CBDCs ameaçam as criptomoedas?

Entenda a diferença entre os ativos e se eles são capazes de coexistir de maneira pacífica
Concorrência
Não é equivocado afirmar que, em linhas gerais, os governos estão preocupados com as criptomoedas. Países menos autoritários tendem a buscar regulamentações mais brandas; outros, como China, Iraque e Tunísia, baniram toda e qualquer atividade envolvendo ativos digitais descentralizados.
Bancos centrais estão trabalhando em seus próprios ativos digitais para concorrer com as criptomoedas. Entenda o conceito de cada uma:
CBDC: o que é?
Central Bank Digital Currency (“Moeda Digital de Banco Central”, em tradução livre) é uma categoria centralizada de moeda virtual. Bancos centrais são responsáveis por sua emissão, distribuição, manutenção e regulação. Seu valor é comumente atrelado ao do tradicional papel-moeda.
O nível de privacidade das transações dependerá da regulamentação imposta pelo Estado. Porém, qualquer movimentação realizada por meio de uma CBDC pode ser rastreada e manipulada por sua respectiva autarquia.
Por fim, estes ativos podem simplificar a implementação das políticas monetária e fiscal. Certos crimes, como sonegação e lavagem de dinheiro, tornam-se praticamente impossíveis.
Criptomoeda: o que é?
São ativos digitais geralmente descentralizados, baseados em tecnologia blockchain: uma espécie de livro-razão público distribuído. Não há uma instituição governamental por trás de seu controle ou precificação.
Criptomoedas não são ativos de curso forçado; isso significa que os usuários fazem uso delas por espontânea vontade.
Grande parte dos criptoativos são discretos: eles não coletam informações pessoais de seus usuários. Basta instalar e criar uma carteira compatível e negociá-los livremente. Outros são totalmente privados, pois não deixam rastros das transações.
CBDCs e criptomoedas podem coexistir?
A resposta para esta pergunta dependerá, em grande medida, das vontades de cada governo. Por exemplo, o governo chinês proibiu as criptomoedas, mas está produzindo sua CBDC; no Equador, o presidente tornou o Bitcoin (BTC) moeda legal e de curso forçado no país; em fevereiro deste ano, a Comissão Europeia declarou que lançará o euro digital no ano que vem.
De toda forma, a total digitalização da máquina pública é uma consequência natural da inclusão digital, cada vez mais poderosa ao redor do mundo. Com uma maior acessibilidade, outros projetos descentralizados e distribuídos aparecerão para concorrer com outros – inclusive ativos controlados por bancos centrais.
Obviamente, ninguém deseja que uma catástrofe econômica ocorra em seu país; contudo, caso isso aconteça, não seria uma boa ideia ter outras opções?


Jornalista, trader e entusiasta de tecnologia desde a infância. Foi editor-chefe da revista internacional 21CRYPTOS e fundador da Escola do Bitcoin, primeira iniciativa educacional 100% ao vivo para o mercado descentralizado. Foi palestrante na BlockCrypto Conference, em 2018.