CEO da Circle vê enorme potencial em stablecoin Yuan

O CEO da Circle, Jeremy Allaire,  disse à Reuters, que existe uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento de uma stablecoin atrelada ao Yuan. Segundo ele, esse movimento pode ganhar força à medida que o dinheiro digital avança no comércio internacional.

Durante evento em Hong Kong, Allaire destacou que a competição entre moedas entrou em uma nova fase. Em vez de depender apenas de política monetária, a disputa agora envolve tecnologia. Assim, moedas com infraestrutura digital mais eficiente tendem a ampliar sua presença global.

Além disso, o executivo projetou que a China pode lançar uma stablecoin baseada no Yuan dentro de três a cinco anos. A estimativa chama atenção, sobretudo porque a Circle é responsável pela emissão do USDC, uma das maiores stablecoins do mercado.

Stablecoins ganham espaço no comércio global

As stablecoins são ativos digitais com valor estável, geralmente atrelados a moedas fiduciárias como o dólar americano. Nesse sentido, oferecem vantagens relevantes em comparação aos sistemas tradicionais.

Em primeiro lugar, permitem liquidação quase instantânea. Além disso, operam 24 horas por dia e reduzem custos em transferências internacionais. Como resultado, empresas globais passam a adotar essas soluções com maior frequência.

Atualmente, o dólar domina esse segmento por meio de ativos como USDC e USDT. Ainda assim, uma stablecoin baseada no Yuan poderia alterar essa dinâmica, ao abrir espaço para a moeda chinesa fora do sistema bancário tradicional.

Esse avanço também ganha relevância em rotas comerciais estratégicas. Ao mesmo tempo, empresas buscam alternativas mais rápidas e eficientes, bem como formas de reduzir a dependência do dólar americano.

Esse movimento acompanha a expansão do mercado de criptomoedas, que continua evoluindo como infraestrutura financeira global.

Tecnologia passa a definir a força das moedas

Allaire ressaltou que a tecnologia se tornou o principal fator competitivo entre moedas. Em outras palavras, não basta manter estabilidade econômica. É essencial oferecer soluções digitais eficientes e escaláveis.

Assim sendo, países que liderarem essa inovação poderão ampliar sua influência financeira. Por outro lado, aqueles que demorarem podem perder relevância no comércio internacional. Esse cenário tende a se intensificar nos próximos anos, conforme ele avaliou.

China mantém restrições ao setor cripto

Apesar do potencial, a China mantém uma postura restritiva em relação ao mercado cripto. Desde 2021, o país proibiu atividades como negociação e mineração de criptomoedas.

No início de 2026, o Banco Popular da China reforçou essas regras. Em conjunto com outras sete agências reguladoras, ampliou a supervisão sobre ativos digitais.

Além disso, proibiu a emissão não autorizada de stablecoins atreladas ao Yuan fora do país. Segundo os reguladores, essas moedas podem desempenhar funções semelhantes às moedas fiduciárias.

Por esse motivo, uma circulação sem controle poderia representar riscos ao sistema financeiro. Portanto, qualquer iniciativa futura deverá contar com forte participação estatal.

Estado deve liderar avanços digitais

Embora restrinja o setor privado, a China avança em soluções digitais próprias. Nesse contexto, o controle estatal se consolida como peça central da estratégia.

Ao mesmo tempo, o país busca equilibrar inovação com estabilidade financeira. Dessa forma, tenta evitar riscos sistêmicos enquanto explora novas tecnologias.

Yuan digital avança na estratégia global

A China segue expandindo o uso do Yuan digital, conhecido como e-CNY. Esse projeto integra uma estratégia mais ampla de internacionalização da moeda.

Recentemente, bancos comerciais passaram a oferecer juros sobre carteiras digitais em Yuan. A medida entrou em vigor em janeiro de 2026 e aumentou o incentivo ao uso da moeda digital.

Além disso, o país integrou o Yuan digital a sistemas internacionais como o mBridge. Com isso, busca criar alternativas às infraestruturas financeiras dominadas pelo dólar.

Em suma, as declarações de Jeremy Allaire refletem uma transformação em curso. Stablecoins e moedas digitais oficiais assumem, cada vez mais, papel estratégico na disputa por influência no sistema financeiro global.