CEO da Bitget chama Hyperliquid de “falsa DEX”
A Hyperliquid passou a enfrentar críticas públicas após declarações da CEO da Bitget, Gracy Chen. Em publicação no X, em 7 de abril, a executiva classificou a plataforma como uma “falsa exchange descentralizada” e afirmou que o projeto seria “imaturo, antiético e pouco profissional”. Além disso, ela sugeriu riscos que, segundo sua leitura, lembram falhas vistas no colapso da FTX.
Logo após a repercussão, o mercado intensificou o debate sobre diferenças entre exchanges centralizadas e descentralizadas. Ao mesmo tempo, o crescimento da Hyperliquid ampliou o impacto das críticas, já que a plataforma frequentemente supera US$ 1 bilhão em volume diário de contratos perpétuos.
Estrutura da Hyperliquid entra no centro das críticas
Em primeiro lugar, o questionamento recai sobre o grau de descentralização da plataforma. Segundo Gracy Chen, a Hyperliquid operaria, na prática, como uma exchange offshore com características centralizadas. Embora utilize a narrativa de finanças descentralizadas, a ausência de processos formais de KYC e AML levanta preocupações regulatórias, na avaliação da executiva.
Além disso, um episódio recente ampliou a controvérsia. Em 26 de março, um incidente envolvendo o mercado perpétuo da memecoin JELLY chamou atenção do setor. Na ocasião, um participante abriu uma posição vendida de cerca de US$ 6 milhões e, em seguida, movimentou o preço do ativo, o que teria contribuído para um evento de liquidação forçada.
Evento com JELLY levanta dúvidas sobre governança
Como resultado, o movimento ameaçou gerar perdas superiores a US$ 10 milhões no vault HLP. Diante desse cenário, validadores da Hyperliquid removeram o mercado e forçaram a liquidação das posições a US$ 0,0095. A medida conteve danos maiores, porém interferiu diretamente nas posições dos usuários.
Assim, surgiram dúvidas sobre o nível de autonomia do protocolo. Para Chen, esse tipo de intervenção indica controle relevante sobre o sistema. Ainda que a decisão tenha caráter emergencial, o episódio reforçou questionamentos sobre governança e transparência.
Crescimento acelera disputa com exchanges centralizadas
Por outro lado, o contexto competitivo ajuda a explicar o tom das críticas. A Hyperliquid vem ganhando espaço no mercado de derivativos, segmento central para a receita de exchanges tradicionais. Portanto, o avanço da plataforma pode representar pressão direta sobre concorrentes como a Bitget.
Além disso, há uma mudança estrutural em curso. Cada vez mais traders buscam alternativas on-chain, a fim de reduzir dependência de intermediários. Dessa forma, soluções como a Hyperliquid crescem, mesmo diante de dúvidas sobre sua arquitetura.

Fonte: Hyperliquid / DefiLlama
Ao mesmo tempo, o desempenho do token HYPE tende a refletir a confiança no projeto. Assim, críticas à estrutura e à governança podem impactar não apenas o protocolo, mas também a percepção de valor do ativo.
Disputa entre modelos se intensifica
Com efeito, o embate entre modelos centralizados e descentralizados ganha força. Enquanto exchanges tradicionais enfatizam conformidade regulatória, plataformas on-chain priorizam autonomia e eficiência. Nesse sentido, a Hyperliquid ocupa uma posição intermediária, o que desperta tanto interesse quanto desconfiança.
Setor reage de forma dividida
Apesar das críticas, o mercado permanece dividido. Parte dos analistas avalia que o episódio da JELLY expôs fragilidades relevantes, especialmente quanto à concentração de poder entre validadores e à possibilidade de intervenções sem amplo consenso.
Por outro lado, membros da comunidade da Hyperliquid contestam as declarações de Chen. Segundo essa visão, as críticas misturam preocupações legítimas com interesses comerciais, já que o crescimento da plataforma afeta diretamente concorrentes centralizados.
Arthur Hayes comenta o caso
O cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, também se manifestou. Inicialmente, ele indicou que o mercado não deveria tratar a Hyperliquid como totalmente descentralizada, reforçando parte das críticas. No entanto, posteriormente, relativizou os impactos de longo prazo e destacou a resiliência do projeto no segmento de derivativos.
Arquitetura técnica alimenta o debate
A Hyperliquid opera em uma blockchain própria e utiliza o mecanismo de consenso HyperBFT. Além disso, executa ordens on-chain e realiza liquidação sem custódia por meio do vault HLP, características que a diferenciam de exchanges centralizadas tradicionais.
Entretanto, a rede conta com um conjunto reduzido de validadores, com acesso permissionado. Além disso, existe uma estrutura organizacional capaz de intervir em situações críticas. Como observado no caso da JELLY, tais intervenções podem ocorrer sem votação ampla da comunidade.
Descentralização segue em discussão
Em outras palavras, a Hyperliquid se posiciona em uma zona intermediária entre descentralização e controle operacional. Esse modelo híbrido pode oferecer eficiência, mas também levanta questionamentos sobre governança.
Por fim, o episódio recente, somado ao crescimento acelerado da plataforma, reforça um debate central no mercado de criptomoedas: o que, de fato, define uma exchange descentralizada no cenário atual.