Caso MinerWorld: Advogado da Comunichain afirma que a empresa não irá ressarcir usuários

“… eles não querem pagar, não vão pagar, não se sabe onde enfiaram o dinheiro”

A Comunichain, comunidade formada por ex-miners (investidores da MinerWorld), publicou neste sábado (9 de março) um vídeo a respeito da audiência realizada pela 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos, Individuais e Homogêneos da comarca Campo Grande no dia 24 de janeiro, na qual foi relatado que a MinerWorld atualmente possui apenas 0.00002469 em Bitcoin e 0.00075597 em Bitcoin Cash em suas carteiras.

O vídeo é conduzido pelo advogado Ivan Lacerda, um ativo integrante da Comunichain.

No início de seu discurso, Lacerda cita o fato de que, durante a audiência, foram realizadas tentativas de acesso a diversas contas em exchanges que supostamente abrigariam os ativos da empresa. Alguns dos acessos foram recusados pelo sistema e outros não foram concluídos por erro de login/senha.

Das contas acessadas, apenas uma da Neteller possuía saldo (US$763,80 em nome de Cícero Saad). O Ministério Público indagou se Cícero concordava em transferir o saldo em juízo, “já que a expedição de carta rogatória com a finalidade de transferir o valor é custosa e demorada”. O advogado de defesa da MinerWorld, Rafael Echeverria Lopes, respondeu por Cícero, negando a investida e afirmando que seu cliente não possuía condições financeiras de realizar tal feito. Declarou ainda que o valor não será movido pois a senha de acesso à conta está lacrada como sigilosa em um envelope.

De acordo com Ivan Lacerda, “esta audiência apenas consolidou uma convicção” de seu íntimo.

“Por mais que nós tenhamos dado alternativas, opções e sugerido saídas honrosas para que eles pudessem quitar os compromissos que fizeram com os investidores, sempre foram apresentados subterfúgios, desculpas e argumentos insólidos que apenas demonstravam, que agora, nessa audiência ficou coroada essa hipótese, que eles não querem pagar, não vão pagar, não se sabe onde enfiaram o dinheiro efetivamente. O certo é que as pessoas que fizeram investimento efetivamente devem ficar com prejuízo. Essa é a minha convicção de ordem pessoal. Tomara que eu esteja errado”.

O advogado segue argumentando que maiores manifestações neste processo só resultariam no acúmulo de papelada sem nenhum objetivo prático, pois “não existe fundo para garantir o pagamento de ninguém”.

“Se um dia aparecerem esses investimentos que em tese, supostamente foram feitos nos Estados Unidos, aí as pessoas vão ser naturalmente informadas pela via adequada (…) e aí então o que tiver lá, se tiver alguma coisa, poderá ser objeto de divisão para a quitação desses compromissos de ordem cível”

Lacerda declara que a Comunichain não se fez e não se fará presente no processo para evitar a geração de gastos, visto que a comunidade teria de ser oficialmente instituída e registrada em cartório.

O advogado segue seu discurso comentando que a MinerWorld era estruturada no nome de terceiros, não efetivamente no nome de seus representantes públicos (Cícero Saad e Jonhnes Carvalho), afirmando que estes não “figuravam juridicamente como donos da empresa”.

“Haviam inclusive terceiras pessoas como ‘investidores’ que cuidavam das carteiras de investimento, como essa nos Estados Unidos que foi bloqueada, que está em nome de terceira pessoa que efetivamente não pertencia aos quadros de gestão da empresa. Poderia se argumentar ‘Ah, mas ele era contratado’, então que se apresente o contrato. Que se mostre que ele realmente era remunerado e trabalhava para esse empreendimento.”

De acordo com Ivan, o caso dá indícios de que foram utilizados documentos de forma indevida para que os responsáveis obtivessem “vantagens ilícitas”, inclusive no âmbito internacional, visto que várias atividades ocorreram fora do território brasileiro.

O advogado conta ainda que o próprio Cícero Saad lhe garantiu que os investimentos eram reais, e que o Miner360 estava funcionando “redondo, sem problema nenhum”, o que acabou atraindo muitos investidores que futuramente obtiveram prejuízo.

Lacerda continua seu discurso instigando ex-miners a coletar quaisquer evidências (vídeos, áudios, fotos…) de eventos e afins e procurar auxílio judicial, indicando ainda o contato de seu próprio filho, Conrado Lacerda, Auxiliar Administrativo de seu escritório da advocacia.

“Eu, particularmente, vou adotar providências nesse sentido, estou me movimentando para coletar documentação e verificar como agir.”

Ivan cita ainda o caso da transferência de US$763 negada pelo advogado Rafael Echeverria, dizendo que pensou em “fazer uma cota para colaborar com Cícero Saad, que deve estar passando necessidades”.

“É tão absurdo o negócio que é melhor a gente nem esticar muito pra não perder a educação”

O advogado conclui o vídeo afirmando que os responsáveis pela empresa “pegaram o dinheiro de todo mundo, inventaram uma belíssima de uma história, não pagaram ninguém e colocaram a empresa em nome de terceiras pessoas”.

“Então na minha concepção, se trata, efetivamente, da prática de ilícitos penais que devem ser apurados pela autoridade pública”

Confira o vídeo na página da Comunichain clicando aqui.

Foto de Beatriz Orlandeli
Foto de Beatriz Orlandeli O autor:

Simpatizante das criptomoedas, após cursar Arquitetura e Urbanismo, reavivou um antigo gosto pela escrita e atualmente trabalha como redatora do WeBitcoin.

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