Ceará aposta em infraestrutura para atrair mineração de Bitcoin
A Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (ETICE) vai aplicar R$ 12 milhões até final de 2026. Com foco na velocidade do Cinturão Digital – rede de fibra óptica de alta velocidade, que cobre milhares de quilômetros em dezenas de municípios. A pretensão é saltar de 200 gigabits por segundo (Gbps) para 400 Gpbs. Além disso, estuda um novo modelo de leilão para os sete pares de fibra óptica ainda ociosos, como contou Hugo Figueirêdo, presidente da estatal.
Data center, IA e mineração de criptomoedas: os focos da Etice para 2026
A ETICE mira em data centers, processamento de inteligência artificial (IA) e mineração de criptomoedas como oportunidades de novos negócios em 2026. Quando espera fechar o primeiro ano com superávit da história. Os segmentos são considerados estratégicos e devem alçar a Etice a um novo patamar
Quanto a ampliar o suporte para operações mineração de Bitcoin no estado, a companhia quer usar sua rede pública e condições energéticas competitivas. Visto que pretende para atrair data centers especializados, reforçando a estratégia tecnológica do governo cearense. Que, também segue tendências mundiais.
Segundo o presidente da ETICE, a mineração de criptomoedas entra em outra frente. Igualmente, como as demais, porém, necessita de uma estrutura apta para dar conta da grande quantidade de informação e sequência de dados. A demanda requerida por cada um é proporcional ao volume de recursos aplicados. Como o já observado nos empreendimentos que miram o Complexo do Pecém. Por conseguinte, o esperado são contratos de milhões de reais.
Ceará oferece essas condições por meio de uma ampla disponibilidade de energia renovável a preços inferiores à média nacional. Sendo assim, cria um ambiente favorável para empresas com operações de alta demanda energética.
A conectividade também funciona como destaque. O Cinturão Digital do Ceará garante baixa latência e alta velocidade. Figueirêdo afirmou que essa estrutura se torna um atrativo natural para operadores de data centers que buscam eficiência ao minerar Bitcoin.
Infraestrutura e políticas públicas
O detalhe relevante, por ora, é que a ETICE liderará a operação dentro de um processo de reestruturação. Com a ambição de registrar seu primeiro superávit. Isso sugere uma busca por novos fluxos de caixa lastreados em serviços tecnológicos. O que pode incluir desde colocation para máquinas até parcerias com operadores privados. Entretanto, parâmetros como capacidade instalada, cronograma, fontes de energia e modelo de partilha de receitas não foram divulgados. E isso limita a visibilidade sobre riscos e retorno. Por outro lado, a ancoragem em uma estatal pode facilitar contratos de longo prazo e dar robustez institucional a acordos de infraestrutura.
A iniciativa do governo do Ceará, de fato, está alinhada às políticas do governo federal. A de reforçar a soberania digital do país e buscar novas fontes de receita através da tecnologia. Nesse hiato, o O Brasil tem atraído mineradoras de Bitcoin com isenções fiscais, energia renovável e brechas na legislação.
Do ponto de vista técnico-operacional, a vantagem de projetos desse tipo costuma estar na gestão da demanda como carga flexível. Ademais, a mineração pode ser modulada em minutos, reduzindo consumo em horários críticos e retomando quando o preço cai, algo valioso em sistemas com variabilidade de oferta. Além disso, há o desafio de ciclo de hardware: a obsolescência de ASICs exige planejamento de capex e reposição. Assim, com impacto direto no custo por terahash e na competitividade frente ao hashrate global. Na prática, governança, transparência de custos e métricas de eficiência (energia/TH, uptime, PUE) serão centrais para avaliar o êxito da iniciativa.