CATL levanta US$ 5,2 bi e pressiona bancos nos EUA

Grandes bancos de Wall Street participaram da captação bilionária da fabricante chinesa de baterias CATL, mesmo após a empresa ser classificada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos como ligada a possíveis interesses militares. Ainda assim, a operação avançou e passou a atrair forte atenção de parlamentares norte-americanos.

Segundo relatório do Comitê Seleto da Câmara dos EUA sobre o Partido Comunista Chinês, JPMorgan Chase e Bank of America coordenaram a oferta secundária de ações da CATL em Hong Kong, realizada em maio de 2025. A operação levantou cerca de US$ 5,2 bilhões junto a investidores globais. Além disso, o Morgan Stanley também teria participado de uma oferta posterior vinculada à empresa.

O ponto central da controvérsia está na inclusão da CATL, em 7 de janeiro de 2025, na lista Section 1260H do Departamento de Defesa dos EUA. Essa classificação identifica empresas chinesas com possíveis conexões militares. Embora não proíba negócios, ela amplia significativamente o risco reputacional.

Pressão política cresce sobre bancos de Wall Street

Congresso intensifica investigação sobre a operação

Antes da oferta, autoridades já haviam emitido alertas. Em 17 de abril de 2025, o presidente do comitê, John Moolenaar, enviou carta ao JPMorgan e ao Bank of America solicitando a retirada da operação. O documento destacou riscos à segurança nacional e possíveis vínculos da CATL com cadeias de suprimentos associadas à região de Xinjiang.

Segundo o relatório, essas conexões envolveriam o Xinjiang Production and Construction Corps, entidade sancionada sob a Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado Uyghur. Dessa forma, a legislação presume que produtos oriundos da região podem estar ligados a trabalho forçado.

Mesmo diante dessas preocupações, os bancos mantiveram sua atuação. Assim, a listagem em Hong Kong foi concluída e se tornou uma das maiores ofertas secundárias do ano. Posteriormente, em julho de 2025, a tensão aumentou quando o comitê emitiu intimações contra JPMorgan e Bank of America, após as instituições não fornecerem documentos solicitados sobre seus processos internos de diligência.

Informações públicas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos indicam que a lista 1260H busca ampliar a transparência. Ainda assim, seu impacto político e financeiro tende a ser relevante.

Relevância da CATL no mercado global de baterias

Empresa lidera cadeia de veículos elétricos

A Contemporary Amperex Technology Co. Limited (CATL) ocupa posição dominante no mercado global de baterias para veículos elétricos. A companhia fornece células para montadoras como Tesla, BMW, Hyundai e Ford. Portanto, seu papel é estratégico na transição energética global.

Ao mesmo tempo, investidores acompanham de perto o setor de veículos elétricos, visto que o segmento segue em expansão. Ainda assim, a inclusão da CATL na lista 1260H não equivale a sanções tradicionais. Em outras palavras, empresas norte-americanas ainda podem manter relações comerciais com a companhia.

Contudo, a classificação levanta preocupações regulatórias. Além disso, questões envolvendo Xinjiang ampliam o risco reputacional. Dessa maneira, investidores institucionais passam a considerar não apenas desempenho financeiro, mas também fatores políticos e sociais.

Impactos para investidores e o sistema financeiro

Riscos regulatórios podem redefinir estratégias

A investigação do Congresso pode gerar efeitos amplos. Intimações legislativas são tratadas com seriedade e, por conseguinte, podem levar a mudanças nas práticas de compliance. Caso sejam identificadas falhas na diligência, o impacto pode ultrapassar essa operação específica.

Além disso, Wall Street tende a adotar postura mais cautelosa ao lidar com empresas incluídas na lista 1260H. Como resultado, futuras captações de empresas chinesas podem enfrentar maior escrutínio, alterando o fluxo de capital global.

Por outro lado, concorrentes fora da China podem se beneficiar. Empresas da Coreia do Sul, como LG Energy Solution e Samsung SDI, podem atrair mais investidores, especialmente em um cenário de migração de capital motivada por riscos regulatórios.

Em suma, o caso reúne grandes bancos norte-americanos, uma captação de US$ 5,2 bilhões e uma empresa central na cadeia de veículos elétricos. Ainda que a operação tenha sido concluída, o debate sobre segurança nacional, compliance e direitos humanos segue em evolução, com potencial para redefinir a relação entre Wall Street e empresas chinesas.