bancos pressionam para estender essa limitação a corretoras e plataformas digitais. Como resultado, esse impasse tem contribuído para atrasos em discussões regulatórias mais amplas, incluindo o CLARITY Act.

Ainda assim, os dados do CEA apontam para efeitos modestos. Segundo o órgão, eliminar o rendimento de stablecoins aumentaria o crédito bancário em cerca de US$ 2,1 bilhões, o equivalente a apenas 0,02%.

Grandes bancos responderiam por cerca de 76% desse aumento, enquanto bancos comunitários ficariam com 24%, o que representaria aproximadamente US$ 500 milhões adicionais ou 0,026% de crescimento.

Mesmo ao considerar cenários mais extremos, o impacto permanece limitado. O modelo do CEA projeta que, na hipótese mais agressiva, o crédito total poderia crescer US$ 521 bilhões, cerca de 4,4% do volume registrado até o quarto trimestre de 2025.

Cenários extremos exigem condições improváveis

Para que esse cenário se concretize, diversas condições pouco prováveis precisariam ocorrer simultaneamente. Em primeiro lugar, o mercado de stablecoins teria que crescer cerca de seis vezes em relação à sua participação atual nos depósitos bancários. Além disso, todas as reservas precisariam ser mantidas em ativos não reutilizáveis para concessão de crédito.

Ademais, o modelo pressupõe mudanças relevantes na condução da política monetária pelo Federal Reserve. Ainda assim, mesmo nesse contexto, o impacto sobre bancos comunitários continuaria restrito.

Nesse cenário extremo, o crédito dessas instituições aumentaria cerca de US$ 129 bilhões, o equivalente a 6,7%.

Assim, o estudo sugere que restringir o rendimento de stablecoins teria efeito limitado na proteção do crédito bancário. Por outro lado, a medida poderia reduzir benefícios aos usuários, como retornos mais competitivos.

Regulação ainda é o principal entrave

As conclusões do CEA contrastam com argumentos recorrentes de grandes instituições financeiras. Executivos do setor frequentemente afirmam que stablecoins com rendimento poderiam atrair trilhões de dólares em depósitos. No entanto, o estudo indica que essas estimativas podem estar superdimensionadas.

Projeções anteriores sugeriam que até US$ 6 trilhões poderiam migrar para o ecossistema digital, com impacto relevante sobre bancos comunitários. Ainda assim, os dados mais recentes apontam para um cenário menos severo.

Em contrapartida, o relatório destaca a incerteza regulatória como um fator mais relevante. Segundo Chris Giancarlo, ex-presidente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC), a ausência de regras claras dificulta a atuação dos bancos.

De acordo com ele, sem segurança jurídica, instituições financeiras tendem a hesitar em investir bilhões em inovação tecnológica. Como resultado, o sistema bancário pode ter dificuldades para acompanhar a evolução das finanças digitais.

stablecoin, total

A capitalização total do mercado de criptomoedas atingiu US$ 2,42 trilhões no gráfico semanal. Fonte: TradingView

Em suma, o relatório reforça que, mesmo em cenários adversos, o impacto do rendimento de stablecoin sobre o crédito bancário tende a ser limitado. Ao mesmo tempo, evidencia que a falta de clareza regulatória continua sendo um dos principais obstáculos para a integração entre bancos e o mercado de ativos digitais.