Charles Edwards: migração à IA pressiona Bitcoin
O fundador da Capriole Investments, Charles Edwards, alertou que mineradores de Bitcoin estão migrando rapidamente para a inteligência artificial. Segundo ele, essa mudança estratégica levanta preocupações sobre a sustentabilidade da mineração e possíveis impactos no preço do ativo.
O movimento ocorre em um momento sensível para o setor, marcado por margens comprimidas e pressão crescente sobre receitas, sobretudo após o halving de 2024.
Mudança estrutural na mineração de Bitcoin
Empresas públicas redirecionam foco para IA
Em publicação na rede X, Edwards afirmou que praticamente todas as grandes empresas públicas de mineração já anunciaram planos de redirecionar operações para serviços ligados à inteligência artificial. Nesse sentido, a participação da receita oriunda do Bitcoin pode cair de cerca de 90% atualmente para apenas 30% nos próximos dois a três anos.
Além disso, o desempenho dessas empresas no mercado acionário tem influenciado essa mudança. Companhias com metas agressivas de receita em IA, acima de 80%, registraram valorização média superior a 500%. Por outro lado, empresas com metas abaixo de 60% apresentaram desempenho significativamente inferior, com retornos negativos ao longo de dois anos.
Ao mesmo tempo, há uma mudança relevante na estratégia de investimento em hardware. Diversas empresas não pretendem adquirir novos equipamentos de mineração, a menos que o cenário mude de forma significativa. Em vez disso, devem operar máquinas atuais até o fim da vida útil, enquanto direcionam capital para infraestrutura de IA.
Essa transição levanta preocupações sobre a segurança da rede. Afinal, os mineradores fornecem o poder computacional que sustenta o sistema. Assim, a redução de investimentos em ASICs pode limitar a expansão do hashrate caso o movimento se intensifique.
Além disso, a mudança também pode impactar o preço do Bitcoin. Isso porque mineradores públicos vêm vendendo parte relevante de suas reservas. Como resultado, a pressão compradora tende a diminuir ao longo do tempo.
Computação quântica entra no radar
Edwards também citou o avanço da computação quântica como um risco adicional. Segundo ele, essa tecnologia pode representar um desafio relevante para os sistemas de cripto do Bitcoin, caso a rede não evolua em paralelo. Ainda que o risco não seja imediato, o tema já preocupa especialistas.
Em comparação com ciclos anteriores, o cenário atual é mais complexo. Historicamente, cerca de 20% a 30% dos mineradores deixavam o mercado em períodos de baixa. No entanto, agora empresas avaliadas em mais de US$ 100 bilhões sinalizam uma diversificação estrutural para fora do setor cripto. Isso sugere uma mudança mais profunda na dinâmica da indústria.
Venda de Bitcoin por mineradores acelera em 2026
Queda no hashprice pressiona rentabilidade
Um relatório da TheEnergyMag mostrou que mineradores públicos estão vendendo Bitcoin em ritmo não visto desde o fim do último mercado de baixa. Essa tendência decorre da queda prolongada na rentabilidade da mineração.
O hashprice, métrica que indica a receita dos mineradores, caiu para níveis próximos das mínimas históricas, em torno de US$ 33 por PH/s. Como consequência, a obtenção de lucro tornou-se mais difícil, especialmente após o halving de 2024, enquanto a dificuldade da rede segue elevada em relação a 2021.
Empresas como MARA Holdings, Riot Platforms, Cango, CleanSpark e Bitdeer venderam juntas mais de 32.000 BTC apenas no primeiro trimestre de 2026. Esse volume supera o total líquido vendido durante todo o ano de 2025, estabelecendo um novo recorde no setor.
BTC sendo negociado a US$ 76.990 no gráfico diário | Fonte: TradingView
Os dados reforçam o alerta de Edwards. De fato, a combinação entre queda na participação do Bitcoin nas receitas, venda crescente de reservas e migração para inteligência artificial aponta para uma transformação estrutural. Nesse contexto, a mineração pode perder protagonismo relativo diante de novas fontes de receita tecnológica.