CFTC libera perpétuos de Bitcoin e Kalshi prepara oferta
A Commodity Futures Trading Commission, a CFTC dos Estados Unidos, anunciou na sexta-feira que permitirá a bolsas registradas no órgão listar contratos perpétuos atrelados ao Bitcoin. Assim, a medida abre um caminho mais claro para esse tipo de produto operar dentro das regras americanas.
Regulador cria rota para perpétuos cripto nos EUA
No anúncio, a CFTC afirmou que a decisão cria condições mais definidas para a oferta de contratos perpétuos de Bitcoin em ambiente regulado nos Estados Unidos. Além disso, o regulador disse que o movimento se alinha à meta declarada pelo presidente Donald Trump de consolidar o país como a capital global das criptomoedas.
Na prática, a agência trata a liberação de perpétuos em território americano como um avanço relevante para a estrutura de mercado local. Ao mesmo tempo, o tema ganha peso porque esses instrumentos já dominam plataformas no exterior, mas ainda tinham espaço mais restrito sob a supervisão regulatória dos EUA.
A decisão também reforçou a leitura de que a CFTC não apenas abriu uma porta teórica. O órgão também sinalizou um modelo de aplicação prática para produtos cripto regulados no mercado americano.
Coinbase recebe carta de no-action
Além disso, a autoridade reguladora adotou uma segunda medida relevante para o setor. A CFTC emitiu uma carta de no-action para a Coinbase. Segundo a orientação do órgão, o documento permite que clientes da empresa nos Estados Unidos acessem opções e contratos perpétuos já oferecidos pela corretora.
Paul Grewal, diretor jurídico da Coinbase, comentou a novidade em publicação na rede X, antigo Twitter. Segundo ele, trata-se de um marco importante para a indústria, porque leva à regulação americana produtos já consolidados em mercados globais. Na avaliação do executivo, esse processo é essencial para transformar os Estados Unidos em um dos principais polos do mercado cripto.
Kalshi prepara futuros perpétuos ligados a criptomoedas
Em resposta à mudança regulatória, a Kalshi anunciou na sexta-feira que planeja lançar contratos futuros perpétuos. A empresa pretende começar por produtos ligados a criptomoedas.
Assim, a Kalshi apresentou sua entrada nesse segmento como uma alternativa regulada para traders americanos que hoje recorrem a plataformas offshore. Conforme a empresa, o objetivo é ocupar uma das áreas mais relevantes da negociação de ativos digitais, mas sob supervisão regulatória nos Estados Unidos.
De acordo com a Kalshi, o mercado offshore de perpétuos cresceu de forma acelerada nos últimos anos. A empresa afirmou que o volume anual desse segmento saltou de US$ 28 trilhões em 2023 para mais de US$ 90 trilhões em 2025. Portanto, a companhia tenta se posicionar em uma frente que já provou escala, liquidez e apelo global.
Regulação vira principal argumento competitivo
A plataforma, conhecida por atuar em mercados de previsões, indicou que a regulação será o principal diferencial do produto voltado a criptomoedas. Além disso, a empresa informou que as taxas de funding serão cobradas a cada oito horas e ficarão visíveis no histórico de transações. A Kalshi também esclareceu que perpétuos de commodities agrícolas não estarão na linha inicial de produtos.
Em resumo, CFTC, Coinbase e Kalshi apontam para o mesmo movimento. De um lado, a agência abre espaço regulado para contratos perpétuos de Bitcoin nos Estados Unidos. De outro, a Coinbase destaca o acesso de clientes americanos a opções e perpétuos, enquanto a Kalshi prepara sua estreia citando um mercado offshore que teria passado de US$ 28 trilhões em 2023 para mais de US$ 90 trilhões em 2025.
Nesse sentido, o avanço regulatório pode reduzir a dependência de plataformas estrangeiras e ampliar a competição doméstica. Ainda assim, o impacto real dependerá da velocidade com que bolsas registradas, corretoras e novos entrantes transformarão a sinalização da CFTC em produtos líquidos, acessíveis e amplamente adotados pelo mercado americano.