Caso LIBRA contra Javier Milei é arquivado na Argentina
A Justiça argentina arquivou o processo criminal do caso LIBRA, que envolvia o presidente Javier Milei e outras dez pessoas. O juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi concluiu que as provas não configuravam os crimes investigados. A decisão encerrou o processo iniciado em fevereiro de 2025.
Martínez de Giorgi apresentou a decisão de 60 páginas em 23 de outubro, após um pedido do promotor Eduardo Taiano. Durante o lançamento, Milei divulgou a LIBRA em seu perfil no X. Na publicação, ele apresentou o projeto como uma iniciativa de apoio às empresas argentinas. Entretanto, o presidente apagou a mensagem após a repercussão negativa.
Logo depois da publicação, o preço da LIBRA subiu e registrou uma forte queda. Algumas estimativas apontaram perdas superiores a US$ 200 milhões entre os compradores. Mesmo assim, o tribunal não encontrou elementos suficientes para caracterizar fraude criminal.
Justiça afasta acusações de fraude no caso LIBRA
A investigação examinou acusações de fraude, tráfico de influência, abuso de autoridade e conflitos relacionados à função pública. Contudo, o juiz aceitou a avaliação do Ministério Público sobre a ausência dos requisitos legais desses crimes. Assim, a Justiça argentina encerrou o processo sem responsabilização criminal. A decisão também alcançou todos os demais investigados.
O tribunal afirmou que a queda do preço e as perdas financeiras não comprovam fraude por si próprias. Além disso, os investigadores não identificaram uma declaração falsa que tivesse levado diretamente os compradores a adquirir a LIBRA. A visibilidade pública de um promotor também não comprova automaticamente a existência de um esquema enganoso. Por isso, o juiz considerou insuficientes os elementos reunidos.
Os investigadores não demonstraram que os compradores cometeram um erro induzido por alguma informação falsa. Tampouco estabeleceram um dano financeiro diretamente provocado por eventual engano. No caso de Milei, o tribunal reconheceu que o cargo presidencial ampliou a visibilidade do lançamento. No entanto, concluiu que essa influência institucional isolada não constituía prova de fraude.
Um juiz argentino arquivou a investigação criminal sobre LIBRA contra o presidente Javier Milei, sua irmã Karina Milei e o empresário norte-americano Hayden Davis.
A decisão indicou ainda que a publicação de Milei no X não representou um ato oficial. Da mesma forma, o presidente não utilizou recursos estatais para divulgar o projeto. O processo também não registrou ordem administrativa ou contrato governamental relacionado à promoção. Dessa maneira, o tribunal afastou a acusação de abuso de autoridade.
Karina Milei e Hayden Davis deixam a investigação
O juiz também encerrou o caso contra Karina Milei, secretária-geral da Presidência. Os investigadores analisaram arquivos sem assinatura encontrados no celular de Mauricio Novelli. Porém, o material não comprovou que Karina recebeu pagamentos para organizar reuniões com o presidente. A apuração também não encontrou um acordo remunerado relacionado a esses encontros.
Já Hayden Davis se apresentou como assessor do lançamento e negou irregularidades. Segundo o tribunal, as evidências não demonstraram uma coordenação criminosa entre Davis e integrantes do governo. Os documentos examinados também não comprovaram tráfico de influência. Portanto, o juiz incluiu Davis no arquivamento.
A medida alcançou ainda Mauricio Novelli, Manuel Terrones Godoy, Sergio Morales e Julian Peh. María Alicia Rafaele, María Pía Novelli, Camilo Rodríguez Blanco e Orlando Mellino também deixaram a investigação. Com isso, a Justiça encerrou o processo contra as onze pessoas citadas. A decisão não estabeleceu indenizações para os compradores da LIBRA.
Oposição questiona encerramento da investigação
A decisão provocou reações distintas entre aliados e opositores do governo argentino. A Presidência classificou o resultado como uma prova da inocência de Javier Milei. Por sua vez, o presidente afirmou que o caso representava uma operação política e midiática contra ele. Parlamentares da oposição contestaram essa interpretação.
O deputado Maximiliano Ferraro criticou a ausência de interrogatórios formais dos acusados. Ele também alegou que os investigadores não concluíram medidas solicitadas pelos compradores afetados. As críticas integram os questionamentos da oposição sobre a condução do caso. Apesar disso, elas não alteraram a decisão judicial.
Recursos relacionados à exclusão de acusadores particulares permanecem no Tribunal Federal de Cassação Criminal. Essas medidas discutem a participação dessas pessoas no procedimento. Assim, os recursos não representam uma reversão já determinada do arquivamento. A decisão de Martínez de Giorgi continua válida enquanto o tribunal superior analisa a disputa.
Processos e apurações fora da Argentina
O caso também originou processos fora do território argentino. Em setembro, uma corte federal de Nova York encerrou uma ação coletiva separada. O processo envolvia a Kelsier, Hayden Davis, a Meteora e seu ex-CEO Benjamin Chow. O tribunal norte-americano fundamentou o encerramento em questões processuais e materiais.
A decisão argentina não definiu um valor final único para as perdas dos compradores. Além do mais, o juiz não avaliou diretamente os méritos comerciais da LIBRA. O tribunal analisou apenas a possível responsabilidade criminal pelos delitos investigados. Nesse contexto, concluiu que as provas disponíveis não sustentavam as acusações.
Reportagens anteriores relataram tentativas de rastrear ativos digitais e obter registros de plataformas de criptomoedas. Algumas solicitações investigativas permaneceram incompletas ou produziram resultados limitados. Ao mesmo tempo, as autoridades não determinaram o conteúdo de certas ligações entre Milei e Novelli próximas ao lançamento. Essas limitações integraram o conjunto de elementos analisado antes do arquivamento.
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